O Cristianismo anti-Ortodoxia

dezembro 28, 2007 at 5:47 pm Deixe um comentário

       

Se não tornarmos clara nossa posição, com palavras e obras, em favor da verdade e contra as falsas doutrinas, estaremos edificando um muro entre a próxima geração e o evangelho.(Francis Schaeffer)

A questão não é se uma doutrina é bela, mas se ela é verdadeira. (Anônimo)

Não, essa não é uma crítica as doutrinas ou práticas dos neopentecostais. O artigo quer alertar para um movimento crescente no meio evangélico da atualidade, um cristianismo anti-Ortodoxia. Sendo filha da pós-modernidade, esse movimento tem crescido assustadoramente em meio de pensadores, teólogos e filósofos protestantes. Uma das vítimas dessa nova corrente é a apologética, que foi tão prestigiada pelos teólogos do Século XX, e agora é tachada como ortodoxolatria, gnosticismo cristão, e de modo pejorativo os apologistas são tachados de xiitas cristãos e “busca-dores” da reta doutrina.

Após o Teísmo Aberto ter entrado no Brasil com unhas e dentes, essa teologia trouxe, no seu bojo filosófico, outros pensamentos estranhos ao cristianismo histórico. Para justificar essa corrente que distorce o pensamento bíblico sobre a pessoa de Deus, os promotores resolveram apelar para um debate de cunho emocional. O amor passou a ser visto como algo superior a verdade, a paixão pelos oprimidos passou a ser mais importante que a defesa da doutrina. Ortodoxia passou a ser vista com sinônimo de Religião, que se tornou uma palavra pejorativa na era pós-moderna da espiritualidade.

A ortodoxia hoje é vista como um demônio. Demônio este que separa igrejas, que matas homens, que separa famílias, que causa discriminações e que até crucificou Jesus no Gólgota. O movimento anti-Ortodoxia não vê diferença entre a apologética cristã e os homens-bomba do Talibã islâmico.

Nessa visão de libertação da ortodoxia, é correto afirmar que o Teísmo Aberto no Brasil casou-se com a Teologia da Libertação, como conseqüência, a idéia de associar o cristianismo a libertação das classes oprimidas é muito forte na cabeça de muitos teólogos. Em poucos anos os pensamentos de Gustavo Gutierrez e Leonardo Boff foram ressuscitados por alguns protestantes.

Dentro desse grupo há um resgate da teologia neo-ortodoxa de Karl Barth e liberal de Friedrich Schleiermacher, Paul Tillich, Rudolf Buttman. Em sua fome de combater o “fundamentalismo protestante calvinista norte-americano”, o grupo se volta às vãs filosofias da Alemanha.

No discurso dos apologetas da anti-ortodoxia, o neopentecostalismo e o fundamentalismo protestante, assim como o evangelicalismo reformado são colocados em um mesmo saco: o saco da ignorância e da opressão religiosa. Defender algumas doutrinas bíblicas passou a ser vista com a defesa de uma linha de pensamento: o calvinismo. Mas aceitar as doutrinas da onisciência, soberania, onipotência, imutabilidade de Deus, não é prerrogativa calvinista ou arminiana, mas de todos aqueles que baseiam suas crenças na infalível Palavra de Deus.

A ortodoxia generosa faz jus ao nome, pois busca um deus e uma teologia, politicamente correta. Essa “nova teologia” é baseada no sentimento de liberdade apregoado por teólogos, que apesar de terem o nome de cristãos, nunca mostraram o valor pela salvação eterna em Cristo Jesus. Os defensores da anti-ortodoxia tem muita base filosófica e teológica para os seus argumentos, mas dificilmente podem defender esse ponto de vista por meio da Bíblia, principalmente pelas cartas paulinas e joaninas, que são tratados apaixonados pela verdade.

Amor e Verdade

Seria o amor maior do que a verdade? Biblicamente a resposta é não! João, conhecido como o apóstolo do amor, escreveu uma carta a “senhora eleita”, e disse: “Por amor da verdade que está em nós… Muito me alegro por achar que alguns de teus filhos andam na verdade” (v. 2 e 4) O amor não despreza a verdade e a verdade bíblica não despreza o amor. Isso é um princípio bíblico. Muitos separam amor, obediência e apreço pela verdade; mas na segunda missiva de João, fica claro que essas três palavras são inseparáveis. Como afirmou o Dr. Augustus Nicodemus: “Essa acusação reflete o sentimento pluralista e relativista que permeia a mentalidade evangélica de hoje e que considera todo confronto teológico como ofensivo”. ¹ E como lembra David Limbaugh: “Portanto, até que ponto se amoroso é torna-se cúmplice da destruição da própria verdade, a ponto do esvaziamento do próprio evangelho? Ser sensível é ajudar as pessoas a se afastarem do caminho da vida?”²

Quando mais uma pessoa conhece a verdade bíblica, mas ele será liberta, como disse Jesus: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:32). Por que falar de liberdade jogando fora a ortodoxia? É claro que algumas “verdades” expostas por cristãos equivocados, podem causar neurose em outros cristãos mais frágeis, principalmente no que se refere a uma imagem falsa de Deus ou um ensino legalista de vida cristã. Mas como afirmado, isso é fruto de uma compreensão falsa das doutrinas bíblicas, e não produto da ortodoxia.

Seriam a ortodoxia propriedade da burguesia e a heresia as palavras do oprimido? Esse pensamento é fruto de ignorância histórica e da contaminação de uma cosmovisão marxista no cristianismo, pois os grandes hereges nunca foram pequenos. Do ponto de vista de Deus e consequentemente de sua Palavra, os grandes hereges foram bispos e pontífices importantes, fariseus imponentes e saduceus arrogantes. Heresia é uma tentação que não olha classe social ou região geográfica, mas sim deficiência diante da Palavra.

O desejo de ser amoroso é pratico no movimento anti-ortodoxia? A realidade diz que não! Pois há uma pergunta importante aos teólogos da esperança e os profetas da libertação: Onde estão os seus grandes orfanatos, casas de recuperação de drogados e assistência humanitária as prostitutas de rua? Quem tem trazido mais dignidade para muitos moradores de favela ou sertanejos na seca? Seriam as chamadas “comunidades de base” ou muitos pentecostais simples que procuram viver em comunidade prestativa de modo natural?

Metamorfose ambulante

Esse movimento anti-ortodoxia seria muito apreciado por Raul Seixas, pois ele apregoava o desejo de ser uma “metamorfose ambulante”, pois seria muito desagradável “ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Teologia com ortodoxia é velha opinião formada sobre tudo, e isso é abominável para esses neo-ortodoxos. Pois assim como Raul Seixas, esses teólogos bebem do pensamento pós-moderno, que despreza as bases estabelecidas, com diversos argumentos de passividade. Como afirmou o teólogo batista Luiz Sayão:

A idéia da supremacia do fluxo do tempo desemboca na rejeição de outras categorias fixas. A única categoria é o próprio tempo, o novo senhor absoluto. Com esse pressuposto, já não podemos ter teologia e ética definidas e claras. Embora a Bíblia seja um livro de orientações muito cristalinas sobre Deus, a salvação e o propósito da vida (2 Tm 3.16,17; 2 Pe 1.19-21), para muitos evangélicos, a teologia “maluco beleza” é preferível.³

Um deus em processo produz uma teologia em processo, que está em evolução. O fixo, o estável, o certo, o reto são palavrões para uma teologia em metamorfose. A busca pela revolução teológica é constante nesse meio, e apesar das duras críticas aos neopentecostais por parte do movimento anti-ortodoxia, eles são tão pragmáticos em sua doutrina como os promotores de modismos.

A anti-Ortodoxia é um perigo transvertido de poesia e lindas palavras teológicas, onde o teísmo aberto e a teologia da libertação se casaram. Esse Movimento que é filho da pós-modernidade, procura adequar o evangelho aos pensamentos mundanos e as vãs filosofias contemporâneas. A ortodoxia é fruto de reflexão bíblica, onde o sangue de muitos cristãos foi derramado em sua defesa. E que assim a doutrina reta possa assim continuar!

Referências Bibliográficas:

01- NICODEMUS, Augustus. Falta de Amor? O Temporas, O Mores. Disponível em: http:// tempora-mores.blogspot.com/2007/09/falta-de-amor.html. Acesso em: 12/12/2007

02. GEISLER, Norman & TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. São Paulo: Editora Vida, 2006, p. 10.

03- SAYÃO, Luiz. Raul Seixas e a Bíblia. Revista Enfoque Gospel. Edição 64 – NOV / 2006.

Autor: Gutierres Siqueira

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OS AVIVAMENTOS ATRAVÉS DA HISTÓRIA Governo Eclesiástico

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