Archive for Novembro 23rd, 2007
Modismos no Culto Pentecostal
Introdução
Alguns líderes, infelizmente, não incentivam os crentes a freqüentar a Escola Dominical e a tomar parte nos cultos de ensino. Em decorrência disso, estão aparecendo expressões esquisitas em nosso meio como: “Segura a bola de fogo que Jeová vai mandar”, “Contempla o varão de branco com a espada na mão” e outras mais conhecidas: “Queima ele”, “Fica no mistério”, “Tá amarrado” etc. Em Romanos 12.1, Paulo ensina que o culto agradável a Deus é racional. Isto significa que, apesar de haver liberdade para a multiforme operação do Espírito Santo na vida dos salvos (1Co 12.6-7), o culto pentecostal não deve ter exageros ou modismos. Se deixarmos de fazer uso da razão, ignorando os princípios bíblicos, poderemos cair no erro de inventar práticas e atribui-las ao Espírito de Deus, mesmo que sejamos espirituais. Na verdade, o cristão deve evitar os dois extremos – o fanatismo e o formalismo.
O primeiro consiste na adoção de práticas exageradas e extrabíblicas, enquanto o segundo rejeita qualquer manifestação, sob o pretexto de não correr riscos. Como evitar estes extremos? Pedro responde: “Crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”, 2 Pd 3.18. Quem quiser crescer só na graça, fatalmente se tornará um fanático. E quem buscar só o conhecimento não terá como escapar da frieza espiritual. Para crescer na graça, o caminho é sempre o mesmo: consagração a Deus através de oração e jejum, bem como uma vida de piedade e santificação. Mas, para crescer em conhecimento é preciso estudar a Palavra e, principalmente, obedecer aos seus ensinamentos. Grandes movimentos pentecostais do início deste século se desviaram da vontade de Deus ou acabaram por falta de observância ao que a Bíblia ensina sobre a autêntica operação do Espírito Santo. Quando em uma igreja se dá pouca ou nenhuma ênfase à doutrina pentecostal, a possibilidade de surgirem expressões e manifestações estranhas é muito grande.
Exageros
Vivemos uma época de muitos modismos. Se fala em rir, rugir, cair, pular e dançar de poder. Tais procedimentos são defendidos, muitas vezes, por pessoas que dizem ter uma nova unção do Espírito. Esta, porém, não existe, visto que a unção do Espírito de Deus é uma só, como ensina o apóstolo João: “E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo”, 1Jo 2.20. Nesse caso, interessar-se por manifestações estranhas, diferentes das apresentadas no NT, é se opor à legítima operação do Espírito Santo. Em 1 Coríntios 14, encontramos conselhos importantes quanto ao comportamento do cristão em um culto pentecostal. O primeiro está no versículo 20: “Irmãos, não sejais meninos no entendimento”. Menino, neste contexto, é aquela pessoa que não tem discernimento, que pode ser facilmente influenciada por doutrinas errôneas (Ef 4.14). Segundo o autor da epístola aos Hebreus, somente pela observância à doutrina bíblica poderemos passar para o estágio de adulto (Hb 5.11-14). Outra orientação importante está no versículo 32: “E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas”. Há crentes que pensam que o Espírito Santo incorpora o profeta e suprime a sua personalidade no momento da profecia. Entretanto, no NT não encontramos nenhum servo de Deus profetizando fora de sua razão. E, nos tempos do AT, os profetas empregavam a expressão “Assim diz o Senhor”, em uma demonstração de que transmitiam conscientemente a mensagem do Senhor. Há pessoas que para profetizar precisam marchar, correr pelos corredores do templo ou encostar a sua testa na cabeça daquele que está recebendo a mensagem. Nada disso é necessário. A Bíblia se limita a dizer: “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem”, 1Co 14.29. Atitudes exibicionistas como cair ao chão, andar como quadrúpedes ou imitar sons de animais também excluem a razão e devem ser rejeitadas por aqueles que conhecem a genuína doutrina pentecostal.
Finalmente, Paulo ensina, no versículo 40: “Mas, faça-se tudo decentemente e com ordem”. Se uma irmã cai ao chão em uma posição desfavorável, isto é decente? E o que dizer de um culto em que todos batem palmas ou pulam, como se estivessem em um show ou em um estádio de futebol? Não é pecado saltar em um momento de extrema alegria (At 3.8), mas transformar essa prática em uma regra é exagero. Irmãos, sejamos pentecostais, mas não nos esqueçamos da ordem, da decência e do equilíbrio. E jamais deixemos os verdadeiros elementos de um culto pentecostal: “Cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para a edificação”, 1Co 14.26.
Autor: Pr. Ciro Sanches Zibordi é pastor assembleiano, editor de obras nacionais da CPAD, articulista, conferencista e autor de diversas obras, entre elas: Erros que os pregadores devem evitar, Evangelhos que Paulo jamais pregaria e em breve será lançado o seu novo livro: “Mais erros que os pregadores devem evitar”– todos editados pela CPAD.
4 comments Novembro 23, 2007
Antes e depois do batismo com Espírito Santo
Introdução
“Compreender a dinâmica e a essência do batismo é fundamental para que o crente viva a plenitude da bênção.” A idéia para este artigo veio de duas preocupações compartilhadas por muitos líderes pentecostais, a saber: o alto índice de crentes nas igrejas pentecostais que não são batizados no Espírito Santo e o entendimento inadequado de alguns, talvez muitos, em relação ao propósito ou propósitos do batismo no Espírito Santo. Estou sugerindo que o remédio para esses problemas está prioritariamente na mão dos líderes das igrejas (pastores, evangelistas e mestres), os quais são responsáveis por ensinar e guiar os crentes na estrada da fé. Não tratarei dos assuntos relativos à evidência subseqüente e inicial. Isto está claramente explicado na declaração das verdades fundamentais das Assembléias de Deus. Este artigo não é uma defesa da posição doutrinal da evidência inicial. Assim, ofereço sugestões que ajudarão os líderes a guiar os crentes a experimentar o batismo no Espírito e aos já batizados no Espírito a vivenciar o potencial de sua experiência. O líder é colocado estrategicamente para ajudar os outros crentes pelo ensino dos preceitos bíblicos e pelos exemplos. Uma explicação clara do ensino bíblico é essencial, como também uma demonstração de uma vida cheia do Espírito. [1]
1. Para os ainda não batizados
As sugestões seguintes estão baseadas na suposição de que o crente não se opõe à experiência do batismo no Espírito Santo e que ele é um candidato à experiência. As Escrituras Sagradas não nos fornecem uma fórmula para receber o revestimento inicial do Espírito, mas as considerações seguintes devem ser úteis para o crente que está em busca de forma interessada.
2. Todos os crentes são candidatos
Joel predisse que o Senhor derramaria de seu Espírito sobre toda carne (Jl 2.28-29). Anciãos e jovens, homens e mulheres, servos – sem distinguir entre idade, sexo ou posição social – estão incluídos na promessa. Isso ecoa a fervente esperança (e profecia) de Moisés de que o Senhor poria seu Espírito sobre toda carne (Nm 11.29). A dotação profética já não estaria mais limitada a uns poucos escolhidos. Pedro falou sobre esse tema no dia de Pentecostes quando ele citou, primeiramente, a passagem de Joel (At 2.17-21) e então declarou que o dom prometido do Espírito era “para vós [os judeus], a vossos filhos [seus descendentes], e a todos que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar”, At 2.38-39. [2] “Longe” pode referir-se à distância cronológica ou geográfica, mas provavelmente indica aos gentios (Ef 2.13-17). O crente interessado tem que estar seguro e convencido de que a experiência é para ele, certamente.
3. Nomes Divinos que Descrevem as Pessoas da Trindade
É importante enfatizar que o Espírito Santo não é exterior a um crente que não é batizado no Espírito Santo. O Espírito opera internamente em uma pessoa que se arrepende e crê para repercutir no novo nascimento. Ele não deixa o crente para só regressar de novo na hora da investidura. Alguns estão confundidos devido às imagens do batismo no Espírito Santo que o Novo Testamento usa, tais como “batizados em”, “derramado”, “cair sobre”, “vir sobre”. Todavia essas são somente maneiras figurativas e gráficas de se retratar uma experiência espantosa com o Espírito que já é residente. Por isso alguns chamam de uma “liberação” do Espírito que habita no interior do crente.
4. O batismo no Espírito Santo é um Dom
Por definição, um presente não se merece. Se fosse na base do mérito de uma pessoa, então a pergunta incontestável seria: “Qual deve ser a magnitude do que uma pessoa possa merecer?” ou “Quão perfeita tem de ser a pessoa antes de ser qualificado para a experiência?” É possível que uma pessoa que busca sinceramente seja preocupado com seu próprio sentido de indignidade ao ponto que o Espírito Santo não possa operar livremente nessa pessoa.
5. Deus não permitirá que os que o buscam tenham uma experiência falsa
Em minha experiência de aconselhamento aos que estão buscando, às vezes, ocorre que alguns têm ficado receosos quando falam em línguas. Eles pensam que foi um ato autogerado ou que não vem de Deus, mas de Satanás. Tais pessoas necessitam estar asseguradas das Palavras de Jesus: “Se vos, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?”, Mt 7.11. Esse texto está inserido em um contexto que diz que um pai terreno não permitiria que o pedido de um filho por peixe fosse substituído por uma serpente ou o pedido de pão fosse substituído por uma pedra (Lc 11.11-13). As pessoas sensíveis e, às vezes, inseguras precisam ser animadas a responder em voz alta aos impulsos internos de falar sons desconhecidos.
6. Oração e louvor freqüente dirigem a experiência
O ensino de Jesus sobre a disposição do Pai em dar o Espírito Santo aos que lhe pedem (Lc 11.13) segue uma passagem extensa sobre a oração (1-12), onde Ele elabora sobre e ilustra os aspectos da persistência. Os verbos gregos para “pedir”, “buscar” e “tocar” estão no tempo presente no grego, sugerindo as idéias de “seguir pedindo, seguir buscando, seguir tocando”. Isso deve ser distinguido de rogar em desespero e frustração. Antes, isso é mais que o princípio dado nas bem-aventuranças: “Bem-aventurados os que seguem buscando com fome e sede de justiça, porque eles serão saciados”, Mt 5.6 (tradução do autor). Devemos notar que, antes do dia de Pentecostes, os discípulos “perseveravam unânimes em oração”, At 1.14.
7. A oração persistente deve ser combinada com a adoração
A oração no Cenáculo era completada pelo hábito dos discípulos que “estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus”, Lc 24.53. Os que estão em busca do batismo no Espírito Santo devem ser motivados a louvar e fazer petições, porque o louvar a Deus em seu próprio idioma freqüentemente facilita a transição para o louvá-lo em outras línguas. Notamos que o conteúdo das línguas glossolalia dos discípulos era louvor pelas obras maravilhosas de Deus (At 2.11;provavelmente 10.46). Isso é especialmente interessante porque a celebração judaica do Pentecostes, um festival de colheita, era um tempo de gozo e agradecimento a Deus. Ainda sobre uma base pessoal, uma oferenda pessoal a Deus das primeiras colheitas assinalava uma celebração do ato poderoso de Deus para libertar Israel da escravidão no Egito (Dt 26.1-11).
8. Expectativa e sinceridade facilitam a recepção
O candidato tem de estar disposto a entregar-se ao que o Senhor lhe impulsionar a fazer. Embora as línguas genuínas não possam ser autogeradas, o que as recebe tem de cooperar com o Espírito Santo, se deixando levar por Ele. A experiência dos discípulos no Dia de Pentecostes é instrutiva, porque Lucas disse que falaram em línguas “segundo o Espírito lhes concedia que falassem”, At 2.4. Esse aspecto da expectativa é importante; pode servir como um antídoto para o que alguns chamam, sem carinho, de busca crônica.
9. Bênçãos especiais podem acontecer no caminho
A experiência do batismo no Espírito culmina com o falar em línguas, mas alguém pode ter experiências muito válidas e significativas no caminho. Realmente não é apropriado referir-se ao batismo no Espírito Santo como “uma segunda obra de graça” porque tudo que recebemos de Deus é por sua graça. Como conseqüência, pode haver muitas bênçãos entre a regeneração e o batismo no Espírito Santo, e, às vezes, essas bênçãos são uma indicação da experiência culminante por vir. Com respeito ao batismo no Espírito, não tem de ser “tudo ou nada”. Alguns encontros espirituais com o Senhor servem para preparar e facilitar a recepção da plenitude do Espírito. Mas os que estão buscando têm de estar aconselhados a não confundir essas experiências com o verdadeiro batismo no Espírito Santo.
10. O tempo de Deus pode ser diferente do nosso
O Senhor, sem dúvida, responde às orações de fé e louvor. Mas por alguma razão, que somente Ele sabe, seu tempo nem sempre coincide com nossos desejos. Tanto no livro de Atos como na História da Igreja, os derramamentos do Espírito, às vezes, ocorrem em lugares inesperados. Como conseqüência, a pessoa que está buscando não deve desanimar-se ou sentir-se condenado se o enchimento do Espírito não acontecer no momento esperado. Porém, durante tempos de visitação especial do Senhor, quando muitos estão cheios com o Espírito, as condições são ótimas para quem estar buscando. Essa era a experiência do grupo de jovens onde cresci. Por muito tempo ninguém havia sido batizado no Espírito. Logo, por nenhuma razão discernível, vários de nós fomos cheios em um curto período de tempo. Minha irmã mais velha foi a primeira batizada no Espírito; não muito tempo depois, tive a mesma experiência na privacidade do meu quarto, em um momento de oração, sem uma referência específica ao batismo no Espírito.
11. Para os já batizados
Várias perguntas são pertinentes em uma discussão sobre a experiência depois do batismo. Algumas delas seriam: “Que papel tem o falar em línguas na experiência?” “É a palavra glossolalia a essência desse batismo?” “Quais são os propósitos, os resultados divinamente previstos, da experiência?” “Crêem alguns cristãos batizados no Espírito, pelo menos implicitamente, que uma vez cheios, sempre cheios?” “É o batismo no Espírito Santo uma experiência renovável?” Ao líder é indispensável ensinar e guiar o povo até uma perspectiva mais ampla e inclusiva da natureza e propósito do batismo no Espírito. Os resultados previstos no batismo no Espírito devem incluir o seguinte:
a) Falar em línguas : Falar em línguas é a indicação imediata e empírica de que o enchimento do Espírito. Ao falar em línguas, a pessoa também recebe algo de Deus. Paulo diz que: “O que fala em línguas desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja”, 1Co 14.2-4. Este é o aspecto devocional das línguas que Paulo associa com o ato de bendizer a Deus e dar-lhe graças (1Co 14.16-17). É um elemento de orar no Espírito (Ef 6.18 e Jd 20). Línguas são, então, uma maneira de os crentes se edificarem espiritualmente. Por isso é freqüentemente chamado um idioma pessoal de oração. Então, falar em línguas pode ser considerado uma forma de graça. Não é uma experiência que ocorre somente no momento do batismo no Espírito; deve ser uma experiência continua e repetida. Essa idéia está implícita na declaração de Paulo aos Coríntios: “Quisera que todos vocês seguissem falando em línguas”, 1Co 14.5 (tradução do autor).[3] Ademais, um número de eruditos responsáveis entende que Paulo estava dizendo oração em línguas, ou pelo menos a incluía, quando disse que: “…o Espírito nos ajuda com as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis”, Rm 8.26.
b) Uma sinceridade com as manifestações espirituais: O batismo no Espírito Santo abre ao crente a disponibilidade da totalidade dos dons espirituais. Essa é uma conseqüência natural de se haver submetido a algo sobrenatural e ao se permitir ser inundado pelo Espírito. Por exemplo, o que Pedro disse à multidão no Dia de Pentecostes era realmente uma palavra profética, o que é claro na maneira em que Lucas apresenta o discurso com o verbo grego apophthengomai, um termo técnico para a palavra inspirada. Uma olhada na lista dos dons espirituais (1Co 12.8-10, 28-30; Rm 2.6-8 e Ef 4.11) revelará que a maioria desses dons já haviam sido manifestos de alguma forma no Antigo Testamento e nos Evangelhos. Os mesmos discípulos antes do Pentencostes estavam curando os enfermos e expulsando os demônios (Lc 10.9-17 e Mt 10.8). Além disso, um estudo da História da Igreja demonstrará que os dons espirituais em suas muitas formas foram manifestados pelos cristãos através dos séculos. Como a edificação do povo de Deus é o propósito principal dos dons espirituais na assembléia (1Co 12.7; 14.3-6, 12), os crentes cheios do Espírito devem ser animados a desejá-los ardentemente (1Co 12.31; 14.1).
c) Vida justa: O batismo no Espírito tem de ser entendido como algo que tem implicações para uma vida justa. O artigo 7 da declaração das verdades fundamentais das Assembléias de Deus norte-americana diz corretamente, eu creio, que com o batismo no Espírito Santo, vem à plenitude de poder para uma vida de serviço”. Eu creio que “para a vida”, significa “para a vida justa”. Se, efetivamente, o batismo no Espírito é uma imersão naquele que é o Santo Espírito – a designação mais freqüente para o Novo Testamento – a experiência tem que infringir a santidade pessoal. Um problema muito básico dos crentes em Corinto era que continuaram a falar em línguas sem permitir que o Espírito Santo trabalhasse internamente em suas vidas. É nesse ponto que os crentes batizados no Espírito Santo necessitam entender que o fruto espiritual, e não somente os dons espirituais, devem ser uma parte da experiência pentecostal. O fenômeno do fogo no dia de Pentecostes tem de ser relacionado, em parte, com a santidade de Deus (como é comum nas Escrituras – a sarça ardente, por exemplo) e por conseguinte a santidade do crente batizado. O batismo no Espírito não produz santificação instantânea (nada faz isso), mas pode dar ao recebedor um ímpeto adicional para buscar uma vida que agrada a Deus. Com isto, é importante ver a conexão que Paulo faz entre o ser continuamente cheio do Espírito e suas conseqüências na vida cristã – um espírito de gozo, ministério a outros, gratidão, submissão mútua, e respeito (Ef 5.18; 6.9). É apropriado neste momento mencionar que a plenitude do Espírito não deve ser somente uma experiência. Em adição à obra interna e diária do Espírito na vida de uma vida, há ocasiões quando ele vem sobre os crentes em tempos de crise ou para satisfazer uma necessidade especial. Esses tempos também são uma referencia de ser “cheio do Espírito” (At 4.8,31; 13.9,52).
d) Poder para testificar: A associação do poder com o Espírito Santo é comum no Novo Testamento. Às vezes, os dois termos são permutáveis (por exemplo, Lc 1.35; 4.14; At 10.38; Rm 15.19; 1Co 2.4 e 1Ts 1.5). O Jesus ressuscitado disse aos seus discípulos que ficassem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos do poder do alto (Lc 24.49). Em Atos, Ele disse: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”, At 1.8. Esses temas do batismo no Espírito Santo e a evangelização do mundo são enfoques muito relacionados no livro de Atos dos Apóstolos. Uma relação de causa e efeito entre os dois nos parece óbvia, mas devemos notar que Jesus não disse que o único propósito do poder era a evangelização. Já indiquei que a obra do Espírito no batismo do Espírito tem de ser compreendida de forma mais ampla do que o que Atos enfatiza. Entretanto, uma pessoa batizada no Espírito que não está preocupada com os perdidos, é uma contradição de termos. Desde o ponto de vista tanto bíblico como do movimento pentecostal missionário e evangelístico, ao receber esse poder sempre se tem que entender que inclui a proclamação do Evangelho. Essa proclamação, obviamente, é primordialmente verbal, porém o poder que Jesus prometeu incluía a prática de milagres em nome Dele. O livro de Atos relata um catálogo autêntico dos acontecimentos dos dons espirituais – dons vocais, curas, exorcismos, ressurreição de mortos etc – que o Senhor usava para preparar as multidões para a proclamação do Evangelho.
Conclusão
Tenho tentado tratar da variedade de temas referentes à necessidade premente que há de os líderes (pastores, evangelistas e mestres) ensinarem ao povo de Deus acerca da preparação para receber o batismo no Espírito Santo; de ensinar mais compreensivelmente sobre os propósitos e resultados do batismo; da necessidade de que os já batizados experimentem a plenitude do Espírito continuamente e também, de vez em quando, busquem uma investidura especial, em geral, o que só é feito em tempos de necessidade especial. O batismo no Espírito Santo tem que ser mais do que uma doutrina encerrada em um relicário; tem de ser uma experiência vital e produtiva na vida dos crentes e em suas relações pessoais com o Senhor, sua interação com outros crentes e seu testemunho ao mundo.
Notas:
1. O que se segue, tenho mudado e revisado minha monografia The Holy Spirit: A Pentecostal Perspective.
2. As citações são todas da versão Revista e Corrigida de Almeida 95, exceto em casos especificados.
3. A forma do verbo “falar” no grego é em tempo presente, sugerindo uma ação que continua ou em ação linear.
Autor: Anthony D. Palma é pastor das Assembléias de Deus no Eua. Além de mestre em Divindade pelo New York Theological Seminary. Mestre em Teologia Sagrada (S.T.M) e Doutor em Teologia (Th.D.). Artigo publicado na revista Manual do Obreiro(CPAD).
4 comments Novembro 23, 2007
O antiintelectualismo mata, mas o Espírito vivifica
“Meu negócio não é como teologia, mas com joelhologia”. Essa frase, que tem aparência de espiritualidade, foi criada por um pregador piauense; e expressa um forte antiintelectualismo. O antiintelectualismo se manifesta na oposição do estudo sistemático da Sagrada Escritura, por meio da teologia. Os anti-intelectuais são contra o estudo acadêmico, pois segundo eles, o crente precisa somente orar e o Espírito Santo revela a sua vontade. A curso teológico, mesmo o ortodoxo, é criticado com unhas e dentes.01) A origem do antiintelectualismo protestante.O início do antiintelectualismo no protestantismo começou nos exageros do pregadores avivalistas do século 19, onde se dá o início do evangelicalismo. O problemas dos reavivamento nos Estados Unidos é que eles exageraram no aspecto emocional do cristianismo. Reagindo contra a apatia devocional de suas congregações, que eram secas emocionalmente, muitos crentes do século 19 caíram em outro estremo, o desprezo pela intelectualidade. “O pastor não eram mais um professor que ensinava uma determinada congregação, mas era uma celebridade que inspirava o público em massa”, observa Nancy Pearcey, que lembra os avivalistas que souberam manter o equilíbrio entre devoção e racionalismo, citando o exemplo de Jonathan Edwards¹.
O anti-intelectualismo já foi muito forte entre os pentecostais, fato esse que não pode ser negado. O teólogo Stanley M. Horton, o maior expoente hodierno do pentecostalismo clássico, escreveu:
O Dr. Burton Goddard, que me ensinou hebraico no Gordon (Seminário Teológico Gordon-Conwell), incentivou-me a ir para Harvard fazer doutorado em Antigo Testamento. Ele também me ajudou a conseguir uma excelente bolsa de estudos. Quando contei ao irmão Smuland, meu superintendente distrital, que eu estava agradecido a Deus pela bolsa de estudos, ele retrucou: – A Deus ou ao diabo?²
A missionária norte-americana Ruth Dorris Lemos junto como o seu esposo, o Rev. João Kolenda Lemos, implantaram o primeiro seminário assembleiano no Brasil, O Instituto Bíblico das Assembléias de Deus(IBAD) em outubro de 1958. Ela conta que “eles (os pastores brasileiros) não tinham uma visão desse trabalho aqui no Brasil. E também missionários de outros países não tiveram esse sentimento”.³
O antiintelectualismo dos assembleianos brasileiros não partiu dos missionários suecos. Eles sempre valorizaram o estudo bíblico, mas não tinham uma visão de seminários nos moldes americanos. O missionário Gunnar Vingren foi um dedicado seminarista por quatro anos em Chicago(EUA). O que prevaleceu foi as Escolas Bíblicas de Obreiros (EBO), que já fazem parte da tradição assembleiana. As EBO´s eram realizadas em pequenos períodos no ano. Apesar das EBO´s, muitos pastores pentecostais no Brasil eram anti-intelectuais e acusavam os seminários de “fábricas de pastores”.
Esse tempo passou, hoje o número de eruditos pentecostais só está crescendo, os seminários e faculdades assembleianas proliferam por todo o Brasil. Hoje, o perigo está em vários jovens que buscam seminários, e caem em covis de cobras do liberalismo teológico de Rudolf Bultmann ou da neo-ortodoxia de Karl Barth. Há até pentecostal que é considerado maior defensor do teísmo aberto, modismo teológico de origem liberal.
02) o antiintelectualismo e o neopentecostalismo.
O antiintelectualismo se manifesta de maneira violenta, hoje, no neopentecostalismo. O maior líder neopentecostal do Brasil escreveu:
Todas as formas e ramos da teologia são fúteis, não passam de emaranhados de idéias que nada dizem ao inculto, confundem os simples e iludem o sábio. Nada acrescentam à fé e nada fazem pelos homens, a não ser aumentar sua capacidade de discutir e discordar entre si. 4
Será que esse líder não lembra dos benefícios, para o cristianismo, por parte dos teólogos ortodoxos que amavam a palavra de Deus? Certamente, se as ovelhas de muitos mercadores na fé, tivessem o mínimo de conhecimento bíblico, não entregariam os seus bens para sugadores e aproveitados, que usam a Bíblia de maneira indevida.
A cada dia nasce uma nova denominação neopentecostal no Brasil, mas a maioria esmagadora dessas novas denominações, já nascem sem Escola Dominical. Será um interesse na ignorância do povo? Infelizmente, muitas congregações de denominações tradicionais abandonaram a Escola Dominical.
03) a falácia do antiintelectualismo.
Um dos textos bíblicos mas usados pelos defensores do antiintelectualismo, se encontra em 2Co 3.6b(A letra mata, e o espírito vivifica). Quanto Paulo diz que a letra mata, ele não está se referindo ao estudo, mas a letra da lei de Moíses, que a ninguém salva, mas mostra o estado pecaminoso do homem e a severidade em relação ao pecado.
A Bíblia, pelo contrário, incetiva a busca pelo conhecimento:
a) Não se aparte de sua boca o livro dessa Lei; antes medita nele dia e noite (Js 1.8a)
b) A exposição de tuas palavras dá luz e dá entendimento aos símplices (Sl 119.130).
c) No ano primeiro de seu reinado, eu Daniel, entendi pelos livros que o número de anos, de que falou o Senhor ao profeta Jeremias, em que haviam de acabar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos (Dn 9.2).
d) Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor (Os 6.3a).
e) Errais não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus (Mt 22.29).
f) Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam (Jo 5.39).
g) Persiste em ler, exortar e ensinar (1Tm 4.13).
h) Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos (2Tm 4.13).
i) Antes, crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2 Pe 3.18).
04) as causas do antiintelectualismo.
Os principais fatores que contribuem para um forte antiintelectualismo no meio evangélico é o pragmatismo religioso e o empirismo desenfreado.
O pragmatismo baseia a verdade em sua utilidade e satisfação. O pragmático nunca pergunta se algo é verdadeiro, mas a sua pergunta é se algo funciona. A partir do momento que a funcionalidade de algo é a busca primaz do agente pesquisador, a sua tendência será o antiintelectualismo. A verdade, e sua busca, está em segundo plano. O pragmático descobre, por exemplo, que um homem cura enfermos com “o cuspe de Cristo”, em vez de buscar a base escriturística e fundamentar esse fato na verdade bíblica, o sujeito prefere a “cura do cuspe”, pois funciona.
O empirismo evangélico é pai do antiintelectualismo, pois baseia as suas “verdades” em experiência. As experiência são levadas as extremos, estabelecendo até doutrinas. Os “empiristas gospel” são anti-intelectuais de carteirinha. Um famoso pregador empirista, chamou o seu doutorado de porcaria, se vê o valor da teologia para esse pregador. É bom observar que há vários sites oferecendo doutorado de teologia por correspondência, puro engano e fraude.
05) o equilíbrio entre intelectualidade e devoção.
Há uma idéia muita errada, que associa estudo a apatia espiritual. O estudo não produz crentes nominais ou pessoas frias na fé com Cristo. Grandes eruditos, como muitos analfabetos estão mortos espiritualmente. O que determina comunhão com Deus não é o exterior (bens materiais, graduações etc), mas uma busca sincera por Deus. O mais importante é o equilíbrio de uma devoção emocional ao estudo intelectualizado. John Stott, em seu livro Cristianismo Equilibrado5, fez uma importante observação:
Alguns crentes são tão friamente intelectuais que se questiona serem eles mamíferos de sangue quente, para não dizer seres humanos, ao passo que outros são tão emocionais que se deseja saber se são possuidores de uma porção mínima de massa cinzenta. Eu me sinto constrangido a dizer que o mais perigoso dos dois extremos é o anteintelectualismo de depois a entrega ao emocionalismo…
Sinto-me na obrigação de acrescentar, contudo, que se o antiintelectualismo é perigoso, a polarização oposta é quase igualmente perigosa. Um hiperintelectualismo árido e sem vida, uma preocupação exclusiva com ortodoxia não é cristianismo do Novo Testamento. Não há dúvida de que os crentes primitivos eram profundamente motivados pela experiência de Jesus Cristo.
Nada de antiintelectualismo, mas não se deve cair no extremo do hiperintelectualismo, como lembra Stott. Ambos são prejudiciais, pois os extremos são perigosos. O estudo não pode deixar ninguém sem emoções, as emoções não podem deixar alguém sem racionalidade.
Conclusão:
O cristão deve rejeitar a teologia, filosofia, biologia, psicologia e outros ramos de estudo que trazem conceitos baseados em mentiras, que contrariam as verdades bíblicas. Mas tudo aquilo que a teologia, filosofia, biologia, psicologia e outros ramos de estudo que trazem como verdades, que se baseiam na revelação bíblica, deve ser abraçada pelo cristão. A frase do Clemente de Alexandria, um dos pais da igreja, deve ser lembrada, ele disse: “Toda verdade é a verdade de Deus”.
Referências bibliográficas:
1- PERCEY, Nancy. Verdade Absoluta. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p. 297 e 300.
2- HORTON, Stanley M. O Avivamento Pentecostal. 4. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001. 32,33.
3- frase de: LEMOS, Ruth Dorris. Atividade Feminina: Vida totalmente dedicada ao Mestre. Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro, maio de 2006, ano 76, n. 1452. p. 19.
4- MACEDO, Edir. A Libertação da Teologia, p. 17. citado por: SOARES, Esequias. Heresias e Modismos. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p. 332.
5- Publicado pela CPAD.
Autor: Gutierres Siqueira, moderador desse site.
1 comment Novembro 23, 2007
Como julgar uma profecia?
O julgamento de manifestações espirituais é uma ordenança bíblica. O apóstolo João escreveu: “Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”(1Jo 4.1). O discernimento é uma necessidade para a igreja dos dias atuais, pois há um verdadeiro bombardeio de modismos doutrinários, heresias e misticismos antibíblicos. Em meio a essa confusão da espiritualidade pós-moderna, a “profecia”, ou melhor, a profetada é um dos meios em que muitas heresias têm sido gerada. Mas como julgar uma profecia?
Em primeiro lugar, a profecia não deve entrar em choque com os princípios ensinados na Palavra de Deus, ou seja, profecia não deve formular doutrina ou um novo ensinamento. O cânon da Bíblia já está fechado há séculos e por esse motivo, qualquer nova revelação não pode acrescentar ou tirar algo da Bíblia(Ap 22.18-19). Reivindicar uma nova verdade por meio de uma profecia, é falácia de herege.
Em segundo lugar, a profecia não serve como guia pessoal, uma espécie de horóscopo. Quantos não consultam a profetiza antes de viajarem ou montarem um negócio? Quantos jovens não se casam por meio de profecias? Há até programas de rádio especializados em profecias on-line. É muito relevante a observação daquele que foi um grande teólogo pentecostal, Donald Stamps:
Note que, em nenhum incidente registrado no NT, o dom de profecia foi usado para dirigir pessoas em casos que pudessem ser resolvidos pelos princípios bíblicos. As decisões no tocante à moralidade, compra e venda, ao casamento , ao lar e à família devem ser tomadas mediante a aplicação e obediência aos princípios bíblicos da Palavra de Deus e não meramente à base de uma “profecia”.¹
Em terceiro lugar, a profecia deve estar de acordo com os princípios estabelecidos em 1Co 14.3: “Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação”. O dom de profecia manifestará essa características. Edificar leva a idéia de uma construção abalizada, ou seja, a profecia trará crescimento e desenvolvimento para o receptor daquela mensagem, as “profecias” de morte chocam-se com esse princípio. Exortação no original significa encorajamento e consolo, isto é, “que encoraja e desperta, e desafia todos a avançarem em fidelidade e amor”.² Consolação no original significa encorajamento, sendo assim, um sinônimo de palavra anterior, fortalecendo o ouvinte da profecia.
Em quarto lugar, a profecia precisa ser coerente. Quantas “profecias” contraditórias. Em um certo culto, o Deus Pai falava por meio de um vaso, enquanto isso o Deus Filho falava por meio de outro vaso, em um momento das “profecias”, a Trindade começou a discutir! Quanta carnalidade!
Em quinto lugar, a profecia é julgada por meio do dom de discernimento de espíritos. Há várias manifestações de difícil avaliação e que somente com a ajuda do Espírito Santo é possível discerni-las. O teólogo pentecostal Gordon Chown escreveu: “Muitas vezes, o dom de discernimento de espíritos manifesta-se para alertar o crente quanto ao caráter maligno de certas obras e doutrinas, sem fazer-se acompanhar, necessariamente, de poderes especiais”.³ A necessidade desse dom é imprescindível para esses “tempos trabalhosos”.
Em sexto lugar, a profecia se cumpre. O profeta Jeremias proclamou: “O profeta que profetiza paz, somente quando se cumprir a palavra desse profeta é que será conhecido como aquele a quem o Senhor, na verdade, enviou”(Jr 28.9). Há “profecias” muito superficiais, que se aplicam a vários fenômenos sociais, ou seja, são muito óbvias. A profecia precisa ser clara e se for do Senhor se cumprirá.
Essas recomendações precisam ser aplicadas em meio a qualquer manifestação espiritual que supostamente seja uma profecia. Esse exame é bíblico e necessário, pois disse o apóstolo Paulo: “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem”(1Co 14.26).
Referências bibliográficas:
1- STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.1679.
2- HORTON, Stanley M. A doutrina do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 244.3- CHOWN, Gordon. Os dons do Espírito Santo. São Paulo: Editora Vida, 2002, p. 51.
Autor: Gutierres Siqueira, moderador do site e professor de EBD.
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Pentecostalismo
Pentecostalismo trata de assunto relacionados à Teologia Pentecostal. Nesse site você encontrará textos do Blog Teologia Pentecostal(www.teologiapentecostal.blogspot.com), cujo autor sou eu, Gutierres Siqueira e outros artigos de especialistas no assunto.
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