A Igreja Pentecostal

janeiro 22, 2008 at 3:48 pm 1 comentário

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Antes de me converter nos anos setenta, andei pelos caminhos da contracultura e vivi na Europa de mochila durante seis anos.

Ouvi o Evangelho de um missionário norte-americano que, pacientemente, me visitara na Casa de Detenção de São Paulo. Venho de uma tradição evangélica conservadora. Estudei numa escola bíblica fundamentalista e fui acolhido por uma igreja calvinista. Depois de Lausanne 1974, abracei a Missão Integral e, mais ou menos nessa época, conheci o Dr. Hans Bürki, do Movimento Estudantil, que me introduziu à meditação cristã. Pastoreei comunidades independentes em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.

Nestes últimos trinta anos participei de inúmeros congressos e preguei em diferentes igrejas, ouvi muitos pregadores no Brasil e exterior. Conheci muitos pastores, vi muita novidade importada chegar por aqui, teologias e estratégias.

No entanto, participei de muito pouca coisa de cunho pentecostal. Minha primeira experiência com essa tradição foi desastrosa. Fui a uma reunião em Copacabana na casa de alguém e fiquei assustado com toda aquela gritaria e as profecias que ouvi.

Desde então, acompanho à distância a trajetória desse movimento extraordinário que Deus usa, o movimento cristão que atualmente mais cresce e mais tem visibilidade ao redor do mundo.

Sempre nutri grande respeito e admiração pelo que via e ouvia no movimento pentecostal e carismático mas, apesar de ter amigos pentecostais, prefiro uma liturgia menos barulhenta. Amo o Espírito Santo e dependo dEle, mas sou também crítico quanto às muitas práticas exageradas adotadas pelo movimento neopentecostal, principalmente no que diz respeito a lideranças personalistas, teologia da prosperidade e batalha espiritual.

Assim, pouco participei pessoal e concretamente daquilo que Deus vem realizando através desse despertamento espiritual que teve início em 1901 nos Estados Unidos (Azusa Street) e chegou no Brasil em 1910 em Belém do Pará.

No mês passado, fui convidado, com minha esposa Isabelle, para ser um dos preletores de um congresso de pastores pentecostais aqui no Nordeste. Foi uma experiência maravilhosa conviver durante aqueles dias com centenas de homens e mulheres de diferentes rincões deste Brasil, movidos pelo desejo de se santificar e servir a Deus.

Algumas posturas me chamaram a atenção. Primeiro, o fervor na oração. Havia estudo sério das Escrituras, mas quando o povo era convocado para orar, ouvia-se primeiro um murmúrio em direção a um crescendo de vozes, clamores, choros, alguns de pé, outros ajoelhados, que durava um longo tempo. Orou-se muito pela nação brasileira e pela igreja evangélica, com muito fervor, clamando a Deus por misericórdia e um derramamento do Espírito Santo.

Em segundo, o ardor evangelístico. Todas as ações do Congresso, os estudos bíblicos, as orações, apontavam para a tarefa prioritária e urgente de pregar o Evangelho de Jesus Cristo a todas as criaturas, tanto no Brasil ­ nos grandes centros e em cidades remotas ­ quanto no exterior, em países não alcançados. A missão era a própria razão de ser da igreja. Omissão e comodismo eram vistos como grandes inimigos.

O terceiro aspecto que me chamou a atenção foi a prontidão para servir dos participantes. Gente capacitada, mas pronta para se deslocar para lugares remotos, sem conforto, muitas vezes para zonas de conflitos armados e de epidemias endêmicas. Para o grupo estava claro que a opção de servir a Deus incluía o sacrifício e a renúncia. Ali pouco se falou de bênçãos, mas muito de doação e compromisso.

Finalmente, testemunhei que eles tinham equacionado bem a questão do ministério das mulheres. Nem parecia que estava num país machista como o nosso e numa tradição evangélica de submissão da mulher. Ali, as missionárias, como eram chamadas, tinham a mesma voz e o mesmo ministério que os homens. E juntos, apoiados um no outro, sem competição, expressavam de forma concreta o Reino de Deus.

Saio dessa experiência encorajado. Sei que existe uma igreja pentecostal madura e equilibrada e que está sendo intensamente usada por Deus nesta geração. E cujo fervor na oração, ardor evangelístico, prontidão para servir e reconhecimento do ministério das mulheres são exemplos a serem seguidos por outros movimentos e igrejas no Brasil.

Autor: Osmar Ludovico, colunista da Revista Enfoque Gospel. Artigo publicado na edição de número 76.

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Cuidado com os animadores de auditório! Chega de promessa de bênção.

1 Comentário Add your own

  • 1. Victor leonardo  |  janeiro 23, 2008 às 8:06 pm

    Olá irmão Gutierres, parabéns pelo post, a única coisa que discordo desse irmão foi a questão da submissão da mulher… ao que parece o único erro dele( e dos outros pentecostais ali) foi o apoio ao excesso de voz feminina e tentar dizer que a mulher possui os mesmos ministérios que os homens na igreja.

    Abraços e paz do Senhor

    Responder

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