Como julgar uma profecia?

novembro 23, 2007 at 2:18 pm 2 comentários

pentecostesO julgamento de manifestações espirituais é uma ordenança bíblica. O apóstolo João escreveu: “Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”(1Jo 4.1). O discernimento é uma necessidade para a igreja dos dias atuais, pois há um verdadeiro bombardeio de modismos doutrinários, heresias e misticismos antibíblicos. Em meio a essa confusão da espiritualidade pós-moderna, a “profecia”, ou melhor, a profetada é um dos meios em que muitas heresias têm sido gerada. Mas como julgar uma profecia?
Em primeiro lugar, a profecia não deve entrar em choque com os princípios ensinados na Palavra de Deus, ou seja, profecia não deve formular doutrina ou um novo ensinamento. O cânon da Bíblia já está fechado há séculos e por esse motivo, qualquer nova revelação não pode acrescentar ou tirar algo da Bíblia(Ap 22.18-19). Reivindicar uma nova verdade por meio de uma profecia, é falácia de herege.
Em segundo lugar, a profecia não serve como guia pessoal, uma espécie de horóscopo. Quantos não consultam a profetiza antes de viajarem ou montarem um negócio? Quantos jovens não se casam por meio de profecias? Há até programas de rádio especializados em profecias on-line. É muito relevante a observação daquele que foi um grande teólogo pentecostal, Donald Stamps:

Note que, em nenhum incidente registrado no NT, o dom de profecia foi usado para dirigir pessoas em casos que pudessem ser resolvidos pelos princípios bíblicos. As decisões no tocante à moralidade, compra e venda, ao casamento , ao lar e à família devem ser tomadas mediante a aplicação e obediência aos princípios bíblicos da Palavra de Deus e não meramente à base de uma “profecia”.¹

Em terceiro lugar, a profecia deve estar de acordo com os princípios estabelecidos em 1Co 14.3: “Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação”. O dom de profecia manifestará essa características. Edificar leva a idéia de uma construção abalizada, ou seja, a profecia trará crescimento e desenvolvimento para o receptor daquela mensagem, as “profecias” de morte chocam-se com esse princípio. Exortação no original significa encorajamento e consolo, isto é, “que encoraja e desperta, e desafia todos a avançarem em fidelidade e amor”.² Consolação no original significa encorajamento, sendo assim, um sinônimo de palavra anterior, fortalecendo o ouvinte da profecia.
Em quarto lugar, a profecia precisa ser coerente. Quantas “profecias” contraditórias. Em um certo culto, o Deus Pai falava por meio de um vaso, enquanto isso o Deus Filho falava por meio de outro vaso, em um momento das “profecias”, a Trindade começou a discutir! Quanta carnalidade!
Em quinto lugar, a profecia é julgada por meio do dom de discernimento de espíritos. Há várias manifestações de difícil avaliação e que somente com a ajuda do Espírito Santo é possível discerni-las. O teólogo pentecostal Gordon Chown escreveu: “Muitas vezes, o dom de discernimento de espíritos manifesta-se para alertar o crente quanto ao caráter maligno de certas obras e doutrinas, sem fazer-se acompanhar, necessariamente, de poderes especiais”.³ A necessidade desse dom é imprescindível para esses “tempos trabalhosos”.
Em sexto lugar, a profecia se cumpre. O profeta Jeremias proclamou: “O profeta que profetiza paz, somente quando se cumprir a palavra desse profeta é que será conhecido como aquele a quem o Senhor, na verdade, enviou”(Jr 28.9). Há “profecias” muito superficiais, que se aplicam a vários fenômenos sociais, ou seja, são muito óbvias. A profecia precisa ser clara e se for do Senhor se cumprirá.
Essas recomendações precisam ser aplicadas em meio a qualquer manifestação espiritual que supostamente seja uma profecia. Esse exame é bíblico e necessário, pois disse o apóstolo Paulo: “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem”(1Co 14.26).

Referências bibliográficas:


1- STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.1679.


2- HORTON, Stanley M. A doutrina do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 244.
3- CHOWN, Gordon. Os dons do Espírito Santo. São Paulo: Editora Vida, 2002, p. 51.

Autor: Gutierres Siqueira, moderador do site e professor de EBD.

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2 Comentários Add your own

  • 1. lourival  |  janeiro 7, 2009 às 6:12 pm

    Uma pergunta, muito bom esse estudo, mas devo julgar o profeta? ou a profecia?
    obrigado!Aguardo A Resposta

    Resposta
  • 2. Danielle Ribeiro Santos  |  fevereiro 6, 2009 às 1:04 pm

    Excelente artigo, hoje como sempre se faz necessário o dom de discernimento de espíritos, pois muitos são os profetas de Baal no meio do arraial de Deus. Fiquem na Paz do Senhor!!!

    Resposta

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