Fé Razão e Sentimentos

Devemos empregar o melhor de nossa razão para conhecer quais são as verdadeiras Escrituras canônicas, para expandir o texto para traduzi-lo verdadeiramente, para agregar inferências exatas e justas das declarações das Escrituras, e então aplicar tudo isso em questões de doutrina e adoração.                                        
                                                                                      Richard Baxter – líder puritano
Em nossa revolta contra a razão, mudamos a “fé de uma vez por toda confiada aos santos” (Jd 3) e fracassamos em nos preparar para defender essa fé.

Embora a razão, a lógica e o pensamento crítico não sejam nossas únicas ferramentas, sem eles somos inclinados a interpretar erroneamente a palavra de Deus, possuindo zelo sem conhecimento e utilizando de modo equivocado os dons celestiais.

Ondas de romantismo, relativismo e individualismo têm desencadeado uma ênfase crescente no sentimento em prejuízo do pensamento, na emoção em detrimento da doutrina e na experiência em detrimento do intelecto.   

Onde quer que esses valores encontrem adeptos,encontram-nos à custa de se atirarem fora os lemes da razão. Conseqüentemente, isso leva muitos cristãos às correntes da desobediência, para dentro do grande mar da subjetividade, onde nuvens carregadas de misticismo ditam a jornada espiritual.
                                    
Quando isso ocorre, ventos turbulentos de meias verdades sopram, empurrando os náufragos indefesos contra os penhascos violentos da confusão e da espiritualidade insensata.

É uma pena que tão poucos autores pentecostais- carismáticos  escrevam sobre a a natureza e os perigos do misticismo e da intuição subjetiva.

Com essa lacuna, parecemos dizer que o problema é raro em nosso meio ou que é comum, todavia insignificante. O misticismo é, de maneira geral, o modo de julgar a verdade e a realidade por meio de sentimentos, impressões e experiências pessoais, formulando assim a visão de vida e ditando as decisões de alguém.                         

Aqueles que abordam a vida espiritual desse modo freqüentemente assumem “que sabem que sabem” e se colocam acima do escrutínio da razão e dos bons conselhos.
 
Mesmo quando a “verdade” acolhida por eles não é aceita, tendem a questionar a não aceitação ou alterar a “verdade” de modo que se ajuste ao que tem que ser.

Em sua avaliação, a impressão que eles têm apresenta autoridade porque vem de seu interior; e, como vem do interior, deve ter a autoridade do Espírito Santo; e, sendo do Espírito Santo, essa voz não mente.
 
Esse tipo de raciocínio circular não apenas prejudica o testemunho cristão como também causa tremenda dor de cabeça para amigos, familiares e congregações que ficam refém de tais absurdos.

Qualquer um de nós provavelmente consegue se recordar de numerosas ocasiões estranhas que presenciamos de numerosas ocasiões estranhas que presenciamos como resultado de fortes impressões questionáveis, intuição pessoal e vozes interiores. Isso mostra o tipo de loucura que pode ocorrer quando se descarta a razão.

Não podemos esquecer também, das multidões que se sentem firmemente guiadas por Deus a determinada igreja, mas que, convenientemente, não se envolvem com ela e se sentem à vontade para ir para outra igreja poucas semanas depois.                                                                    

É de vital importância crermos que o Espírito Santo ainda fala ao corpo de Cristo e que o direcionamento pessoal é  um dos métodos pelo qual Deus dirige seus filhos. Há algo de errado conosco se não nos alegrarmos diante do pensamento de sermos conduzidos pelo Espírito de Deus.

Entretanto, há também algo de errado se rejeitamos nossa razão, confundindo cada firme opinião interna com a voz de Deus, fundamentando assim nosso sistema de crença em fenômenos sobrenaturais ininterruptos (reais ou imaginários).   

Certamente devemos estar abertos a acontecimentos extraordinários, mas devemos acreditar apenas no que é claramente ensinado nas Escrituras.

Teste cada espírito, avalie todas as coisas, e, evite todas as formas de ser diferente, porque na maioria das vezes isso é mera vaidade.                                             

Precisamos ser cuidadosos para não seguir toda unção interior (especialmente quando essa é egoísta), não nos inclinarmos a buscar sinais e maravilhas e não nos desvencilharmos da lógica e da razão como se elas fossem inimigas do sobrenatural.

Os dois grandes extremos entre os quais devemos operar são o ato de apagar o Espírito por um lado e o sensacionalismo pelo outro.

Devemos conhecer nossas próprias fraquezas e tendências a fim de trazer equilíbrio para nossa vida espiritual. Sem estar aberto a outras visões e sem honestidade diante dos próprios preconceitos, uma pessoa nunca conseguirá descobrir tal equilíbrio.                     

Há muito trabalho a ser feito a fim de dar assistência adequada aos seguidores do Evangelho, para que tenham uma vida plenamente consciente e correta em uma sociedade tão enganadora e confusa.

Um dos primeiros passos para se atingir esse objetivo é ajudar nosso povo a perceber que razão e fé não são inimigas mortais, ensinando-os também a limitar suas convicções doutrinárias ao campo dos ensinamentos bíblicos explícitos.

Autor: Rick Nañez é pastor assembleiano (EUA) e missionário no Equador.

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Do livro- Pentecostal de Coração e Mente – Um chamado ao dom divino do intelecto.              
Título original- Full Gospel, fractured minds? 
Autor- Rick Nañez – Editora Vida, 2007.

Fonte: Ictrindade.com.br

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setembro 7, 2008 at 1:02 am 3 comentários

Escatologia Apocalíptica e Pentecostalismo

A importância do Milênio de João para a Igreja de hoje

O que motivou o reavivamento pentecostal no início do século 20? Nada foi mais importante do que o novo foco em Jesus como Salvador, batizador no Espírito Santo, curador e Rei vindouro. Com isso veio um novo entendimento da promessa de Joel que Pedro citou no Dia de Pentecostes: “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos”, Atos 2.17. A explosão pentecostal na missão da rua Azuza, em Los Angeles, Califórnia, trouxe ali pessoas de todas as partes do mundo e as enviou em todas as direções como testemunhas habilitadas pelos Espírito Santo à difusão do Evangelho.

Pedro inspirado pelo Espírito interpretou o “depois” (Joel 2.28) como significando “nos últimos dias”. Deste modo, a maioria dos pentecostais primitivos acreditavam que a recente efusão do Espírito Santo estava anunciando os “últimos dias”. Isso coloca uma nova ênfase na profecia bíblica e especialmente no livro de Apocalipse com sua figura culminante do retorno de Cristo em triunfo e os mil anos de governo a seguir. A promessa do retorno do Senhor ajudou a estimular os pentecostais a se tornarem missionários, levando o Evangelho o mais rápido possível ao maior número de pessoas possível. O resultado tem sido a maior expansão do Evangelho desde os primeiros séculos da Igreja.

Algumas das igrejas do século 19 colocaram sua esperança na escatologia pós-milenista, a qual acreditava que a Igreja poderia influenciar nas bênçãos mileniais e ganhar o mundo para Cristo. Eles acreditavam que nesse tempo seriam capazes de mudar a direção das nações ao redor para Jesus sem quaisquer dos catastróficos eventos mencionados no livro de Apocalipse. Esses eventos foram espiritualizados, aplicados ao fim do primeiro século ou ignorados. Mas com o crescimento evidente da influência satânica e as desafiantes trevas do mundo fazendo frente à influência cristã, muitos voltaram ao pre-milenialismo.

Os pentecostais primitivos estavam plenamente convencidos das verdades da teologia pre-milenialista. A renovada ênfase teológica na significativa interpretação da Bíblia também marcou o reavivamento pentecostal. Eles reconheceram que a escatologia apocalíptica por meio do uso da linguagem figurativa poderia ser cumprida em eventos reais da História. Eles foram inspirados pela bendita esperança do retorno de Jesus Cristo e seu reino milenial. “Sinais dos tempos” que correspondiam a eventos profetizados na Bíblia os encorajavam a acreditar que Jesus estava vindo.

Agora que temos entrado em novo século, o que deveria significar para nós hoje o retorno de Jesus e seu reino milenial? Primeiro, devemos manter em mente que a totalidade da Bíblia tem um olhar para frente. De Gênesis a Apocalipse encontramos nela promessas e profecias que mantém o povo de Deus olhando à frente, para o que Deus irá fazer. O Antigo Testamento olha à frente, para a Primeira e a Segunda Vinda de nosso Senhor Jesus. O Novo Testamento declara o propósito e validade de sua Primeira Vinda. Isso nos dá a garantia de que o cumprimento dessas profecias na vida, morte e ressurreição de Jesus mostra-nos que a vontade de Deus será fiel para cumprir as profecias da Segunda Vinda. A ressurreição dos crentes, o futuro reino milenial e os novos céus e nova Terra com a Nova Jerusalém serão consumados pelo mesmo Deus fiel.

Essa esperança é a esperança certa, a esperança de que podemos depender. Conforme lemos em Romanos 15.13, “Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo”. Deste modo, nossa esperança é certa porque o Deus de esperança nos guiará nessa condição. É impossível para Ele mentir (Hebreus 6.17-18). Isso é chamado “a esperança” simplesmente porque ela ainda não tem se cumprido (Romanos 8.24-25). Ela é feita real em nossos corações pelo imenso poder (do grego, dunamei) do Espírito Santo. Verdadeiramente, essa esperança é “uma ancora para a alma, firme e segura” (Hebreus 6.19).

Como os anjos disseram aos crentes na ascensão de Cristo: “Os quais lhes disseram: Varões galileus, porque estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o viste ir”, Atos 1.11. Então, deveremos ser como os tessalonicenses que se converteram dos ídolos a Deus, “para servir aos Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura”, (1 Tessalonicenses 1.9-10).

Jesus confirmou essa esperança aos seus discípulos na última ceia, quando ele mesmo disse: “E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide até aquele dia em que o beba de novo convosco no reino de meu Pai”, Mateus 26.29. Esse “dia” é o profetizado dia do Senhor que trará consigo tanto julgamento quanto restauração. Esse “fruto” é o fruto da vinha que cresceu na terra. E “aquele dia” e o “Reino do Pai” deverão ser na Terra – o reino milenial profetizado por João.

Os crentes comprados pelo sangue serão apresentados em um inalterável alto grau de relacionamento com Jesus de sorte a tomar parte no seu reino milenial. Isso tomará lugar na Ceia das Bodas do cordeiro. Jesus é o noivo que Paulo tinha em mente quando escreveu aos crentes de Corinto: “Porque eu estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo”, 1 Coríntios 11.2. O livro de Apocalipse chama atenção para a noiva que fez a si mesma pronta e a quem foi dado que vestisse linho fino, puro e resplandecente (19.7-8). Os exércitos celestiais que seguem Jesus em cavalos brancos (simbolizando triunfo) estão vestidos de linho fino, branco e puro (Apocalipse 19.14), identificando-os claramente com a Noiva do Cordeiro (a Igreja), que toma parte na Ceia das Bodas do Cordeiro (Apocalipse 19.6-9). 1 Esses exércitos estão com Jesus quando ele toma o controle e estabelece o milênio de paz e bênção – o reino milenial. Eles irão cantar um novo cântico de redenção e serão feitos “reino e sacerdotes para servir ao nosso Deus, e eles reinarão sobre a terra”, Apocalipse 5.10.

Apocalipse capítulo 20 é o único lugar que menciona o tempo do reino como de mil anos, especificamente. A referência bíblica nesse capítulo é primariamente ao julgamento de Satanás, que toma lugar em dois estágios: primeiro, mil anos de aprisionamento, então, após um breve período de soltura, seu eterno julgamento que será no Lago de Fogo. Entre esses dois estágios, os santos (que são os crentes nascidos de novo) reinarão com Cristo nos mil anos de seu reino milenial. A repetição do número mil (seis vezes) parece enfatizar que esse é o atual número de anos e que devem ser tomados literalmente. 2

A esperança de um milênio literal refletiu-se nos escritos de numerosos líderes cristãos que viveram em dias subseqüentes aos dos apóstolos. Nisso incluía-se Papias (60-130dC), Justino Mártir (100-165dC), Irineu (130-202) e Tertuliano (160-330dC). Orígenes (cerca de 185-254), entretanto, foi influenciado pelos pagãos e filósofos judeus, negando qualquer milênio futuro e interpretando o Milênio como sendo a presente Era da Igreja. Logo outros foram interpretando as profecias de modo alegórico, místico e simbólico.

Outra mudança tomou lugar após o império de Constantino fazer do cristianismo a religião oficial do Império Romano. “Os pastores e superintendentes das igrejas não há muito tomavam a posição de servos-líderes. Em vez disso, eles seguiram o modelo do Império Romano. Quando a capital do Império mudou-se de Roma para Constantinopla, essa partida criou um vácuo em Roma, e o bispo de Roma andou nesse vácuo para tomar a liderança política e fazer do seu assento um trono. Grande número dos bispos começaram a procurar nas suas igrejas as bases de poder. A atenção foi logo voltada ao poder e à autoridade terrenos e não na bem-aventurada esperança da Igreja. Como resultado desse processo, nasceu o amilenismo (não há milênio) como negação de qualquer reino futuro na Terra. 3

Essa falsa teologia foi promovida por Jerônimo (347-420) e Agostinho (bispo de Hipona, no norte da África de 396-430). Pela Idade Média os católicos romanos acreditavam que estavam construindo a cidade de Deus (que é a Nova Jerusalém) aqui na Terra. Após a Reforma, protestantes transmitiram o amilenismo para dentro de suas igrejas e espiritualizaram o livro do Apocalipse. Então, no século 18, Daniel Whitby (1638-1726) propagou a teologia pós-milenista que reivindicava que a igreja deveria atravessar mil anos de prosperidade sob o poder do Evangelho antes de Jesus voltar para assumir a direção (responsabilidade). Com o passar do tempo nesse encorajar liberal, Metodistas e Presbiterianos identificaram a erra milenial com a evolução teísta. Isso favoreceu o secularismo e, como resultado, a maioria das denominações perderam membros.

Ao mesmo tempo, existencialistas europeus focaram o humano. A neo-ortodoxia, enquanto buscava corrigir algumas doutrinas ortodoxas, também tratou a Bíblia como mero livro humano. Então, a libertação teológica tratou o Reino de Deus como nada, a não ser uma metáfora focada na política radical e na mudança social.

Havia uma esperança, não obstante. Rumo ao final do século 19, professores da Bíblia ressuscitaram de novo a verdade bíblica do reino milenial. Alguns foram aos extremos do dispensacionalismo, não deixando espaço para manifestações de milagres no presente dia dos dons do Espírito Santo. Mas quando o reavivamento pentecostal emergiu no início do século 20, eles não prestaram atenção às restrições e permitiram ao Espírito Santo restaurar dias como os de Atos dos Apóstolos. Isso foi em dias quando a teologia liberal, que era contrária ao sobrenatural, estava dominando a maioria das denominações na Europa e na América. Os teólogos liberais aguardavam criar o Reino de Deus na Terra por sua própria sabedoria, sem qualquer ajuda de Deus ou do seu Espírito Santo. Muitos deles estavam tomando liberdade com a Bíblia, cortando fora os que eles não gostavam e rejeitando uma visão bíblica linear da História assegurando futuras bênçãos.

Com toda essa história em mente, como podem os crentes pentecostais ter a verdadeira visão bíblica do reino milenial? Eu acredito que há sei pontos-chaves que irão nos apontar a direção certa. 4 São eles: a) Devemos compreender o que entendemos como uma interpretação ou hermenêutica das Escrituras; b) Devemos reconhecer que a amarração de Satanás é ainda futura; c) Devemos reconhecer que a primeira ressurreição é no tempo da Vida de Cristo para arrebatar os crentes; d) Nós devemos reconhecer que o julgamento por Cristo é anterior ao milênio e o Grande Trono Branco é antes do milênio; e) A nação de Israel terá uma restauração espiritual e um lugar no milênio; f) Cristo e os crentes irão “reinar na Terra” por mil anos.

1) Correta interpretação – Isso significa, considerando o texto, não somente fora da passagem imediata, mas também do livro e esse dentro e fora da Bíblia como um todo. Por exemplo, a serpente de Gênesis 3.1 é identificada como animal. Essa era uma serpente literal, mas isso não significa que era somente uma serpente. Quando lemos, vemos que ela era mais que uma serpente, porque tinha uma habilidade que qualquer serpente ordinária não teria. Então, quando vamos a Apocalipse 12.9 e 20.2, vemos a serpente identificada como Diabo ou Satanás. Na Bíblia, como um todo, está claro que somente Deus pode criar. É também claro que Satanás e seus demônios, enquanto existência espiritual, manifestam-se a si mesmos  somente para tomar em possessão algum ser vivente em que haja corpo. Por essa razão Satanás teve de possuir a serpente. 5

Então, é por isso que há muitas passagens com a profecia do retorno literal de Cristo, como por exemplo Hebreus 9.27-28: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez vindo depois o juízo. Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que esperam para salvação. Seu retorno literal para trazer a plenitude de nossa salvação apela para a ressurreição literal, o milênio literal, e o literal governo na Terra. 6

2) De acordo com Apocalipse 20.2, a amarração de Satanás será total. Isso não aconteceu na cruz, como alguns dizem. Satanás ainda está trabalhando naqueles que são desobedientes (Efésios 2.20). Ele tenta embaraçar os cristãos (1 Tessalonicenses 2.18). Se não resistirmos a ele nos tornaremos suas vítimas, porque “o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar”, 1 Pedro 5.8-9.

Alguns dizem que Satanás foi amarrado pelo edito de Constantino que para com a perseguição aos cristãos. Mas a perseguição continuou a vir através dos séculos desde então, para não mencionar o que a Igreja Católica Romana fez com os verdadeiros crentes. Muitos amilenialistas têm suposto que o amarrar de Satanás é agora, efetivamente mantendo-o sem enganar as nações. Mas qual nação é livre da decepção satânica hoje? O amarrar final de Satanás será ainda no futuro, e somente um anjo enviado por Deus irá amarrá-lo e lançá-lo no abismo por mil anos. Ele não será capaz de enganar a ninguém durante o milênio.

3) Também fomos levados a considerar nós mesmos “mortos ao pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6.11). Isso não nega a promessa da ressurreição futura do corpo (1 Coríntios 15). Apocalipse 20.4 fala de dois grupos. O primeiro grupo sentado no trono e julgando – nele se inclui os crentes fiéis da Era da Igreja (Apocalipse 3.21-22; 1 João 5.4). Entre eles, como Jesus prometeu, estão os doze apóstolos julgando as doze tribos de Israel (Lucas 22.30). Israel restaurado, purificado, cheio do Espírito Santo de Deus, irá indubitavelmente ocupar toda terra prometida a Abraão (Gênesis 15.18) e será com a Igreja parte de um povo de Deus.

O segundo grupo são as almas que “vieram à vida” e esses dois grupos simultaneamente “reinarão com Cristo por mil anos”. Essas almas que vieram à vida referem-se a ressurreição do corpo, e não à ressurreição espiritual, é claro, “mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram” (Apocalipse 20.5).

“A primeira ressurreição” (Apocalipse 20.5) inclui os dois grupos mencionados no versículo 4. Eles são os únicos que fizeram o que o bom Deus intencionava que fizessem (o que inclui acreditar em Jesus como Senhor e Salvador). O restante dos mortos são aqueles que tinham feito maldade e que serão trazidos perante julgamento do Grande Trono Branco (João 5.29). Veja também 1 Coríntios 15.20-23, onde a Bíblia compara a primeira ressurreição com a ceifa – Cristo, a primícia, e o restante da colheita na sua Vinda para encontrar-nos no ar, e a respiga sendo aqueles martirizados durante o período da Tribulação.

4) O Pai deu a Jesus autoridade para julgar (João 5.27-29). Então todos os crentes virão antes ao Tribunal de Cristo (2 Coríntios 5.27-29). Aqueles que corresponderam às responsabilidades, Deus lhes fará ouvirem: “Bem está, servo bom e fiel”, Mateus 25.21-23. Eles serão “encarregados de muitas coisas” e irão gozar da alegria de Cristo durante o milênio e nos Novos Céus e Nova Terra.

5) Ainda que o Antigo e Novo Testamentos mostrem que os gentios irão gozando as bênçãos futura do reino milenial com Israel, Deus irá cumprir suas promessas especiais a Israel. Ezequiel capítulos 36 e 37 declara que Deus irá restaurar a Israel ainda que este tenha profanado seu nome. Ezequiel 36 indica que os judeus retornam à sua terra em incredulidade, Deus irá produzir a restauração espiritual. Ele não os tem rejeitado (Romanos 11.2).

6) Não devemos espiritualizar a singela declaração de que Cristo  irá reinar “na Terra” durante o milênio. O anjo que atou Satanás descerá do céu e após o milênio soltará Satanás, que “sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da Terra”, (Apocalipse 20.7-8). Claramente, o reino de Cristo será nessa Terra. “Ele dominará de mar a mar, e desde o rio (Eufrates) até as extremidades da terra”, Salmo 72.8 e Zacarias 9.10. A promessa a Abraão foi somente do Rio Eufrates até o Rio do Egito. Mas o Reino de Jesus será universal sobre toda a Terra.

As profecias do Antigo Testamento confirmam isso. A visão de Daniel do reino descreve-o como pedra que “feriu a estátua, se fez um grande monte, e encheu toda a terra (…) E esmiuçará e consumirá todos estes; reinos, e será estabelecido para sempre”, Daniel 2.35,44. O reino será recebido pelo Filho do Homem após os reinos desse mundo serem destruídos (Daniel 7.11-26 e Zacarias 3.8-9).

Que bênção será compartilhar com nosso Senhor Jesus Cristo a paz milenial e a retidão (Isaías 14.7-8; 35.1-2; 6-7; 51.3; 55.12-13; Salmo 96.11-13; 98.7-9 e Romanos 8.18-23). Deus irá transformar o mundo animal também (Isaías 11.6-8; 65.25 e Ezequiel 34.25).

Claramente, o reino milenial não virá por meio de uma reforma social ou representação humana. Deus trará isso. A segurança do júbilo futuro do reino milenial é algo que deve nos manter esperando pelo retorno de Jesus. Ainda que através Dele venha o julgamento, o melhor ainda virá.

Stanley M. Horton (Th.D) é professor emérito do Seminário Teológico das Assembléias de Deus. Autor de diversos livros publicados pela CPAD.

julho 6, 2008 at 2:58 am 2 comentários

Teologia da Batalha Espiritual

Uma análise dos erros e acertos do ensino que tem criado muitas dúvidas entre os membros das igrejas evangélicas

Análise do tema Batalha Espiritual, aqui, enfoca o conjunto de crenças e práticas neopentecostais, mas que vem alcançando espaço em nosso arraial. São inovações provenientes de várias fontes: erros de interpretação de textos bíblicos, experiências pessoais e revelações de origem estranha. Trata-se de distorção doutrinária que está muito em voga na mídia evangélica e que, nos últimos anos, vem recebendo aceitação de muitos líderes desavisados.

REALIDADE DA BATALHA ESPIRITUAL

É verdade que no trabalho da pregação do Evangelho ocorrem muitos fenômenos inexplicáveis. Reconhecemos que os demônios existem. Eles são reais e manifestam-se de várias maneiras, principalmente nas pessoas possessas. Tais espíritos precisam ser expulsos. É verdade, que oração e jejum são indispensáveis e muito importantes na vida do crente, principalmente, quando se encontra numa situação dessa. Esses fatos são atestados nos Evangelhos (Mateus 12.22; 17.19-21).

Antes de sair a campo para evangelização, devemos orar, pedindo a Deus que prepare o campo para a semeadura. Oração e jejum por uma cidade ou um bairro a serem evangelizados são como tropas de artilharia, que primeiro destrói a fortaleza do inimigo, como na guerra, destruindo pontes, aeroportos, rodovias, centrais elétricas, emissoras de rádio e televisão, para que depois as tropas de infantaria possam completar o trabalho.

No plano espiritual há muita semelhança (2Coríntios 10.4). Orar, também, para que o Espírito Santo prepare cada coração para ouvir o Evangelho é muito importante, porque é o próprio Espírito quem convence o homem do pecado (João 16.8).

A batalha espiritual é, portanto, um tema bíblico: “porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”, Efésios 6.12.

Nessa anáfora, a preposição pros, “contra”, é usada cinco vezes para reforçar a idéia de que a esfera principal de atuação do Príncipe das Trevas não é apenas como muitos pensam: na prostituição e no crime, mas principalmente no reino das religiões, religiões falsas etc. É uma batalha espiritual.

Na versão Revista e Corrigida, a tradução de kosmokratoras tou skotous por “príncipes das trevas” é mais precisa. Segundo o dicionário de Horst Balz e Gerhard Schneider, o referido termo significa: “…Senhor do mundo”. À margem da Bíblia, o termo serve para designar os deuses que regem o mundo (Hélios, Zeus, Hermes), e também os seres espirituais ‘cósmicos’ (os planetas)” 1. Os termos entre parênteses são partes da obra citada. Esse conceito está dentro do pensamento paulino nessa passagem.

Nesse aspecto, a teologia da batalha espiritual está de acordo com as Escrituras Sagradas. Os fatos estão registrados na Bíblia e nenhum cristão ousa negar essa realidade. Mas, a interpretação desses fatos apresentada pelos teólogos da batalha espiritual torna-os mais próximo do esoterismo e do ocultismo do que dos pentecostais. Isso envolve a doutrina da maldição hereditária, dos espíritos territoriais, e a idéia de expulsar demônios dos próprios crentes em Jesus.

MALDIÇÃO HEREDITÁRIA

Os expositores dessa doutrina afirmam que seus ensinos têm apoio bíblico e pinçam a Bíblia em busca de versículos aqui e acolá na tentativa de consubstanciar as novidades apresentadas ao povo. Marilyn Hickey é a principal promotora da referida doutrina, também conhecida como maldição de família. A doutrina resume-se nisso: se alguém têm problemas com adultério, pornografia, divórcio, alcoolismo, tendência suicida é porque alguém de sua família, no passado – não importa se avós, bisavós, tataravôs – teve esse problema.

Segundo essa doutrina, a pessoa afetada pela maldição hereditária deve, em primeiro lugar, descobrir em que geração seus ancestrais deram lugar ao Diabo. Uma vez descoberta a tal geração, pede-se perdão por ela, e dessa forma, a maldição de família será desfeita. Uma espécie de perdão por procuração, muito parecido com o batismo pelos mortos, praticado pelos mórmons.

Seu livro intitulado Quebre a Cadeia da Maldição Hereditária, publicado no Brasil, pela Adhonep, em 1988, mostra que seus argumentos são baseados essencialmente em experiências humanas e em perversões exegéticas.

A autora procura fundamentar suas idéias da maldição de família nos problemas de origem espiritual da dinastia de Herodes. Quer provar que a natureza perversa e desnatural de Herodes, o Grande, foi passado de pai para filho. Segundo ela, todos os seus descendentes foram afetados pelo pecado do pai 2.

Será que isso prova a doutrina da maldição de família? A resposta é não! Caim e Abel eram filhos dos mesmos pais, receberam a mesma educação religiosa; entretanto, um era fiel, e o outro ímpio (1João 3.12). O que dizer de Jacó e Esaú, irmãos gêmeos, educados num mesmo lar. Um tornou-se crente e o outro profano (Malaquias 1.2 e Hebreus 12.16-17). Não existe na Bíblia registro de profeta ou apóstolo praticando ou ensinando a inovação defendida aqui pela autora, para quebrar a maldição de Caim, nem de Cão e nem de Esaú.

É óbvio que o ambiente em que vivem os filhos influencia muito na formação moral, psicológica e espiritual deles (Jeremias 13.23). É perfeitamente normal que as características dos pais passem para os filhos, tanto pelo convívio como pela hereditariedade genética e, também, espiritual. Assim, o exemplo da dinastia de Herodes, citado na referida obra, não se reveste de peso, é inconsistente, porque conseqüência genética e natural. Além disso, a dinastia de Herodes era uma família ímpia que não se converteu ao cristianismo. Colocar uma situação dessa como defesa da maldição hereditária é uma camisa-de-força.

A Bíblia ensina que a maldição dos pais não vai além da quarta geração: “Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem”, Êxodo 20.5.

Esse texto muito conhecido é o segundo mandamento do Decálogo. Interessante que essa passagem é contra a idéia da senhora Hickey, no entanto, ela mesma usou a referida passagem para dar consistência bíblica a sua doutrina.

Vinculando de maneira aleatória, o segundo mandamento do Decálogo ao relato de Cão, descendente de Noé (Gênesis 9.24-27), Hickey conclui: “Visto afirmar a Bíblia que ela é visitada até a quarta geração daqueles que o aborrecem – você poderá observar como ela recaiu sobre as gerações dos cananeus. Quando um pai pratica um pecado, seu filho o assimila. Estabelece-se logo uma fraqueza para pecar, e a velha natureza que vem do pai se transmite ao filho. Então vem o diabo e tenta o filho, e ele também cai3 (Grifo nosso). Isso não é verdade, pois nem sempre o filho assimila o pecado do pai. Há muitos exemplos na história dos reis de Israel e de Judá registrado nos livros dos Reis e das Crônicas. O rei Amom “fez o que era mal aos olhos do SENHOR”, 2Crônicas 33.22, no entanto, o rei Josias, seu filho: “E fez o que era reto aos olhos do SENHOR e andou nos caminhos de Davi, seu pai, sem se desviar deles nem para a direita nem para a esquerda”, 2Crônicas 34.2.

O segundo mandamento do Decálogo diz que Deus visita a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que aborrecem a Deus. Quando alguém se converte a Cristo, deixa de aborrecer a Deus, logo essa passagem bíblica não pode se aplicar aos crentes (Romanos 5.8-10), pois se tornou nova criatura, “as coisas velhas já passaram, e eis que tudo se fez novo”, 2Coríntios 5.17.

A Bíblia ensina que a responsabilidade é pessoal. Havia em Israel um provérbio muito antigo: “Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram”, Ezequiel 18.2. Os hebreus usavam este adágio para lançar a culpa de seus pecados nos antepassados. “Uvas verdes” são os pecados e, os “dentes embotados” são a conseqüência deles. Veja que Deus proibiu esse dito em Israel: “Que pensais, vós, os que usais esta parábola sobre a terra de Israel, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram? Vivo eu, diz o Senhor Deus, que nuca mais direis parábola em Israel”, Ezequiel 18.2-3.

Todo o capítulo 18 de Ezequiel gira em torno da responsabilidade individual do homem diante de Deus: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai levará a iniqüidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele”, Ezequiel 18.20. Não há espaço no cristianismo para essa crença estranha da maldição de família.

Outra tentativa para dar roupagem bíblica a essas inovações é a interpretação errônea ao termo “espíritos familiares” (Levíticos 19.31; 20.6 e Isaías 8.19). A autora afirma que os espíritos familiares são “maus espíritos decaídos que se tornaram familiares numa família” 4. Interessante, é que a escritura insinua que essas referências bíblicas só valem se for na versão inglesa do rei Tiago, King James Version, porque nela se traduz por “espíritos familiares” nas três passagens em apreço acima citadas.

A palavra hebraica usada para “espíritos familiares” é ‘obh, ou ‘õbhôth no plural, e significa uma pessoa que tem um espírito familiar. O Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento registra o seguinte: “As traduções modernas têm uma variedade de termos. Dentre eles temos: médium, espírito, espírito de mortos, necromante e mágico” 5. É a “técnica de necromancia rotulada de ventriloquismo. A LXX usa engastrimythos ‘ventriloquismo’ em todas as passagens, exceto Isaías 29.4″ 6. Traduzida da Vulgata Latina por magus, que significa “feiticeiro, médium”, e por python, “advinho”, em Isaías 8.19; 29.4.

O que a Bíblia chama de médium, necromante ou algo do gênero, a autora diz serem espíritos que passam de pai para filhos, na tentativa de substanciar uma doutrina extra-bíblica.

ESPÍRITOS TERRITORIAIS

Os expositores desse ensino fundamentam essa crença em experiências humanas, nos relatos de missionários e não na Palavra de Deus. Peter Wagner, no capítulo três do livro Espíritos Territoriais, demonstra isso.

Em resumo, a doutrina consiste na crença de que Satanás designou seus correligionários para cada país, região ou cidade. O Evangelho só pode prosperar nesses lugares quando alguém, cheio do Espírito Santo, expulsar esse espírito maligno.

Em decorrência disso surgiu a necessidade de uma geografia espiritual, daí o mapeamento espiritual. Os espíritos territoriais são identificados por nomes que eles mesmos teriam revelado com suas respectivas regiões que supostamente comandam.

O apóstolo Paulo diz que “o deus desse século cegou o entendimento dos incrédulos”, 2Coríntios 4.4. Peter Wagner usa o mesmo método das seitas no sentido de tirar conclusões em mera possibilidade. Ele julga ser possível considerar o termo “incrédulos”, como “territórios”, sendo “nações, estados, cidades, grupos culturais, tribos, estruturas sociais” (pág. 72), e sobre essa falsa premissa, constrói seu pensamento doutrinário.

Ainda de maneira sutil, ela procura fundamentar sua idéia nas palavras: “príncipe do reino da Pérsia” (Daniel 10.13), “príncipe da Grécia” (v20) para justificar o mapeamento espiritual. O capítulo três da citada obra apresenta, até, nomes desses supostos espíritos territoriais, os quais teriam se revelado a si mesmos, como Tata Pembele, Guarda dos Antepassados, Espírito de Viagens, entre outros.

Narai seria o espírito-chefe na Tailândia. Isso evidência que os defensores da crença dos espíritos territoriais também crêem na mensagem demoníaca e, isso é muito perigoso, pois Satanás é o pai da mentira (João 8.44).

Não existe vínculo entre a doutrina do mapeamento espiritual com a mensagem de Daniel 10.13, 20, pois o texto sagrado trata de uma guerra angelical e não há indícios da presença humana. O profeta está completamente alheio a essa batalha, seu papel é outro.

Os promotores da doutrina dos espíritos territoriais costumam, também, citar a passagem do endemoninhado gadareno (Marcos 5.10). Quando o demônio, porta-voz da legião, “rogava muito que os não enviasse para fora daquela província”. Isso parece, à primeira vista, que os promotores do tal ensino estão certos. Mas o texto deve ser interpretado à luz do contexto.

A passagem paralela mostra que tal pedido aconteceu porque Jesus havia mandado os tais espíritos para o abismo: “E rogavam-lhe que não os mandasse para o abismo” (Lucas 8.31), por isso pediram para ficar na região, não se trata, portanto, de espíritos territoriais. Essas inovações são perturbadoras e destoam completamente do pensamento do Novo Testamento.

EXISTE CRISTÃO ENDEMONINHADO?

Esses pregadores da batalha espiritual defendem a prática de expulsar demônios de cristãos e isso como resultado de uma teologia distorcida. Segundo essa teologia, o homem seria um espírito que tem alma e habita num corpo. Isso é defendido por muitos líderes da Confissão Positiva, como Essek William Kenyon e Kenneth Hagin.

Partindo desse falso conceito, afirmam que o Espírito Santo habita no espírito humano, na salvação e, os espíritos imundos “estão relegados à alma e ao corpo do cristão” 7. Outros citam, ainda, passagens bíblicas, como: “o mau espírito da parte de Deus, se apoderou de Saul” (1Samuel 18.10) e fraseologia similar (1Samuel 19.9); Judas Iscariotes (Lucas 2.3); Ananias e Safira (Atos 5.1-10). Essas três passagens são interpretadas por eles de maneira distorcida.

CARACTERÍSTICA DE UMA SEITA

Uma das características de uma seita é reavaliar conceitos teológicos a fim de adaptá-los às suas crenças, fugindo do padrão ortodoxo. À luz da Bíblia, o homem é um ser metafísico e moral, feito à imagem e semelhança de Deus, constituído de corpo, alma e espírito (Gênesis 1.26; 2.7 e 1Tessalonicenses 5.23). Alma e espírito são entidades imateriais, distintos um do outro, embora inseparáveis.

O corpo é o invólucro material da alma e do espírito. O texto de Hebreus 4.12 fala da “divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas”. Isso refere-se às três partes distintas da constituição humana.

Fazer jogo de palavras envolvendo corpo, alma e espírito para redefinir teologicamente o homem, afirmando ser ele um “espírito que tem alma e habita num corpo”, facilita a manipulação do texto para adulterar a teologia ortodoxa. A constituição bíblica do ser humano contraria o falso conceito da presença dos demônios no corpo e na alma do cristão.

O argumento sobre o estado espiritual e psicológico de Saul precisa ser analisado com muito cuidado. Há, de fato, quem afirme que ele ficou endemoninhado. Os que defendem esta linha de pensamento sustentam que Deus deu permissão aos demônios para atormentarem Saul, assim como permitiu ferir o patriarca Jó (1.12).

Se isso puder ser confirmado, deve-se levar em conta que Saul, nessa época, estava desviado, Deus o havia rejeitado por causa de sua desobediência (1Samuel 15.23). Entretanto, o texto bíblico não afirma que Saul ficava endemoninhado. É dito que o Espírito Santo retirou-se dele e que “o assombrava um espírito mau da parte do SENHOR” (1Samuel 16.14). Trata-se de um espírito da parte de Deus e não de Satanás. De qualquer forma, é muito temerário usar tal passagem bíblica para fundamentar uma doutrina dessa.

FALSO ARGUMENTO

O exemplo de Judas Iscariotes é inconsistente. A Bíblia revela, de fato, que Judas Iscariotes foi possesso, mas é como disse Paulo Romeiro: “dizer que ele foi um cristão é forçar demais o texto bíblico, e nem foi essa a opinião do Senhor sobre ele” 8. O Senhor Jesus disse que Judas Iscariotes era “um diabo” (João 6.70), e que não estava limpo (João 13.10, 11). O texto sagrado revela ainda que ele era ladrão (João 12.6).

A passagem de Ananias e Safira que o texto bíblico afirma que Ananias e Safira mentiram e não que ficaram possessos ou endemoninhados.

O acontecido é que eles não vigiaram e, por isso, agiram sob influência de Satanás. Eles mentiram ao Espírito Santo (Atos 5.3). Isso pode acontecer com um cristão vacilante, e não é indício de possessão maligna, por isso devemos orar e vigiar, para não cairmos em tentação, disse Jesus: “o espírito está pronto, mas a carne é fraca”, Mateus 26.41.

O Senhor Jesus disse que todos os espíritos demoníacos deixam o corpo da pessoa que se converte ao seu Evangelho (Lucas 11.24). O tal corpo fica varrido e adornado, pela obra do Espírito Santo (v25). A Bíblia, ensina ainda, que o corpo do cristão é templo do Espírito Santo (1Coríntios 6.19) e que o corpo, a alma e o espírito do cristão pertencem a Deus (v20). Nós temos promessas de Deus de que o maligno não nos toca: “o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca”, 1João 5.18. O cristianismo baseia-se na Bíblia, e não em experiências humanas, contrárias às Escrituras Sagradas.

ERROS E ACERTOS

Colocando na balança os erros e acertos da Teologia da Batalha Espiritual muito pouco se tem de positivo. Ainda assim o positivo é praticamente neutralizado pelos seus inúmeros malefícios. O incentivo à oração e à dependência divina é um ótimo estímulo ao cristão. Todavia, o povo de Deus está habituado à oração sem essas inovações dos proponentes da batalha espiritual.

À luz da Bíblia essa teologia é falsa e perniciosa. Ela vem trazendo muita confusão nas igrejas.

Outro problema sério: a tal teologia fascina os evangélicos de maneira assustadora, mais que qualquer outro assunto teológico.

Os livros nessa área sobre reavivamento satânico, sobre experiências satânicas, de testemunhos e visões sobre o reino das trevas, são campeões de vendas, cuja leitura não recomendamos, pois em nada edificam o Corpo de Cristo.

Por, Esequias Soares da Silva
Manual do Obreiro

NOTAS

1 BALZ Horst e SCHNEIDER, Gerard. Dicionário Exegético Del Nuevo Testamento, 2ª. Ed. vol. I, Ediciones Sigueme, Salamanca, 2001, pág. 2.379.
2 HICHEY, Marilyn. Quebre a Cadeia da Maldição Hereditária, Adhonep, Rio de Janeiro, 1993, pág. 37-43.
3 HICHEY, Marilyn. Op. Cit., pág. 32.
4 HICHEY, Marilyn. Op. Cit. pág. 62.
5 HARRIS, R. Laird, ARCHER, JR, Gleason L., WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, Vida Nova, S. Paulo, 1998, pág. 24.
6 BOTTERWECK, G. J., RINGGREN, Helmer. Theological Dictionary of the Old Testament, vol. I, WM. B. Eerdmans Publishing CO., Grand Rapids, Michigan, USA., 1990, pág. 131.
7 HAMMOND, Frank e Ida Mãe. Porcos na Sala, Editorial Unilit, S. Paulo, 1973, 132.
8 ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em Crise, Editora Mundo Cristão, S. Paulo, 1995, pág. 125.

julho 6, 2008 at 2:52 am 10 comentários

Música GOSPEL: boa ou má influência?

A boa ou má influência de alguma coisa depende muito do conteúdo de sua mensagem, do sentido e da consciência de suas propostas ao longo do tempo. É simplista demais dizer “sim” ou “não” sem primeiro investigar cada caso. Em se tratando de diferença de gosto ou de opinião, todo extremismo é, além de pecaminoso, uma temeridade. Como todo equilíbrio é encontrado entre os extremos, vamos fazer algumas ponderações necessárias.

A música dita gospel, nos Estados Unidos, não está isenta dos mesmos questionamentos que são feitos aqui no Brasil. A diferença é que lá gospel é uma dimensão musical que engloba tudo que é evangélico, com todos os estilos. A palavra gospel, em inglês, quer dizer “evangelho, evangélico ou que é relativo ao Evangelho”. A música gospel, nos Estados Unidos, é a música evangélica. Seja em qual ritmo ou estilo venha ter. O Grammy, a versão norte-americana do Oscar da música, é concedido igualmente à música evangélica. No Brasil, além de assumir o sentido de música mais atualizada quanto aos ritmos populares, o gospel é diferenciado radicalmente dos outros estilos de músicas evangélicas, como se estes fossem coisas excludentes ou antagônicas.

REVOLUÇÃO

No Brasil, nestes últimos 15 anos, houve uma completa revolução na música evangélica. Não é para menos que tenha causado tantos constrangimentos e levantado imensas oposições. O novo tem essa característica de chocar o status quo. Com o surgimento dos grupos e bandas, dos novos estilos musicais, da atualização dos ritmos, formou-se um coquetel explosivo que azedou as relações entre o velho e o novo na vida da igreja. Esqueceu-se que o velho e novo não são necessariamente a prioridade de Deus, mas sim aquilo que o velho entendimento e no novo tem o valor, a dignidade e a consistência do eterno.

O conflito de gerações cegou os entendimentos para aquilo que precisava ser reciclado no velho e corrigido no novo. E ambos se encastelaram em suas posições contraditórias. A música dita gospel ficou sendo encarada pelos mais conservadores como “coisa de jovens” e a música mais antiga atendida pelos jovens como “velharia”. Duas posições extremas roubando de cada um lado a possibilidade de aprendizado e reciclagem. Na verdade, só Deus sabe o que se perdeu com isso!

Não seria possível um grupo tipo o Rebenhão cantando “Um roque pra Jesus” não chocar. Acostumados com um tipo de música mais soft, isso parecia uma afronta. Durante décadas, estivemos ligados a grandes cantores e grupos bem comportados com estilos musicais já consagrados, voltados unicamente para o público evangélico, algo de consumo interno. No início da década dos oitenta, no entanto, uma insatisfação perpassava o coração de vários grupos musicais em diversas partes do país, principalmente no eixo Rio – São Paulo. Eles queriam fazer o casamento da mensagem do Evangelho com uma música mais atualizada, que tanto pudesse servir para consumo interno como também tivesse seu espaço fora da igreja, de forma que pudesse ser aceita e entendida por quem não freqüentava os templos. Isso só seria possível com uma atualização musical que tomasse emprestada ritmos já consagrados fora do ambiente evangélico. Por isso, afirmavam, tiveram que usar o rock, o reggae, o samba, o blues e outros ritmos populares. Juntando-se a esses ritmos uma mensagem divina, diziam, seria possível atingir o coração das pessoas. Os mais tradicionais acharam esse “casamento” uma paganização da música evangélica pelo simples fato de que seria, além de mundano, inventado pelo Diabo.

Ora, quem teria razão? Quem inventou os ritmos, Deus ou o Diabo? A bem da verdade, nem Deus nem o Diabo. O ser humano, esse sim, é o inventor dos ritmos. Isso faz parte da cultura humana. O gênero humano é o único que pode produzir cultura. Deus fez o homem assim à sua imagem e semelhança, e este demonstra isto de certa forma “gerando” ritmos e “criando” música. Deus e o Diabo fazem uma coisa: podem usar o homem e a sua música. Os ritmos não são o principal problema, mas o conteúdo na mensagem que eles carregam.

GOSTO PESSOAL

Normalmente, as pessoas tendem a confundir o seu gosto pessoal com o gosto que agrada a Deus. Quem gosta de música lenta, por questão de temperamento ou necessidade de meditação, sente-se confortado com uma música mais leve, mais soft, que a faz sentir a “alma mais leve”, e define o estado emocional de sua alma como o resultado da presença de Deus. Pode ser verdade, mas pode não ser. Pode ser também apenas o resultado da emotividade latente despertada pela música. Alguém pode estar num culto, sentir toda a emoção possível gerada por esse tipo de música, e sair perdido da mesma maneira que entrou. O mesmo sentimento equivocado pode estar no coração exuberante de um roqueiro, que pensa estar Deus presente na agitação do seu ritmo esfuziante.

A evolução dos ritmos e a diversificação dos gostos musicais são dois processos que põem em questão o conceito tradicional de música sacra. Durante séculos, a definição de música sacra esteve restrita ao canto gregoriano e outros tipos musicais monásticos. Com o passar dos anos, ritmos “pagãos” menos contundentes, como músicas tradicionais folclóricas em alguns países, valsa, marcha, bolero, fox, blues etc., antes tidos no âmbito das igrejas como mundanos e de inspiração satânica, passaram a integrar o repertório da música cristã autêntica. O exemplo mais conhecido dessa migração ocorreu com o conhecidíssimo hino Grandioso é tu, que o evangelista Billy Graham importou do folclore russo, mas que hoje é tido apenas como inspirado por Deus.

A rejeição de ritmos populares sempre existiu. Entretanto, a geração posterior à que os condenou se encarregou de sacralizá-los, expurgando deles as mensagens de conteúdo danoso e enxertando a poetização dos dogmas cristãos. A diferença não estava no ritmo, qualquer que fosse, mas na mensagem; aquilo que foi confiante para outras gerações na História do Cristianismo, guardadas as devidas proporções, é de certa forma conflitante para a nossa geração. Os ritmos é que são outros. A continuar o mesmo curso da história, esta geração dos ritmos alucinantes, daqui a alguns anos, vai defenestrar (a exemplo dos mais tradicionais de hoje) outros ritmos que, para eles, serão avançados demais. A história, nesse caso, se repetirá mais uma vez.

Para cada estado da alma haverá sempre um ritmo que lhe adeqüe. Mas isto não pode ser confundido com a presença ou ausência de Deus. Assim como “a ira do homem não produz a justiça de Deus”, o gosto das pessoas não poderá determinar a sua presença. Poderá, na melhor das hipóteses, permitir ao adorador mais sensibilidade para identificar a presença sempre constante do Altíssimo.

LOUVOR

Uma leitura despretensiosa do Salmo 150 perceberá a intenção do salmista quanto à maneira correta de louvar a Deus, além de sugerir os ritmos apropriados. Primeiro, ele indica que o espaço para louvar a Deus é o Cosmos, ou seja, em qualquer lugar, num templo ou fora dele (v.1). Segundo, ele indica a motivação correta desse louvor naquilo que Deus é e realiza (v.2) – não aquilo que sentimos ou deixamos de sentir. Por último, indica além da expressão corporal tão criticada em nossos dias (danças), três categorias de instrumentos musicais existentes na época: cordas, sopro e percussão (v.3). Uma sábia conjunção desses instrumentos poderá, sem dúvida, produzir os mais variados tipos de ritmos. Isto no mínimo é uma lição histórica de que ritmos podem ser santificados e usados com santificação. A mensagem é que não poderia deixar de ser verdadeira e inspirada em Deus e por Ele. O ritmo ficaria ao gosto do adorador. Nesse caso, um simples pandeiro poderia abalar o céu tanto quanto uma flauta doce.

Isto também ajuda a definir aquilo que poderia ser chamado de música sacra. Sacro é algo que é aceito como adoração pelo Deus santo e santificador. Não aquilo que é lento ou soft, mas aquilo que é inspirado e santificado por Deus. Uma pergunta que merece uma boa resposta: o mesmo Deus que promete redimir toda a natureza, não poderia redimir e santificar um ritmo?

Por, Benjamin Lima Souza – Ministro do Evangelho (Londres – Inglaterra).
Mensageiro da Paz (CPAD) – 1999

 

 

 

julho 6, 2008 at 2:45 am 1 comentário

Seitas que usurpam o Espírito

Quando falamos do Espírito Santo, estamos, na verdade, nos referindo a uma das três pessoas da santíssima Trindade. Dessa forma, o colocamos, automaticamente, em pé de igualdade com as demais pessoas da Divindade, ou seja, o Pai e o Filho.

Contudo, se o Espírito Santo é divino, atributo que lhe confere plenos poderes, como poderia alguém usurpar algo de Deus? Isso é o que propomos nesta matéria, ou seja, apresentar aos leitores alguns usurpadores de Deus. Neste caso, conforme pretendemos abordar, a vítima é o Espírito Santo.

Definição da palavra espírito

O termo “espírito”, tanto no hebraico, rûah, como no grego, pneuma, denota primariamente “vento”, “respiração” e, especialmente, “espírito” que, assim como o vento, é invisível, material e poderoso. Mas as palavras rûah e pneuma podem referir-se também ao espírito humano, aos anjos e a Deus. Neste último caso, possui uma conotação especial, por tratar-se do Espírito eterno (Hb 9.14).

A função do paracletos

A doutrina sobre o Espírito Santo é um dos pilares do verdadeiro cristianismo. Na teologia, essa doutrina é denominada de pneumatologia ou paracletologia, por ser a disciplina cujo objetivo é o estudo sistemático do Espírito Santo, seus dons, seu ministério e sua origem.

Para efeitos didáticos, a pneumatologia pode ser dividida em dois períodos: o do Antigo e o do Novo Testamento. No primeiro, as manifestações do Espírito Santo eram esporádicas, específicas e em tempos distintos. No segundo, começa no dia de Pentecostes, quando suas atividades se concretizam direta e continuamente na Igreja, por meio do cristão. No Antigo Testamento, as pessoas tinham um conhecimento limitado do Espírito Santo, pois os judeus o enxergavam como um poder impessoal, vindo da parte de Deus. Todavia, no Novo Testamento essa idéia foi aclarada quando Ele se manifestou, de modo pessoal, racional e direto, ainda que invisível.

As seitas usurpam o Espírito Santo

Muitos críticos liberais, como também muitas seitas em suas mais variadas categorias, têm feito severos ataques à religião cristã e, como conseqüência, doutrinas tradicionais da Bíblia têm sido redefinidas de acordo com essa “cosmovisão adulterada”. Um exemplo do que estamos comentando é justamente a doutrina do Espírito Santo, que tem sido constantemente atacada e, quando não, seqüestrada de modo vergonhoso, como veremos a seguir.

Basicamente, são duas as áreas nas quais as seitas atacam e subtraem algo do Espírito Santo. A saber: seus atributos e cargos. Vejamos:

Usurpam sua personalidade

Alguns teólogos liberais já não acreditam que o Espírito Santo é uma pessoa. Não traduzem Gênesis 1.2 como: “… e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas”, mas alteram a tradução para: “um vento poderoso que varria a superfície das águas”, redefinindo o texto bíblico e adaptando-o às suas concepções contrárias ao sobrenatural.

Um outro exemplo para o qual podemos apelar encontra espaço no malabarismo doutrinário empenhado pela Sociedade Torre de Vigia (STV), das testemunhas-de-jeová. Estamos falando da obsessão do grupo em aniquilar a personalidade do Espírito de Deus. Acerca da ocasião em que houve o batismo com o Espírito Santo, no dia de Pentecostes (At 2), quando os crentes, reunidos, foram cheios do Espírito Santo, as testemunhas-de-jeová chegam a questionar, com um “ar de anedota”: “Ficaram eles ‘cheios’ de uma pessoa?”. É lógico que a STV possui a resposta: “Não, mas ficaram cheios da força ativa de Deus”.1

Esse tipo de indagação ocorre devido à falta do verdadeiro entendimento acerca da palavra prosõpon (pessoa), que tem no grego um sentido bem diferente do que nós entendemos hoje, ou seja, “aparência exterior visível de um ser humano, animal ou coisa”. Os gregos associavam o termo prosõpon a manifestações visíveis. Atrelados a este conceito, tanto para os teólogos liberais quanto para algumas seitas, o Espírito Santo é sempre algo e não alguém. A mudança de significado é que resultou em toda esta confusão, pois sabemos que uma pessoa não tem, necessariamente, de possuir uma aparência exterior visível, aliás, as próprias testemunhas-de-jeová reconhecem que os demônios são pessoas, embora sejam, assim como o Espírito Santo, invisíveis.

Mas o que vem a ser uma personalidade, como a entendemos? Há três atributos que revelam uma personalidade: o intelecto, a vontade e o sentimento. O intelecto faz que Ele fale, pense, raciocine e determine; a vontade mostra que Ele faz o que quer, como quer e quando quer; já o sentimento lhe dá a sensibilidade de quem ama, geme, chora e intercede. Estas verdades encontram apoio em inúmeros textos sagrados (Cf. Gn 6.3; Jo 3.6; 14.26; 16.13; At 5.32; 7.51; 8.29,39; 10.19; 13.2-4; 15.28; 16.6,7; 20.23; Rm 8.14, 16; 8.26; 15.30; 1Co 12.11; Gl 4.6; 5.18; Ef 4.30; Tt 3.5; Ap 2.7, 11, 17; 22.17).

Incontestavelmente, o Espírito Santo é uma pessoa!

Usurpam sua divindade

Assim como as testemunhas-de-jeová, as demais seitas unitaristas também não acreditam que o Espírito Santo é Deus. Dizem elas: “O Espírito Santo não passa de uma força ativa que Jeová usa para seus propósitos”. Ele não é Deus. Mas os exemplos não param por aí. A Fé Mundial Bahaí afirma que o Espírito Santo é uma energia divina de Deus que concede poder a cada manifestação. Alguns eruditos muçulmanos vêem o anjo Gabriel como o Espírito Santo. Para os judeus o Espírito Santo é um outro nome para a atividade de Deus na terra. O espiritismo o entende como uma “falange de espíritos”. Para os adeptos da Nova Era o Espírito Santo é uma força psíquica. Etc…

Contudo, a Bíblia apresenta o Espírito Santo com os mesmos atributos divinos: onipotência, onipresença e onisciência (Cf. Jó 26.13; 33.4; Sl 139.7-10; Ez 11.5; 37.14; Zc 4.6; Mt 12.28; Lc 1.35, Jo 14.17; At 2.4; 5.1-5; 20.28; Rm 8.11; 15.16,19; 1Co 2.10,11; 3.16; 6.19; 2Tm 1.14; Hb 9.14; Tg 4.5; 1Pe 1.2; 1Jo 2.20; 5.6).

Incontestavelmente, o Espírito Santo é Deus!

Usurpam seu gênero

O reverendo Moon dispara o seguinte impropério sobre o Espírito Santo: “Contudo, somente um pai não pode ter filhos. Deve haver uma Verdadeira Mãe com o Verdadeiro Pai, a fim de darem nascimento aos filhos decaídos como filhos do bem. Ela é o Espírito Santo […] Há muitos que recebem revelações indicando que o Espírito Santo é um Espírito feminino; isto é, porque ela veio como a Verdadeira Mãe, isto é, a segunda Eva…”.2

Apesar de a Bíblia não qualificar Deus com o gênero masculino ou feminino, isto não dá a ninguém o direito de tachar o Espírito Santo como um ser feminino. O qualificativo do gênero que aparece na Bíblia em relação ao Espírito Santo é sempre masculino. Alguns nomes ou palavras que, pela terminação e concordância, designam seres masculinos são aplicados ao Espírito Santo em vários trechos bíblicos. Em João 14.26, o pronome “esse”, no original grego, é keinos, que significa “aquela pessoa masculina”. Também em João 16.7, auton significa “ele”, é pronome pessoal, masculino e singular. Assim, a Bíblia desfaz por completo a alegação de que o Espírito Santo seja feminino.

Usurpam sua individualidade

Todos os modalistas3 subtraem a individualidade do Espírito Santo. Assim expressa a Igreja Voz da Verdade a respeito do Espírito Santo: “Deus é o Pai, o mesmo Deus é o Filho, o mesmo Deus está hoje conosco como Espírito Santo”.4

Embora não faltem textos para desfazermos essa má interpretação, basta-nos, aqui, apenas citarmos um versículo: “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim” (Jo 15.26). Este texto elucida que o Espírito Santo procede do Pai, mas não é o Pai.

Aconselhamos pesquisa na revista Defesa da Fé (edição nº 50 / 2002), cuja matéria de capa vem com o título “Resposta ao CD Voz da Verdade”.

Usurpam seu cargo

Muitos estão usurpando os atributos pessoais do Espírito Santo, mas, de modo equivalente, muitas seitas têm usurpado alguns de seus cargos. Um deles tem a ver com uma das mais importantes funções que o Espírito de Deus desempenha em relação à Igreja, isto é, ser o nosso Consolador. Ao contrário dos elementos anteriores, este não é somente negado, mas usado de modo indevido por alguns líderes religiosos.

Desde o momento em que Jesus prometeu que enviaria outro consolador para substituí-lo após sua obra de redenção concluída na cruz, não tem faltado, através dos séculos, candidatos ao cargo. Quantos já se levantaram e proclamaram, em alta voz, que o referido título tem-se cumprido em sua própria pessoa!

Antes de trazermos alguns exemplos a respeito, falaremos, ainda que brevemente, sobre a função do Espírito Santo como o Consolador prometido por Jesus.

O Espírito como paracletos

No original grego, a palavra consolador é paracletos, que quer dizer “auxiliador, advogado”, entre outros significados.

Se tomarmos este termo fora do seu contexto, ele poderia, logicamente, ser aplicado a qualquer pessoa. Mas isso não é possível por causa do pronome indefinido e variável “outro”, que acompanha o adjetivo “consolador”. O pronome “outro”, empregado pelo evangelista na locução “outro consolador”, é oriundo do grego allos, que significa “da mesma espécie, natureza e qualidade”.

Percebemos, então, que a pessoa a quem ficaria incumbida a função de ser o vigário de Cristo no mundo teria de preencher todos os requisitos acima. Em última análise, tal pessoa teria de ser divina. Entretanto, nem mesmo a declaração inequívoca de Jesus de que o lugar do outro consolador já fora preenchido pelo Espírito Santo (Jo 15.17) foi forte o bastante para vetar a prepotência dos pretensos candidatos que reivindicam para si o cumprimento desta promessa.

Os falsos consoladores

Jesus nunca disse, ou mesmo insinuou, que o cargo de consolador da Igreja estava vago; muito pelo contrário, pois no mesmo fôlego Ele já revela o verdadeiro e único ocupante deste cargo — o Espírito Santo (Jo 14.16,17,26).

Enquanto alguns já chegaram até mesmo a declarar que o trabalho do Consolador já findou, como é o caso das testemunhas-de-jeová5, um expressivo número de grupos e/ou de líderes religiosos tem surgido e enganado a muitos, desviando seus seguidores da verdade quando afirmam que eles próprios são o “outro consolador” prometido.

Vejamos, a seguir, apenas alguns deles:

Montano

O historiador primitivo Eusébio de Cesaréia, em sua obra História eclesiástica, conta que, por volta do século II, apareceu um pregador por nome Montano. Este era convertido ao cristianismo e, em certo momento, sentiu que não era somente o porta-voz do Espírito Santo, mas sua encarnação. Afirmava que o paracletos, prometido em João 14.26, se encarnara em sua própria pessoa, apresentando-se como uma presença viva dele. Montano era homem de costumes severos, exigente e tinha como companheiras de evangelização duas mulheres: Priscila e Maximila, profetisas e sacerdotisas. Sua ação proselitista foi tal que até mesmo o célebre Tertuliano embrenhou-se no montanismo.6

Maomé

Maomé foi o fundador do Islã (600 d.C). Seu nome verdadeiro era Abulgasim Mohammad ibn Abdullah ibn Abd al-Muttalib ibn Hãshim. O significado de Maomé (Mohammad) é “altamente louvado”.

Os eruditos muçulmanos aplicam o texto de João 14.16 como uma referência a Maomé, pois o Alcorão, livro sagrado dos islâmicos, o denomina de ahmad que, em grego, corresponde a periklytos, cuja tradução é “que é louvado”. Os islâmicos consideram que esta seja a forma correta de paracletos.

Acontece, porém, que o texto do Novo Testamento, no original grego, não traz periklytos, mas paracletos. Para tentar dar consistência a seus argumentos, os defensores da teologia islâmica se apegam ao evangelho apócrifo de Barnabé que, ao invés de trazer a forma correta, paracletos, traz periklytos, coadunando assim com a exegese islâmica. É interessante como mesmo reconhecendo que o evangelho apócrifo de Barnabé é espúrio e com erros de gramática os muçulmanos parecem fazer “vistas grossas” ao fato. Pelo visto, o que eles querem mesmo é fazer de Maomé o outro consolador a qualquer custo!

O papa

Na basílica de São Pedro, em Roma, está a capela Sistina, constituída de quatro arcos nos quais se encontra escrito, em grandes letras em latim: VICARIUS FILII DEI, que quer dizer “Vigário do Filho de Deus”, ou mais propriamente “Vaga do Filho de Deus”.7

Com efeito, ao cotejar os dicionários verificaremos que vigário nada mais é do que aquele que exerce a função de outrem. É aquele que ocupa o lugar de outro. Com esse título, os papas usurpam a posição que só cabe, de fato, ao Espírito Santo. Na qualidade de Consolador, o Espírito Santo dará prosseguimento à presença de Jesus e de sua obra no seio da Igreja. A missão do Espírito Santo, em relação à Igreja, é a mesma exercida por Jesus enquanto esteve na terra. Apesar de os papas não reivindicarem diretamente este título, o fazem, contudo, indiretamente, por meio de seus muitos títulos em latim. Mas longe estão de preencher esta posição de modo cabal. Isso é impossível!

Após estes exemplos de personalidades usurpadoras do Espírito Santo, confira, doravante, algumas instituições religiosas que também reclamam esta excelência.

Espiritismo

Na corrida ao cargo de consolador, Allan Kardec mais que depressa inscreveu o espiritismo. Na obra O evangelho segundo o espiritismo, lemos o seguinte: “Jesus promete outro consolador: O Espírito Santo da Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar maduro para o compreender, consolador que o pai enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo há dito”. E arremata, dizendo: “Assim o espiritismo realiza o que Jesus disse do consolador prometido…”

Como vimos, segundo a opinião do codificador do espiritismo moderno, sua religião preenche no fundo e na forma a promessa de Jesus. Ainda segundo Kardec, o Espírito Santo seria apenas uma “falange de espíritos puros” que chegou à perfeição. Mas tais afirmações têm consistência?

A bem da verdade, o espiritismo e seus espíritos nunca poderiam ostentar tal cargo. O que temos visto na prática não é um consolador, mas um opressor espiritual. O espiritismo está envolvido com seres do mundo espiritual os quais a Bíblia chama de demônios (1Tm 4.1).

Aconselhamos pesquisar a revista Defesa da Fé (edição nº52 / 2003), cuja matéria de capa vem com o título “É possível identificar o espírito que fala pelo médium?”.

Ciência Cristã

Segundo Mary Baker Eddy, o melhor candidato a este cargo é a seita que ela própria fundou: “Esse Consolador, no meu entender, é a Ciência Divina”.8

É claro que a seita dessa mulher não pode concorrer ao cargo pretendido por ser algo inadmissível pelo teor do contexto da própria promessa. Esse consolador iria ensinar toda a verdade, o que não é o caso da Ciência Cristã, que nega as doutrinas básicas do cristianismo, chegando até mesmo a negar a realidade do mundo físico.

Aconselhamos pesquisar a revista Defesa da Fé (edição nº 25 / 2000), na matéria intitulada “Ciência Cristã – a arte pela cura da mente”.

Vó Rosa

A Igreja Apostólica, mais conhecida como Igreja da Santa Vó Rosa, ganhou este epíteto por causa de sua fundadora, chamada pelos adeptos desse grupo religioso de Santa Vó Rosa. Essa igreja reúne em seu bojo doutrinário várias práticas furtadas do catolicismo romano, do protestantismo e do espiritismo. Essa mulher, em vida, era considerada autoridade máxima no grupo, servindo como profetisa. Após sua morte, os líderes dessa igreja passaram a interpretar as palavras de Jesus sobre o outro consolador de um modo bastante particular. Separaram o conceito de o Espírito Santo ser o Consolador, aplicando o título Consolador à Vó Rosa. Vejamos o que disseram: “Jesus cumpriu sua promessa enviando o Consolador, a Santa Vó Rosa…”.9 Chegam a dizer o seguinte: “Se pregar contra a Santa Vó Rosa, peca contra o Espírito Santo, a quem ela representa”.10

Aconselhamos pesquisar a revista Defesa da Fé (edição nº 14 / 1999), na matéria intitulada “A Igreja Apostólica é realmente apostólica?”

O Espírito Santo enviado pelo Pai em nome de Jesus

Apresentamos, nesta matéria, alguns grupos religiosos e/ou líderes que, de alguma forma, usurparam o Espírito Santo. Entendemos que este ensaio foi capaz de demonstrar as arbitrariedades interpretativas dos referidos grupos. Seja por meio de personalidades distantes do nosso tempo, como é o caso de Montano, ou por um grupo mais recente, como é o caso da Igreja Apostólica, o fato é que a doutrina do Espírito Santo foi e continua sendo um dos alvos mais assediados pelas heresias. Entretanto, atravessando os séculos, as palavras de Jesus continuam claras, enfáticas e inalteráveis, e é justamente por elas que somos guiados: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.26, grifo do autor). Amém!

Notas:

1 Poderá viver para sempre no paraíso na Terra. Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1983, p. 40/17.
2 Princípio divino. Sun Myung Moon, Editora: Associação do Espírito Santo para a Unificação do Cristianismo Mundial, 1978, p. 162.
3 Modalistas: pessoas que acreditam na idéia de que as três pessoas da Trindade são, antes, um simples modo de uma única pessoa em Deus, e não pessoas distintas, isto é, modalismo.
4 http://www.vozdaverdade.com.br – (Suely Moysés Cufone)
5 “Quando o Espírito Santo cessou sua missão de confortador e advogado…” Jeová. Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, p.204.
6 Revista Defesa da Fé, ano 04, nº 25, agosto de 2000.
7 O seqüestro do papa João Paulo II. Aníbal Pereira dos Reis. Editora Caminho de Damasco, p. 16.
8 Ciência e saúde com a chave das Escrituras. Mary Baker Eddy. The First Church of Christ, Scientist, in Boston, 1973, p. 55.
9 O Espírito Santo de Deus e o Consolador. Bispo Eurico Mattos Coutinho e Missionária Odete Corrêa Coutinho, 1985, p. 60.
10 Ibid., p. 152.

 

Por Paulo Cristiano, do Centro Apologético Cristão de Pesquisas.

julho 6, 2008 at 2:41 am 2 comentários

Somos deuses?

Incursões teológicas no contexto das Escrituras mostram a fragilidade do argumento dos que transformam opiniões em doutrina

 

Nova Era, o mormonismo, os espíritas e até alguns evangélicos têm sido desencaminhados com idéias anti-bíblicas em circulação na atualidade e que dizem, com efeito, que o homem é um deus ou tem a capacidade de tornar-se um. Às vezes, a afirmação de Jesus em João 10.34 é citada em suporte a tal tese: “Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses?” Nesse texto Jesus está fazendo claramente menção do Salmo 82.6: “Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo”.

Os oponentes de Jesus, então, aproveitaram a circunstância para acusá-los de blasfêmia: “Os judeus responderam, dizendo: Não te apedrejamos por alguma boa obra, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”, João 1033. Antes de examinarmos a lógica de Jesus na totalidade da resposta (10.34-38), será de grande valia olhar para a citação no Antigo Testamento em seu imediato a abrangente contextos.

Isso pode surpreender alguns, mas a palavra hebraica genérica para Deus (Elohim) tem outros significados no Antigo Testamento. (Ela é plural em número e pode convenientemente ser traduzida “deuses” quando aplicado ao homem). Nós devemos lembrar que isso não é aliança divina ou nome pessoal (Jeová / Yahweh), nem ela é Adonai (Senhor). A palavra elohim é também usada para divindades pagãs, porém mais para o ponto do nosso estudo, ela é usada com respeito ao homem.

O Salmo 82 indica a injustiça dos juízes em Israel. O versículo 1 afirma que “Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses (elohim)”.

O uso da palavra hebraica nesse sentido pode ser vista na passagem como a de Êxodo 22.8-9 a qual afirma que “se o ladrão não for achado, então o dono da casa ou ambas as partes envolvidas no caso da quebra de confiança serão levadas diante dos juízes (elohim)”.

O Targum (Traduções Aramaicas ou paráfrase das passagens do Antigo Testamento) interpreta a palavra nas passagens do Salmo 82 e em Êxodo 22 como significando juízes.

A mesma tradução pode ser aplicada em Êxodo 21.6 (NVI) que se refere ao escravo livre que deseja permanecer com seu mestre; e esse mestre os levará aos juízes (elohim). A Septuaginta, nesse verso, usa a palavra kriterion, que significa corte de julgamento ou tribunal. Essa palavra grega é encontrada em Tiago 2.6 e em 1Coríntios 6.2-4 com o mesmo significado básico.

Enquanto algumas das traduções possam ser contestadas, entretanto, é claro na palavra hebraica, especialmente no Salmo 82.6, referir-se ao homem. Como, então, pode ser uma palavra comum para Deus ser usada para designar homens como juízes?

Keil e Delitzsch afirmam que os juízes, que estão em posição de autoridade, são delegados por Deus, e portadores de sua mensagem. Por essa razão, com seus representantes, são também eles mesmos chamados elohim, “deuses”. Eles acrescentam mais: “o nome não pertencia a eles originalmente, nem poderiam eles mostrarem-se capazes de ser moralmente merecedores disso”. Essa declaração posterior é clara no Salmo 82.2-5. Esse conceito de que os juízes humanos são representantes de Deus é ecoado por Paulo em Romanos 13.1-7. Um ponto imperioso necessita ser observado que é o fato de que esses indignos juízes do Salmo 82.7 são mortais. “Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos príncipes”, Salmo 82.7.

Então deve ser notado que o Antigo Testamento é muito esparso na aplicação da palavra elohim ao homem. Isto é, por conseguinte, inapropriado generalizar deste modo o limitado e, muitas vezes, disputado uso da palavra, assim como meio de resistir à possibilidade de “divindade” para tudo.

Ademais, é extremamente importante entender o motivo pelo qual Jesus citou na passagem do Salmo 82. Ele não a citou para promover a idéia de que os homens são potencialmente deuses. Qualquer tentativa do homem ser como Deus é expressamente condenada à falha. Satanás manobrou para frustrar os planos de Deus ao tentar Adão e Eva prometendo a eles que “seriam como Deus” (Gênesis  3.5). A tentativa do primeiro casal de ser como Deus somente resultou na imagem de Deus neles sendo desfigurada, o que os removeu também da comunhão com Deus.

Herodes Agripa I sentiu satisfação intensa na adulação da multidão que disse que “sua voz era de Deus, e não de homem” (Atos 12.22-23). Embora ainda que o homem tenha sido criado à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1.26-27), ele foi feito um pouco menor do que Deus (Salmo 8.5). Essa última afirmação é uma resposta a essa questão, “Que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?”, Salmo 85.4.

A palavra elohim, no versículo 5 é, às vezes, entendida como que significando anjos, especialmente na visão de Hebreus 2.6-8, que cita a passagem da Septuaginta. “Mas em certo lugar testificou alguém dizendo: Que é o homem, para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites? Tu o fizeste um pouco menor do que anjos, de glória e de honra o coroaste, e o constituíste sobre as obras de tuas mãos; todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés”.

O MOTIVO DE JESUS

De volta ao motivo pelo qual Jesus citou o Salmo 82.6, Ele poderia estar argüindo que se os juízes, que eram representantes de Deus, poderiam ser chamados de deuses, por que estão seus oponentes o acusando de blasfêmia quando ele alega ser alguém que parece ser menos – o filho de Deus – e não o Deus em si mesmo?

Também poderia ser que Jesus estivesse argüindo do menor ao maior. Os juízes no Salmo 82, ainda que fossem chamados de deuses, são indignos dessa designação porque eles têm a falsa aparência de ser alguma coisa como Deus. “Até quando julgareis injustamente, e aceitareis as pessoas dos ímpios? (Sela). Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai ao aflito e necessitado. Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. Eles não conhecem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos da terra vacilam”, Salmo 2-5.

Porque então deveriam os oponentes de Jesus acusá-lo de blasfêmia porque ele se identificou a si mesmo tão rente com Deus, considerando que sua vida e trabalhos estavam em completo contraste com aqueles injustos juízes?

Isso é inquestionável e muitas vezes teologicamente perigoso generalizar uma aplicação limitada de uma passagem das Escrituras. Jesus não estava falando sobre a habilidade do homem em tornar-se ou ainda em agir como se Ele fosse Deus. O limite foi para sempre delineado entre Deus e o homem. Ele é o Criador, e nós somos criaturas suas. Ele tem nos honrado ao nos criar em sua imagem e semelhança, mas em nenhum lugar, as Sagradas Escrituras sugerem que nós temos a capacidade de nos elevarmos ou de sermos elevados ao status de deuses. Ele é Deus, e além Dele não pode haver outros deuses.

Nós somos seus filhos – filhos e filhas do Altíssimo – mas nós nunca poderemos chegar ao que Jesus inerentemente é, o Filho de Deus em senso único ao que Ele é da verdadeira natureza de Deus.

 

Por, Anthony D. Palma – Ministro do Evangelho, teólogo e escritor.
Manual do Obreiro (CPAD) – 2005

 

julho 6, 2008 at 2:36 am 5 comentários

Sob o fogo do ESPÍRITO

 

 

Testemunha ocular relata fatos sobre o desdobramento do mover do Espírito em Azusa Street

Em 22 de maio de 1955, a senhora Flower e eu participávamos dos cultos da Bethel Pentecostal Church of Newark, em Nova Jérsei, onde tínhamos em mãos a cópia da edição da revista Pentecostal Evangel (Evangelho Pentecostal). Nós observamos na página 15 a nota de morte do ministro pioneiro pentecostal, Howard D. Stanley, com a idade de 79 anos.

A partida de Howard D. Stanley poderia ter sido sem importância se não fosse o fato de que ele foi um dos alunos de Topeka, Kansas. Esteve com aqueles que experimentaram o glorioso batismo no Espírito Santo em 3 de janeiro de 1901.

Na Escola Bíblica Betel, foi tomada, pelo corpo de estudantes, uma decisão instantânea, a partir dos estudos do livro de Atos, de que a evidência escriturística inicial do batismo no Espírito Santo é o falar em línguas, como o Santo Espírito nos dava a pronunciar.

Essa não foi a primeira vez, desde os tempos apostólicos, que o Espírito Santo tinha sido derramado, acompanhado de manifestações espirituais, que incluíam profecia e o falar em línguas, como bem notou em With Sings Following (Com os Sinais Seguindo), Stanley H. Frodsham. 1

Nos Estados Unidos havia movimentos do Espírito Santo tão cedo quanto os de 1854 em Nova Inglaterra, entre os que eram conhecidos como “O povo doador”. Em Moorhead, Minnesota, em 1903, sob o ministério de John Thompson, o ministro da Missão Sueca, o Espírito Santo foi derramado e aqueles que receberam o Espírito falaram em línguas. A influência desse avivamento permaneceu conosco até esse dia.

Então nós aprendemos da Igreja de Deus, que o Espírito Santo derramado nos primeiros dias dessa comunidade na Shearer School House em Cherokee Country, Carolina do Norte, é que todos aqueles que foram batizados no Espírito Santo falavam em línguas, outras profetizavam e os milagres de cura ocorriam.

Enquanto haviam notáveis moveres do Espírito Santo nos quais os crentes falavam em outras línguas, profetizavam e as curas de doenças eram experimentadas, nenhum desses reavivamentos floresceu no Movimento Pentecostal, mas foram resultado do revestimento do Espírito que veio por volta da virada do século na Escola Bíblica Betel de Charles Parham.

Quando os estudantes daquela escola bíblica julgaram em seus estudos das Sagradas Escrituras que a evidência do batismo no Espírito Santo é o falar em línguas, eles então permaneceram firmes e esperaram essa experiência até que o tempo da inauguração de um movimento chegou e foi circundar o mundo, tornando-se fortificado em todos os continentes e em quase todas as nações do globo.

Nós estávamos vivendo o período no qual a ciência tinha conseguido a excelência no átomo, e nós ouvimos sobre a fissão nuclear e o encadeamento de nações. Isso poderia parecer que há um paralelo entre a descoberta dos segredos do átomo e o derramamento do Espírito Santo.

Em primeiro de janeiro de 1901, uma jovem senhora chamada Agnes N. Ozman, aluna da Escola Bíblica de Topeka, Kansas, pediu que mãos se estendessem sobre ela, porque queria receber o Espírito Santo, de acordo com o exemplo registrado no livro de Atos. Embora os líderes da Escola tivessem todo receio pela autoridade que possuíam, eles responderam ao pedido impondo as mãos sobre ela e Deus honrou a fé de Agnes, batizando-a no Espírito Santo. Ela falou em línguas e glorificou ao Senhor.

Esse é um átomo espiritual que explodiu e produziu uma nuvem de efeitos. As partículas ativadas difundiram-se pelo Kansas, para o Missouri, ao Texas, e finalmente a Los Angeles, na Califórnia. Dali expandiu-se para todas as partes da Terra. Com a possível exceção da Igreja de Deus e da Casa das Meninas, na Índia, dirigida por Pandita Ramabai, toda unidade pentecostal em existência hoje pode ser trilhada de volta a esse ignorado começo no Estado do Kansas.

Os recém-batizados estudantes foram inspirados para começar primeiro pela adjacência da Escola, depois pelas cidades vizinhas incluindo Lawrence; Kansas City; Galena, Kansas e Joplin, Missouri. A história do Movimento Pentecostal avivando Galena em 1903, em Orchard e Houston, Texas, em 1904 e 1905, é registrada em With Sings Following, que é leitura importante. 2

O derramamento do Espírito Santo em Los Angeles, e o avivamento na Missão da Azusa Street foi, de fato, um estopim e um efeito da reação em cadeia.

William J. Seymour, o pregador negro da santidade, chegou em Los Angeles sob a influência do Movimento da Fé Apostólica (como o movimento pentecostal ficou primeiramente conhecido) em Houston, Texas.

Embora tenha sido admoestado pelos irmãos a não ir a Los Angeles até que recebesse o batismo pentecostal, Seymour, todavia, sentiu-se impelido a aceitar o convite que lhe foi feito. O resultado de sua ida para Los Angeles é bem conhecida, pois em Los Angeles, Califórnia, em 9 de abril de 1906, quando as primeiras pessoas na cidade receberam o Espírito Santo, de acordo com a promessa, outro átomo espiritual foi explodido, o qual espalhou a mensagem pentecostal até os confins da Terra.

O brilho dessa explosão pentecostal foi tão grande, que muitos não se aperceberam das ligações em cadeia. Isso pode ser traçado de volta até Houston, onde o grande avivamento pentecostal ainda estava em progresso, e ainda mais longe de volta à escola Bíblica Betel.

O Movimento da Fé Apostólica, que se centrou em Houston, foi crescendo gradualmente em poder espiritual e influência. Tem sido estimado que, por volta desse tempo (1955) existirem cerca de mil pessoas no meio oeste batizadas no Espírito Santo e 60 ou mais ministérios reconhecidamente pentecostais. O original Movimento da Fé Apostólica no sudoeste foi destinado a formar o núcleo da Assembléia de Deus alguns anos mais tarde. Deve ser notado que em 20 de dezembro de 1913, a edição de Word and Witness (Palavra e Testemunho), um periódico pentecostal publicado em Malvern, Arkansas, a lista de 352 ministros reconhecidos do Movimento foi publicada, muitos dos quais estavam trabalhando para Cristo nos estados do Meio-oeste.

O grande ímpeto para a expansão da mensagem pentecostal mundialmente veio de Los Angeles. Foi lá que as Boas-Novas se expandiram para o mundo pelo boca-a-boca e pela palavra impressa. Foi para Los Angeles que centenas de ministros se encaminharam e receberam o Espírito Santo na plenitude pentecostal, e então se difundiu a mensagem para todas as partes dos Estados Unidos e Canadá. O periódico, Apostolic Faith (Fé Apostólica), publicado em Los Angeles, também foi um instrumento para levar a mensagem para muitos cristãos famintos, que, inspirados pelo que estava acontecendo em outra parte, procuraram ao Senhor diligentemente, difundindo deste modo o fogo em suas comunidades que ainda não tinham sido tocadas pelas mensagens pregadas pelas personalidades de Los Angeles.

C. H. Manson, um ministro negro da santidade, deixou sua casa em Menphis, Tennessee, e foi a Los Angeles em 1906. Lá recebeu o batismo pentecostal e de lá retornou para casa para difundir a experiência entre seu próprio povo. Ele foi o fundador da Igreja de Deus em Cristo, a qual, de acordo com que alegam, disputava um número de membros com a maior igreja pentecostal de brancos. C. H. Manson é altamente reverenciado tanto por negros quanto brancos pentecostais por causa de seu trabalho.

G. B. Cashwell, um ministro da Associação da Santidade da Carolina do Norte, veio a Los Angeles em 1906, recebeu o batismo no Espírito Santo e retornou à sua casa em Dunn, na Carolina do Norte, onde alugou um grande armazém e começou os encontros. G. B. Cashwell foi a ligação na expansão da mensagem pentecostal que se abriu para os estados do Sudeste.

Está registrado que, antes de 1907, estava concluído tudo ou aproximadamente tudo, os ministros de fogo batizados na Igreja da Santidade haviam recebido a experiência pessoal do batismo no Espírito Santo. Três grupos nos estados do Sudeste, que tinham recebido a mensagem por meio do irmão Cashwell, mais tarde combinaram e formaram a Igreja Pentecostal da Santidade.

Um ano depois de G. B. Cashwell ter voltado ao Sudeste, em janeiro de 1908 ele pregou em Cleveland, Tennessee, no encerramento da Conferência Geral da Igreja de Deus. A. J. Tomlinson, nessa época pastor da Igreja em Cleveland, recebeu o batismo pentecostal. Ele não foi o primeiro a aceitar a mensagem pentecostal, embora a igreja em que ele servia fosse pentecostal desde o derramamento pentecostal em 1896. Irmão Tolinson era de personalidade forte e líder capaz. Ele foi escolhido como moderador da Assembléia Geral de 1909. A igreja foi confirmada em sua posição pentecostal, e ao longo dos anos que se seguiram, foi contribuindo grandemente para a difusão da mensagem pentecostal.

Outros, influenciados por G. B. Cashwell, incluíam os dois evangelistas denominados H. G. Rodgers e M. M. Pinson. Esse homem levou a mensagem para Geórgia, Alabama e para o Mississipi. Eles também a divulgaram no sul da Flórida. Mais tarde, esses dois homens foram um instrumento para trazer para a Assembléia de Deus um número de igrejas que haviam sido criadas sob seu ministério no Sudeste. Entrementes, o fogo pentecostal foi levado ao Canadá por R. E. McAlister, irmão e irmã Hebden de Toronto, além de A. H. Argue, de Winnipeg. Não demorou muito para que a mensagem pentecostal fosse espalhada por todo o território.

A senhorita Ivey Campbell, mulher de profunda piedade, recebeu o batismo no Espírito Santo em Loas Angeles e levou a mensagem a Akron, Ohio.

No verão de 1907, aconteceu um glorioso encontro no campo Beulah Park em Cleveland, Ohio, onde muitos dos ministros e cristãos leigos e a Aliança Missionária viveram a experiência pentecostal. Muitos desses, mais tarde se aliaram à Assembléia de Deus. Outros continuaram com a Aliança, modificando suas visões relativamente ao falar em línguas, em conformidade com a posição da Aliança nessa matéria.

Os anos de 1906 a 1908 foram notáveis, porque durante esses anos a mensagem pentecostal foi propagada por todo mundo. Los Angeles e a missão da rua Azusa tornaram-se símbolos do pentecostes. O movimento, entretanto, estava fora de controle, por causa dos novos centros que estavam sendo estabelecidos e que não tinham particular submissão à missão da rua Azusa. Periódicos começaram a aparecer seguindo o estilo dos primeiros periódicos surgidos, publicados em Houston, Texas, o Apostolic Faith (Fé Apostólica), e o segundo que possuía o mesmo nome, mas que era publicado em Los Angeles.

Outros periódicos logo surgiram, como o: The Bridegroom’s Messenger (Mensagem do Noivo), publicado em Atlanta, Geórgia; The way of Faith (Caminho da Fé) de Columbia, Carolina do Sul; The New Actos (Os novos Atos), Alliance, Ohio; The Latter Rain Evangel (Evangelho das últimas chuvas), e Pentecostal Testimony (Testemunho Pentecostal), Chicago, Illinois; The Church of God Evangel (Igreja de Deus da Boa-nova), Cleveland, Tennessee; The Pentecostal Holiness Advocate (Defensor da Santidade Pentecostal), Franklin Springs, Geórgia. Todos esses contribuíram para difundir o movimento pentecostal que estava imediatamente tão longe quanto a liderança da Missão da Rua Azusa ou o grupo de Houston, Texas, pudessem se preocupar. O Movimento da Fé Apostólica tinha de fato se tornado o Movimento Pentecostal, e o vigor para ser reconhecido no mundo religioso.

Mas a propagação do Movimento não ficou confinada aos Estados Unidos e Canadá. Ele foi propagado além-mar a todo continente, e a rapidez com a qual a reação em cadeia tomou lugar foi surpreendente também.

Quem pode entender os caminhos do Senhor? Quem poderia imaginar a conseqüência da decisão feita pelo pastor T. B. Barrat de visitar os Estados Unidos em 1906? Pastor Barrat, ministro da Igreja Metodista em Christiania, Noruega, visitou a América para pedir fundos para abrir uma missão numa cidade grande, próxima à capital do seu país. Sua angariação de fundos não foi bem-sucedida, mas ele veio a ter contato com a Missão da Fé Apostólica em Nova Iorque, que lhe conduziu à convicção das suas necessidades espirituais. Barret abriu seu coração e não tardou a receber o batismo pentecostal em 7 de outubro de 1906. O pastor Barrat retornou para casa e, sob seu ministério, o avivamento tomou conta da Noruega, em janeiro de 1907.

Christiania, mais tarde denominada Oslo, tornou-se o centro da reação em cadeia que carregou a mensagem pentecostal para a Suécia, Inglaterra, Dinamarca, e muitos outros lugares no continente. Pastor Lewi Pethrus leu sobre os encontros de Barret em um jornal de Estocolmo em janeiro de 1907, e foi a Oslo. Por meio desse contato, a mensagem pentecostal foi introduzida na Suécia.

A. A. Boddy, diretor da Igreja Episcopal de Todos os Santos em Suderland, Inglaterra, ficou quatro dias com o pastor Barrat, e depois retornou para casa. Sob seu ministério, foram despejadas em abundância as últimas chuvas em Suderland, em setembro de 1907. A primeira cidade na Escócia a experimentar o batismo das últimas chuvas foi a cidade de Kilsyth, também no ano de 1907. Dois missionários foram de Oslo para a Suíça, levando a mensagem pentecostal a esse país em 1908.

A África do Sul foi visitada pelo avivamento pentecostal no início de 1908. Thomas Hezmalhalch foi de Los Angeles para Indianópolis, em março de 1907. Ele e seu grupo então voltaram a Zion, Illinois, onde Deus deu a eles projeção ao ministério pentecostal. O trabalho em Zion foi aberto em 1906 por Charles F. Parham, o líder do Movimento da Fé Apostólica em Houston, Texas; por isso o grupo ficou bem preparado para o ministério de Hezmalhalch. Seguindo esse encontro, o grupo retornou à Indiana e os planos eram organizar o grupo para ir à África do Sul. A caravana consistia de Thomas Hezmalhalch e esposa, John G. Lake e esposa, J. O. Lehman, Lois Schneiderman, entre outros, que deixaram a América e foram diretamente para Johannesburg. Os mesmos sinais que seguiram o ministério da Palavra nos Estados Unidos foram experimentados no Sul da África, e a Fé Apostólica nasceu. Mais tarde, obreiros retornaram à América, mas as sementes plantadas continuaram a germinar até que a Missão da Fé Apostólica alcançasse as proporções atuais (em 1955).

O que mais poderíamos dizer? Os primeiros missionários foram à China e para a Índia. O livro da senhorita Minnie Abrams intitulado, The Baptism of the Holly Ghost an Fire (O Batismo no Espírito Santo e com Fogo), que descreve o avivamento na casa das meninas dirigida por Pandita Ramabai, caiu nas mãos de W. C. Hoover, missionário Metodista no Chile, em 1907. Como resultado, o Espírito Santo foi derramado no Chile sob o ministério do irmão Hoover, em julho de 1909.

Durante esses primeiros anos, a mensagem pentecostal foi carregada por um encadeamento espiritual na Alemanha, na Europa Oriental, Rússia, Bulgária, Hungria, Itália, Egito, muitas partes da África, Índia, China, Japão, Américas Central e do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Seria impossível contar toda a história.

Centenas e centenas, talvez milhões de almas tenham sido esclarecidas com o privilégio em Cristo de receberem a plena salvação, e tenham recebido o batismo no Espírito Santo. Os Atos dos Apóstolos têm sido repetidos em grande escala, os quais ultrapassam as almejadas expectativas dos pioneiros. Como o final será, ninguém pode possivelmente saber.

Por, J. Roswell – Foi secretário das Assembléias de Deus, em 1914. Esse artigo foi publicado em 29 de janeiro de 1956. Traduzido e publicado com autorização do Pentecostal Evangel.
Mensageiro da Paz (CPAD) – 2006.

NOTAS

1 FRODSHAM, Stanley H. With Signs Following, (Springfield, Mo.: Gospel Publishing House, 1941), 253-2262.
2 Ibid., 19-29.

julho 6, 2008 at 2:02 am 1 comentário

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