O Espírito Santo nas Escrituras

novembro 29, 2007 at 4:41 pm Deixe um comentário

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1. Títulos do Espírito Santo

 

Para muitas pessoas de nossa sociedade, os nomes pessoais não têm a mesma relevância que os da literatura bíblica. Os pais dão nome às crianças sem pensar no significado, simplesmente copiando dos parentes, amigos ou personagens públicas. Um casal pode dar o nome de Miguel a um filho, sem o mínimo conhecimento do significado original do nome (“Quem é como Deus?”). Os pais que têm um tio muito querido, chamado Samuel (“Seu nome é Deus”), talvez dêem o mesmo nome a um filho. Para um israelita, o nome Samuel proclamava que o portador do nome era um adorador de Deus.

 

Os nomes e títulos do Espírito Santo nos revelam muita coisa a respeito de quem é o Deus Espírito Santo. Embora o nome “Espírito Santo” não ocorra no Antigo Testamento, vários títulos equivalentes são usados. O problema teológico da personalidade do Espírito Santo gira em torno da revelação e compreensão progressivas, bem como da maneira de o leitor abordar a natureza da Bíblia. O Espírito Santo, como membro da Trindade, conforme revela o Novo Testamento, não aparece na Bíblia hebraica. Mesmo assim, o fato de a doutrina do Espírito Santo não estar plenamente revelada na Bíblia hebraica não altera a realidade da existência e obra do Espírito Santo nos tempos do Antigo Testamento. A Terra nunca foi o centro físico do Universo. Mas antes de terem as observações da criação divina — feita por Copérnico, Galileu e outros — comprovado o contrário, tanto os teólogos quanto os cientistas dos tempos passados acreditavam que a Terra era o centro do Universo.

 

Conforme já foi observado, ainda não houve uma revelação da parte de Deus, quer na Bíblia, quer na criação, que abrangesse a totalidade de tudo quanto Deus está dizendo ou fazendo. O modo de entender o Servo sofredor, depois da ressurreição, conforme sintetiza a explicação que Filipe fez de Isaías 53.7, 8 ao eunuco etíope (At 8.26-40), não era uma revelação nova, mas um modo mais exato de compreender uma revelação antiga.

 

O título mais freqüente no Antigo Testamento é “o Espírito de Yaweh” (heb. Ruach YHWH [Yahweh]), ou, conforme consta nas Bíblias em português, “o Espírito do Senhor”. Considerando o ataque que os críticos modernos fazem à presença do Espírito Santo no Antigo Testamento, talvez devamos usar o nome pessoal de Deus, “Yahweh”, ao invés do título “Senhor” (que os judeus dos tempos posteriores ao Antigo Testamento substituíram pelo nome). O que nos interessa aqui é um dos significados de Yahweh: “aquele que cria, ou faz existir”. Cada emprego do nome Yahweh é uma declaração a respeito da criação. O “Senhor dos Exércitos” é melhor traduzido como “aquele que cria as hostes” — tanto as hostes celestiais (as estrelas e os anjos, de acordo com o contexto) quanto às hostes do povo de Deus. O Espírito de Yahweh estava ativo na criação, conforme revela Gênesis 1.2, com referência ao “Espírito de Deus” (heb. ruach ’elohim).

 

Uma preciosa série de títulos do Espírito Santo encontra-se em João 14 – 16. Jesus promete enviar outro Consolador (“Ajudador” ou “Conselheiro”). A obra do Espírito Santo como Conselheiro inclui o papel do Espírito da Verdade, que habita dentro de nós (Jo 14.16; 15.26), como aquEle que ensina todas as coisas, como aquEle que faz lembrar tudo quanto Cristo tem dito (14.26) e como aquEle que convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo (16.8).

 

   Vários títulos do Espírito Santo podem ser encontrados nas Epístolas: “o Espírito de santificação” (Rm 8.2); “o Espírito de adoção de filhos” (Rm 8.15); o “Espírito Santo da promessa” (Ef 1.13); “o Espírito eterno” (Hb 9.14); “o Espírito da graça” (Hb 10.29); e “o Espírito da glória” (1 Pe 4.14).

  

2. Símbolos do Espírito Santo 

 

Os símbolos oferecem quadros concretos de coisas abstratas, tais como a terceira Pessoa da Trindade. Os símbolos do Espírito Santo também são arquétipos. Em literatura, arquétipo é uma personagem, tema ou símbolo comum a várias culturas e épocas. Em todos os lugares, o vento representa forças poderosas, porém invisíveis; a água límpida que flui representa o poder e refrigério sustentador da vida a todos que têm sede, física ou espiritual; o fogo representa uma força purificadora (como na purificação de minérios) ou destruidora (freqüentemente citada no juízo). Tais símbolos representam realidades intangíveis, porém genuínas. 

 

Vento. A palavra hebraica ruach tem amplo alcance semântico. Pode significar “sopro”, “espírito” ou “vento”. É empregada em paralelo com nephesh. O significado básico de nephesh é “ser vivente”, ou seja, tudo tem fôlego. A partir daí, seu alcance semântico desenvolve-se a ponto de referir-se a quase todos os aspectos emocionais e espirituais do ser humano vivente. Ruach adota parte do alcance semântico de nephesh. Por isso, em Ezequiel 37.5-10, achamos ruach traduzido como “espírito”, ao passo que, em 37.14, Yahweh explica que porá em Israel o seu Espírito.

 

Água. A água, assim como o fôlego, é necessária ao sustento da vida. Jesus prometeu rios de água viva, “e isso disse ele do Espírito” (Jo 7.39). O fôlego e a água, tão vitais na hierarquia das necessidades físicas humanas, são igualmente vitais no âmbito do Espírito. Sem o fôlego vivificante e as águas vivas do Espírito Santo, nossa vida espiritual não demoraria a murchar e a ficar sufocada. A pessoa que se deleita na Lei (heb. torah _ “instrução”) de Yahweh e nela medita de dia e de noite é “como a árvore plantada junta a ribeiros de águas… cujas folhas não caem” (Sl 1.3). O Espírito da Verdade flui da Palavra como águas vivas, que sustentam e refrigeram o crente e revestem de poder. 

 

Fogo. O aspecto purificador do fogo é refletido claramente em Atos 2. Ao passo que uma brasa tirada do altar purifica os lábios de Isaías (6.6, 7), no dia de Pentecostes são “línguas de fogo” que marcam a vinda do Espírito (At 2.3). Esse símbolo é empregado uma só vez para retratar o batismo no Espírito Santo. O aspecto mais amplo do fogo como elemento purificador encontra-se no pronunciamento — ou profecia — de João Batista: “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará” (Mt 3.11, 12; ver também Lc 3.16, 17).

 

As palavras de João Batista aplicam-se mais diretamente à separação entre o povo de Deus e os que têm rejeitado a Ele e ao Messias. Os o rejeitaram serão condenados ao fogo do juízo. Por outro lado, o fogo ardente e purificador do Espírito da Santidade também operam no crente (1Ts 5.19).

 

Óleo. Pedro, em seu sermão diante de Cornélio, declara: “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude” (At 10.38). Citando Isaías 61.1, 2, Jesus proclama: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres” (Lc 4.18). Desde os primórdios, o azeite é usado primeiramente para ungir os sacerdotes de Yahewh, e depois, os reis e os profetas. O azeite é o símbolo da consagração divina do crente para o serviço no reino de Deus. Em 1 João, os crentes são advertidos a respeito dos anticristos:

 

E vós tendes a unção do Santo e sabeis tudo… E a unção que vós recebestes dele fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis (1Jo 2.20, 27).

 

Receber a unção do Espírito da Verdade, que faz brotar rios de águas vivas no mais íntimo do nosso ser reveste-nos de poder para servir a Deus. Na simbologia do Espírito Santo, a água e o óleo (azeite da unção) realmente se misturam!

 

Pomba. O Espírito Santo desceu sobre Jesus na forma de uma pomba, segundo o relato dos quatro evangelhos. A pomba é arquétipo da mansidão e da paz. O Espírito Santo habita em nós. Ele não toma posse de nós, mas nos liga a si mesmo com amor, em contraste às correntes dos hábitos pecaminosos. Ele é manso e, nas tempestades da vida, produz paz. Mesmo ao lidar com os pecadores, Ele é suave, conforme se vê quando conclama a humanidade à vida, no belo, porém tristonho apelo que se encontra em Ezequiel 18.30-32: “Vinde e convertei-vos de todas as vossas transgressões com que transgredistes e criai em vós um coração novo e um espírito novo; pois por que razão morreríeis…? Porque não tomo prazer na morte do que morre, diz o Senhor Jeová; convertei-vos, pois, e vivei”.

 

Os títulos e símbolos do Espírito Santo são chaves para o entendimento de sua obra em nosso favor.

 Autor: Mark D. McLean, teólogo e pastor pentecostal norte-americano. Trecho da obra: HORTON, S. M. Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.   

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