Música GOSPEL: boa ou má influência?

julho 6, 2008 at 2:45 am 1 comentário

A boa ou má influência de alguma coisa depende muito do conteúdo de sua mensagem, do sentido e da consciência de suas propostas ao longo do tempo. É simplista demais dizer “sim” ou “não” sem primeiro investigar cada caso. Em se tratando de diferença de gosto ou de opinião, todo extremismo é, além de pecaminoso, uma temeridade. Como todo equilíbrio é encontrado entre os extremos, vamos fazer algumas ponderações necessárias.

A música dita gospel, nos Estados Unidos, não está isenta dos mesmos questionamentos que são feitos aqui no Brasil. A diferença é que lá gospel é uma dimensão musical que engloba tudo que é evangélico, com todos os estilos. A palavra gospel, em inglês, quer dizer “evangelho, evangélico ou que é relativo ao Evangelho”. A música gospel, nos Estados Unidos, é a música evangélica. Seja em qual ritmo ou estilo venha ter. O Grammy, a versão norte-americana do Oscar da música, é concedido igualmente à música evangélica. No Brasil, além de assumir o sentido de música mais atualizada quanto aos ritmos populares, o gospel é diferenciado radicalmente dos outros estilos de músicas evangélicas, como se estes fossem coisas excludentes ou antagônicas.

REVOLUÇÃO

No Brasil, nestes últimos 15 anos, houve uma completa revolução na música evangélica. Não é para menos que tenha causado tantos constrangimentos e levantado imensas oposições. O novo tem essa característica de chocar o status quo. Com o surgimento dos grupos e bandas, dos novos estilos musicais, da atualização dos ritmos, formou-se um coquetel explosivo que azedou as relações entre o velho e o novo na vida da igreja. Esqueceu-se que o velho e novo não são necessariamente a prioridade de Deus, mas sim aquilo que o velho entendimento e no novo tem o valor, a dignidade e a consistência do eterno.

O conflito de gerações cegou os entendimentos para aquilo que precisava ser reciclado no velho e corrigido no novo. E ambos se encastelaram em suas posições contraditórias. A música dita gospel ficou sendo encarada pelos mais conservadores como “coisa de jovens” e a música mais antiga atendida pelos jovens como “velharia”. Duas posições extremas roubando de cada um lado a possibilidade de aprendizado e reciclagem. Na verdade, só Deus sabe o que se perdeu com isso!

Não seria possível um grupo tipo o Rebenhão cantando “Um roque pra Jesus” não chocar. Acostumados com um tipo de música mais soft, isso parecia uma afronta. Durante décadas, estivemos ligados a grandes cantores e grupos bem comportados com estilos musicais já consagrados, voltados unicamente para o público evangélico, algo de consumo interno. No início da década dos oitenta, no entanto, uma insatisfação perpassava o coração de vários grupos musicais em diversas partes do país, principalmente no eixo Rio – São Paulo. Eles queriam fazer o casamento da mensagem do Evangelho com uma música mais atualizada, que tanto pudesse servir para consumo interno como também tivesse seu espaço fora da igreja, de forma que pudesse ser aceita e entendida por quem não freqüentava os templos. Isso só seria possível com uma atualização musical que tomasse emprestada ritmos já consagrados fora do ambiente evangélico. Por isso, afirmavam, tiveram que usar o rock, o reggae, o samba, o blues e outros ritmos populares. Juntando-se a esses ritmos uma mensagem divina, diziam, seria possível atingir o coração das pessoas. Os mais tradicionais acharam esse “casamento” uma paganização da música evangélica pelo simples fato de que seria, além de mundano, inventado pelo Diabo.

Ora, quem teria razão? Quem inventou os ritmos, Deus ou o Diabo? A bem da verdade, nem Deus nem o Diabo. O ser humano, esse sim, é o inventor dos ritmos. Isso faz parte da cultura humana. O gênero humano é o único que pode produzir cultura. Deus fez o homem assim à sua imagem e semelhança, e este demonstra isto de certa forma “gerando” ritmos e “criando” música. Deus e o Diabo fazem uma coisa: podem usar o homem e a sua música. Os ritmos não são o principal problema, mas o conteúdo na mensagem que eles carregam.

GOSTO PESSOAL

Normalmente, as pessoas tendem a confundir o seu gosto pessoal com o gosto que agrada a Deus. Quem gosta de música lenta, por questão de temperamento ou necessidade de meditação, sente-se confortado com uma música mais leve, mais soft, que a faz sentir a “alma mais leve”, e define o estado emocional de sua alma como o resultado da presença de Deus. Pode ser verdade, mas pode não ser. Pode ser também apenas o resultado da emotividade latente despertada pela música. Alguém pode estar num culto, sentir toda a emoção possível gerada por esse tipo de música, e sair perdido da mesma maneira que entrou. O mesmo sentimento equivocado pode estar no coração exuberante de um roqueiro, que pensa estar Deus presente na agitação do seu ritmo esfuziante.

A evolução dos ritmos e a diversificação dos gostos musicais são dois processos que põem em questão o conceito tradicional de música sacra. Durante séculos, a definição de música sacra esteve restrita ao canto gregoriano e outros tipos musicais monásticos. Com o passar dos anos, ritmos “pagãos” menos contundentes, como músicas tradicionais folclóricas em alguns países, valsa, marcha, bolero, fox, blues etc., antes tidos no âmbito das igrejas como mundanos e de inspiração satânica, passaram a integrar o repertório da música cristã autêntica. O exemplo mais conhecido dessa migração ocorreu com o conhecidíssimo hino Grandioso é tu, que o evangelista Billy Graham importou do folclore russo, mas que hoje é tido apenas como inspirado por Deus.

A rejeição de ritmos populares sempre existiu. Entretanto, a geração posterior à que os condenou se encarregou de sacralizá-los, expurgando deles as mensagens de conteúdo danoso e enxertando a poetização dos dogmas cristãos. A diferença não estava no ritmo, qualquer que fosse, mas na mensagem; aquilo que foi confiante para outras gerações na História do Cristianismo, guardadas as devidas proporções, é de certa forma conflitante para a nossa geração. Os ritmos é que são outros. A continuar o mesmo curso da história, esta geração dos ritmos alucinantes, daqui a alguns anos, vai defenestrar (a exemplo dos mais tradicionais de hoje) outros ritmos que, para eles, serão avançados demais. A história, nesse caso, se repetirá mais uma vez.

Para cada estado da alma haverá sempre um ritmo que lhe adeqüe. Mas isto não pode ser confundido com a presença ou ausência de Deus. Assim como “a ira do homem não produz a justiça de Deus”, o gosto das pessoas não poderá determinar a sua presença. Poderá, na melhor das hipóteses, permitir ao adorador mais sensibilidade para identificar a presença sempre constante do Altíssimo.

LOUVOR

Uma leitura despretensiosa do Salmo 150 perceberá a intenção do salmista quanto à maneira correta de louvar a Deus, além de sugerir os ritmos apropriados. Primeiro, ele indica que o espaço para louvar a Deus é o Cosmos, ou seja, em qualquer lugar, num templo ou fora dele (v.1). Segundo, ele indica a motivação correta desse louvor naquilo que Deus é e realiza (v.2) – não aquilo que sentimos ou deixamos de sentir. Por último, indica além da expressão corporal tão criticada em nossos dias (danças), três categorias de instrumentos musicais existentes na época: cordas, sopro e percussão (v.3). Uma sábia conjunção desses instrumentos poderá, sem dúvida, produzir os mais variados tipos de ritmos. Isto no mínimo é uma lição histórica de que ritmos podem ser santificados e usados com santificação. A mensagem é que não poderia deixar de ser verdadeira e inspirada em Deus e por Ele. O ritmo ficaria ao gosto do adorador. Nesse caso, um simples pandeiro poderia abalar o céu tanto quanto uma flauta doce.

Isto também ajuda a definir aquilo que poderia ser chamado de música sacra. Sacro é algo que é aceito como adoração pelo Deus santo e santificador. Não aquilo que é lento ou soft, mas aquilo que é inspirado e santificado por Deus. Uma pergunta que merece uma boa resposta: o mesmo Deus que promete redimir toda a natureza, não poderia redimir e santificar um ritmo?

Por, Benjamin Lima Souza – Ministro do Evangelho (Londres – Inglaterra).
Mensageiro da Paz (CPAD) – 1999

 

 

 

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Seitas que usurpam o Espírito Teologia da Batalha Espiritual

1 Comentário Add your own

  • 1. Mariza  |  agosto 26, 2008 às 2:20 am

    Nossa…muito bom esse documentário sobre a mudança de ritmo musical,vc esta certinho no seu entendimento…é isso mesmo mudança de tempos,temos que andar pra frente senão os jovens ficam para tras,obrigado irmão.

    Responder

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