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Escatologia Apocalíptica e Pentecostalismo

A importância do Milênio de João para a Igreja de hoje

O que motivou o reavivamento pentecostal no início do século 20? Nada foi mais importante do que o novo foco em Jesus como Salvador, batizador no Espírito Santo, curador e Rei vindouro. Com isso veio um novo entendimento da promessa de Joel que Pedro citou no Dia de Pentecostes: “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos”, Atos 2.17. A explosão pentecostal na missão da rua Azuza, em Los Angeles, Califórnia, trouxe ali pessoas de todas as partes do mundo e as enviou em todas as direções como testemunhas habilitadas pelos Espírito Santo à difusão do Evangelho.

Pedro inspirado pelo Espírito interpretou o “depois” (Joel 2.28) como significando “nos últimos dias”. Deste modo, a maioria dos pentecostais primitivos acreditavam que a recente efusão do Espírito Santo estava anunciando os “últimos dias”. Isso coloca uma nova ênfase na profecia bíblica e especialmente no livro de Apocalipse com sua figura culminante do retorno de Cristo em triunfo e os mil anos de governo a seguir. A promessa do retorno do Senhor ajudou a estimular os pentecostais a se tornarem missionários, levando o Evangelho o mais rápido possível ao maior número de pessoas possível. O resultado tem sido a maior expansão do Evangelho desde os primeiros séculos da Igreja.

Algumas das igrejas do século 19 colocaram sua esperança na escatologia pós-milenista, a qual acreditava que a Igreja poderia influenciar nas bênçãos mileniais e ganhar o mundo para Cristo. Eles acreditavam que nesse tempo seriam capazes de mudar a direção das nações ao redor para Jesus sem quaisquer dos catastróficos eventos mencionados no livro de Apocalipse. Esses eventos foram espiritualizados, aplicados ao fim do primeiro século ou ignorados. Mas com o crescimento evidente da influência satânica e as desafiantes trevas do mundo fazendo frente à influência cristã, muitos voltaram ao pre-milenialismo.

Os pentecostais primitivos estavam plenamente convencidos das verdades da teologia pre-milenialista. A renovada ênfase teológica na significativa interpretação da Bíblia também marcou o reavivamento pentecostal. Eles reconheceram que a escatologia apocalíptica por meio do uso da linguagem figurativa poderia ser cumprida em eventos reais da História. Eles foram inspirados pela bendita esperança do retorno de Jesus Cristo e seu reino milenial. “Sinais dos tempos” que correspondiam a eventos profetizados na Bíblia os encorajavam a acreditar que Jesus estava vindo.

Agora que temos entrado em novo século, o que deveria significar para nós hoje o retorno de Jesus e seu reino milenial? Primeiro, devemos manter em mente que a totalidade da Bíblia tem um olhar para frente. De Gênesis a Apocalipse encontramos nela promessas e profecias que mantém o povo de Deus olhando à frente, para o que Deus irá fazer. O Antigo Testamento olha à frente, para a Primeira e a Segunda Vinda de nosso Senhor Jesus. O Novo Testamento declara o propósito e validade de sua Primeira Vinda. Isso nos dá a garantia de que o cumprimento dessas profecias na vida, morte e ressurreição de Jesus mostra-nos que a vontade de Deus será fiel para cumprir as profecias da Segunda Vinda. A ressurreição dos crentes, o futuro reino milenial e os novos céus e nova Terra com a Nova Jerusalém serão consumados pelo mesmo Deus fiel.

Essa esperança é a esperança certa, a esperança de que podemos depender. Conforme lemos em Romanos 15.13, “Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo”. Deste modo, nossa esperança é certa porque o Deus de esperança nos guiará nessa condição. É impossível para Ele mentir (Hebreus 6.17-18). Isso é chamado “a esperança” simplesmente porque ela ainda não tem se cumprido (Romanos 8.24-25). Ela é feita real em nossos corações pelo imenso poder (do grego, dunamei) do Espírito Santo. Verdadeiramente, essa esperança é “uma ancora para a alma, firme e segura” (Hebreus 6.19).

Como os anjos disseram aos crentes na ascensão de Cristo: “Os quais lhes disseram: Varões galileus, porque estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o viste ir”, Atos 1.11. Então, deveremos ser como os tessalonicenses que se converteram dos ídolos a Deus, “para servir aos Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura”, (1 Tessalonicenses 1.9-10).

Jesus confirmou essa esperança aos seus discípulos na última ceia, quando ele mesmo disse: “E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide até aquele dia em que o beba de novo convosco no reino de meu Pai”, Mateus 26.29. Esse “dia” é o profetizado dia do Senhor que trará consigo tanto julgamento quanto restauração. Esse “fruto” é o fruto da vinha que cresceu na terra. E “aquele dia” e o “Reino do Pai” deverão ser na Terra – o reino milenial profetizado por João.

Os crentes comprados pelo sangue serão apresentados em um inalterável alto grau de relacionamento com Jesus de sorte a tomar parte no seu reino milenial. Isso tomará lugar na Ceia das Bodas do cordeiro. Jesus é o noivo que Paulo tinha em mente quando escreveu aos crentes de Corinto: “Porque eu estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo”, 1 Coríntios 11.2. O livro de Apocalipse chama atenção para a noiva que fez a si mesma pronta e a quem foi dado que vestisse linho fino, puro e resplandecente (19.7-8). Os exércitos celestiais que seguem Jesus em cavalos brancos (simbolizando triunfo) estão vestidos de linho fino, branco e puro (Apocalipse 19.14), identificando-os claramente com a Noiva do Cordeiro (a Igreja), que toma parte na Ceia das Bodas do Cordeiro (Apocalipse 19.6-9). 1 Esses exércitos estão com Jesus quando ele toma o controle e estabelece o milênio de paz e bênção – o reino milenial. Eles irão cantar um novo cântico de redenção e serão feitos “reino e sacerdotes para servir ao nosso Deus, e eles reinarão sobre a terra”, Apocalipse 5.10.

Apocalipse capítulo 20 é o único lugar que menciona o tempo do reino como de mil anos, especificamente. A referência bíblica nesse capítulo é primariamente ao julgamento de Satanás, que toma lugar em dois estágios: primeiro, mil anos de aprisionamento, então, após um breve período de soltura, seu eterno julgamento que será no Lago de Fogo. Entre esses dois estágios, os santos (que são os crentes nascidos de novo) reinarão com Cristo nos mil anos de seu reino milenial. A repetição do número mil (seis vezes) parece enfatizar que esse é o atual número de anos e que devem ser tomados literalmente. 2

A esperança de um milênio literal refletiu-se nos escritos de numerosos líderes cristãos que viveram em dias subseqüentes aos dos apóstolos. Nisso incluía-se Papias (60-130dC), Justino Mártir (100-165dC), Irineu (130-202) e Tertuliano (160-330dC). Orígenes (cerca de 185-254), entretanto, foi influenciado pelos pagãos e filósofos judeus, negando qualquer milênio futuro e interpretando o Milênio como sendo a presente Era da Igreja. Logo outros foram interpretando as profecias de modo alegórico, místico e simbólico.

Outra mudança tomou lugar após o império de Constantino fazer do cristianismo a religião oficial do Império Romano. “Os pastores e superintendentes das igrejas não há muito tomavam a posição de servos-líderes. Em vez disso, eles seguiram o modelo do Império Romano. Quando a capital do Império mudou-se de Roma para Constantinopla, essa partida criou um vácuo em Roma, e o bispo de Roma andou nesse vácuo para tomar a liderança política e fazer do seu assento um trono. Grande número dos bispos começaram a procurar nas suas igrejas as bases de poder. A atenção foi logo voltada ao poder e à autoridade terrenos e não na bem-aventurada esperança da Igreja. Como resultado desse processo, nasceu o amilenismo (não há milênio) como negação de qualquer reino futuro na Terra. 3

Essa falsa teologia foi promovida por Jerônimo (347-420) e Agostinho (bispo de Hipona, no norte da África de 396-430). Pela Idade Média os católicos romanos acreditavam que estavam construindo a cidade de Deus (que é a Nova Jerusalém) aqui na Terra. Após a Reforma, protestantes transmitiram o amilenismo para dentro de suas igrejas e espiritualizaram o livro do Apocalipse. Então, no século 18, Daniel Whitby (1638-1726) propagou a teologia pós-milenista que reivindicava que a igreja deveria atravessar mil anos de prosperidade sob o poder do Evangelho antes de Jesus voltar para assumir a direção (responsabilidade). Com o passar do tempo nesse encorajar liberal, Metodistas e Presbiterianos identificaram a erra milenial com a evolução teísta. Isso favoreceu o secularismo e, como resultado, a maioria das denominações perderam membros.

Ao mesmo tempo, existencialistas europeus focaram o humano. A neo-ortodoxia, enquanto buscava corrigir algumas doutrinas ortodoxas, também tratou a Bíblia como mero livro humano. Então, a libertação teológica tratou o Reino de Deus como nada, a não ser uma metáfora focada na política radical e na mudança social.

Havia uma esperança, não obstante. Rumo ao final do século 19, professores da Bíblia ressuscitaram de novo a verdade bíblica do reino milenial. Alguns foram aos extremos do dispensacionalismo, não deixando espaço para manifestações de milagres no presente dia dos dons do Espírito Santo. Mas quando o reavivamento pentecostal emergiu no início do século 20, eles não prestaram atenção às restrições e permitiram ao Espírito Santo restaurar dias como os de Atos dos Apóstolos. Isso foi em dias quando a teologia liberal, que era contrária ao sobrenatural, estava dominando a maioria das denominações na Europa e na América. Os teólogos liberais aguardavam criar o Reino de Deus na Terra por sua própria sabedoria, sem qualquer ajuda de Deus ou do seu Espírito Santo. Muitos deles estavam tomando liberdade com a Bíblia, cortando fora os que eles não gostavam e rejeitando uma visão bíblica linear da História assegurando futuras bênçãos.

Com toda essa história em mente, como podem os crentes pentecostais ter a verdadeira visão bíblica do reino milenial? Eu acredito que há sei pontos-chaves que irão nos apontar a direção certa. 4 São eles: a) Devemos compreender o que entendemos como uma interpretação ou hermenêutica das Escrituras; b) Devemos reconhecer que a amarração de Satanás é ainda futura; c) Devemos reconhecer que a primeira ressurreição é no tempo da Vida de Cristo para arrebatar os crentes; d) Nós devemos reconhecer que o julgamento por Cristo é anterior ao milênio e o Grande Trono Branco é antes do milênio; e) A nação de Israel terá uma restauração espiritual e um lugar no milênio; f) Cristo e os crentes irão “reinar na Terra” por mil anos.

1) Correta interpretação – Isso significa, considerando o texto, não somente fora da passagem imediata, mas também do livro e esse dentro e fora da Bíblia como um todo. Por exemplo, a serpente de Gênesis 3.1 é identificada como animal. Essa era uma serpente literal, mas isso não significa que era somente uma serpente. Quando lemos, vemos que ela era mais que uma serpente, porque tinha uma habilidade que qualquer serpente ordinária não teria. Então, quando vamos a Apocalipse 12.9 e 20.2, vemos a serpente identificada como Diabo ou Satanás. Na Bíblia, como um todo, está claro que somente Deus pode criar. É também claro que Satanás e seus demônios, enquanto existência espiritual, manifestam-se a si mesmos  somente para tomar em possessão algum ser vivente em que haja corpo. Por essa razão Satanás teve de possuir a serpente. 5

Então, é por isso que há muitas passagens com a profecia do retorno literal de Cristo, como por exemplo Hebreus 9.27-28: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez vindo depois o juízo. Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que esperam para salvação. Seu retorno literal para trazer a plenitude de nossa salvação apela para a ressurreição literal, o milênio literal, e o literal governo na Terra. 6

2) De acordo com Apocalipse 20.2, a amarração de Satanás será total. Isso não aconteceu na cruz, como alguns dizem. Satanás ainda está trabalhando naqueles que são desobedientes (Efésios 2.20). Ele tenta embaraçar os cristãos (1 Tessalonicenses 2.18). Se não resistirmos a ele nos tornaremos suas vítimas, porque “o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar”, 1 Pedro 5.8-9.

Alguns dizem que Satanás foi amarrado pelo edito de Constantino que para com a perseguição aos cristãos. Mas a perseguição continuou a vir através dos séculos desde então, para não mencionar o que a Igreja Católica Romana fez com os verdadeiros crentes. Muitos amilenialistas têm suposto que o amarrar de Satanás é agora, efetivamente mantendo-o sem enganar as nações. Mas qual nação é livre da decepção satânica hoje? O amarrar final de Satanás será ainda no futuro, e somente um anjo enviado por Deus irá amarrá-lo e lançá-lo no abismo por mil anos. Ele não será capaz de enganar a ninguém durante o milênio.

3) Também fomos levados a considerar nós mesmos “mortos ao pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6.11). Isso não nega a promessa da ressurreição futura do corpo (1 Coríntios 15). Apocalipse 20.4 fala de dois grupos. O primeiro grupo sentado no trono e julgando – nele se inclui os crentes fiéis da Era da Igreja (Apocalipse 3.21-22; 1 João 5.4). Entre eles, como Jesus prometeu, estão os doze apóstolos julgando as doze tribos de Israel (Lucas 22.30). Israel restaurado, purificado, cheio do Espírito Santo de Deus, irá indubitavelmente ocupar toda terra prometida a Abraão (Gênesis 15.18) e será com a Igreja parte de um povo de Deus.

O segundo grupo são as almas que “vieram à vida” e esses dois grupos simultaneamente “reinarão com Cristo por mil anos”. Essas almas que vieram à vida referem-se a ressurreição do corpo, e não à ressurreição espiritual, é claro, “mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram” (Apocalipse 20.5).

“A primeira ressurreição” (Apocalipse 20.5) inclui os dois grupos mencionados no versículo 4. Eles são os únicos que fizeram o que o bom Deus intencionava que fizessem (o que inclui acreditar em Jesus como Senhor e Salvador). O restante dos mortos são aqueles que tinham feito maldade e que serão trazidos perante julgamento do Grande Trono Branco (João 5.29). Veja também 1 Coríntios 15.20-23, onde a Bíblia compara a primeira ressurreição com a ceifa – Cristo, a primícia, e o restante da colheita na sua Vinda para encontrar-nos no ar, e a respiga sendo aqueles martirizados durante o período da Tribulação.

4) O Pai deu a Jesus autoridade para julgar (João 5.27-29). Então todos os crentes virão antes ao Tribunal de Cristo (2 Coríntios 5.27-29). Aqueles que corresponderam às responsabilidades, Deus lhes fará ouvirem: “Bem está, servo bom e fiel”, Mateus 25.21-23. Eles serão “encarregados de muitas coisas” e irão gozar da alegria de Cristo durante o milênio e nos Novos Céus e Nova Terra.

5) Ainda que o Antigo e Novo Testamentos mostrem que os gentios irão gozando as bênçãos futura do reino milenial com Israel, Deus irá cumprir suas promessas especiais a Israel. Ezequiel capítulos 36 e 37 declara que Deus irá restaurar a Israel ainda que este tenha profanado seu nome. Ezequiel 36 indica que os judeus retornam à sua terra em incredulidade, Deus irá produzir a restauração espiritual. Ele não os tem rejeitado (Romanos 11.2).

6) Não devemos espiritualizar a singela declaração de que Cristo  irá reinar “na Terra” durante o milênio. O anjo que atou Satanás descerá do céu e após o milênio soltará Satanás, que “sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da Terra”, (Apocalipse 20.7-8). Claramente, o reino de Cristo será nessa Terra. “Ele dominará de mar a mar, e desde o rio (Eufrates) até as extremidades da terra”, Salmo 72.8 e Zacarias 9.10. A promessa a Abraão foi somente do Rio Eufrates até o Rio do Egito. Mas o Reino de Jesus será universal sobre toda a Terra.

As profecias do Antigo Testamento confirmam isso. A visão de Daniel do reino descreve-o como pedra que “feriu a estátua, se fez um grande monte, e encheu toda a terra (…) E esmiuçará e consumirá todos estes; reinos, e será estabelecido para sempre”, Daniel 2.35,44. O reino será recebido pelo Filho do Homem após os reinos desse mundo serem destruídos (Daniel 7.11-26 e Zacarias 3.8-9).

Que bênção será compartilhar com nosso Senhor Jesus Cristo a paz milenial e a retidão (Isaías 14.7-8; 35.1-2; 6-7; 51.3; 55.12-13; Salmo 96.11-13; 98.7-9 e Romanos 8.18-23). Deus irá transformar o mundo animal também (Isaías 11.6-8; 65.25 e Ezequiel 34.25).

Claramente, o reino milenial não virá por meio de uma reforma social ou representação humana. Deus trará isso. A segurança do júbilo futuro do reino milenial é algo que deve nos manter esperando pelo retorno de Jesus. Ainda que através Dele venha o julgamento, o melhor ainda virá.

Stanley M. Horton (Th.D) é professor emérito do Seminário Teológico das Assembléias de Deus. Autor de diversos livros publicados pela CPAD.

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julho 6, 2008 at 2:58 am 2 comentários

A formação da teologia pentecostal no Brasil

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A importância dos missionários escandinavos e norte-americanos na formação da identidade teológica da Assembléia de Deus brasileira

Apesar das constantes incidências de modismos teológicos no cenário evangélico brasileiro, a Assembléia de Deus é hoje uma das igrejas com maior solidez bíblica doutrinária em nosso país. Isso se deve a anos de formação de sua identidade teológica, sob a influência direta dos missionários escandinavos e norte-americanos. Como se deu essa influência?

Para entendermos isso, acredito que dois pontos devem ser analisados. Primeiro: Quem exerceu maior influência? Os missionários escandinavos ou os norte-americanos? Segundo: Havia alguma divergência doutrinária entre a Teologia pentecostal escandinava e a norte-americana?

QUEM EXERCEU MAIOR INFLUÊNCIA?

Como sabemos, a Assembléia de Deus no Brasil foi fundada por missionários escandinavos, porém sua Teologia sofreu igualmente influência da igreja pentecostal escandinava e das Assembléias de Deus norte-americanas. A diferença é quanto ao tempo de influência dos dois grupos. O primeiro exerceu sua influência teológica nas primeiras cinco décadas do Movimento Pentecostal brasileiro. Os norte-americanos estão exercendo sua influência teológica no Brasil pentecostal já há 40 anos.

Se na liturgia e em alguns costumes podemos afirmar que ainda somos herdeiros dos primeiros missionários suecos (se bem que, nos últimos 15 anos, a influência norte-americana na nossa liturgia e costumes aumentou), pode-se dizer que teologicamente fomos influenciados mais pelos missionários norte-americanos do que pelos escandinavos. Excetuando a influência na Assembléia de Deus do missionário escandinavo Eurico Bergstén, falecido em 1999, são os norte-americanos que mais influenciaram a Teologia Pentecostal brasileira na quatro últimas décadas.

Ao lermos a história da Assembléia de Deus brasileira em seus primeiros anos, percebemos que, da década de 10 até os anos 40, os missionários suecos eram soberanos na orientação doutrinária. Nos primeiros anos, a voz da Teologia assembleiana eram os artigos dos suecos nos jornais Boa Semente, Som Alegre e Mensageiro da Paz, e na série Lições Bíblicas, com comentários exclusivamente dos missionários escandinavos nas primeiras décadas. Há artigos de brasileiros nesses periódicos, mas só eram publicados aqueles que passavam pelo crivo teológico dos missionários escandinavos. Além disso, os artigos de articulistas norte-americanos ou britânicos (notadamente Donald Gee, cujos estudos sobre dons espirituais foram preciosos para a nascente igreja no Brasil) eram escolhidos e traduzidos pelos missionários suecos antes de serem publicados nos periódicos.

Um detalhe dos anos 10, 20 e 30 é que havia certa igualdade entre os missionários escandinavos quanto à influência teológica. Gunnar Vingren, Samuel Nyström, Nils Kastberg, Otto Nelson, Nels Nelson e Joel Carlson se dividiam nessa tarefa, ora por meio de artigos, ora pelas ministrações de estudos bíblicos nas igrejas sob sua responsabilidade. Porém, de meados dos 30 até o início dos 40 (isto é, depois da partida de Vingren, ocorrida em 1932), o missionário Samuel Nyström passou a se destacar como o grande nome da Teologia Pentecostal no Brasil. Em muitos casos, questões doutrinárias eram dirimidas, até em reuniões de Convenção Geral das Assembléias de Deus, depois de ser ouvido Nyström.

Nyström foi o quarto missionário escandinavo pentecostal a aportar em solo brasileiro. Conhecido como o grande pregador e ensinador, sua vinda foi uma grande conquista para a obra no Brasil. Além do sueco, sua língua natal, falava o português e o inglês fluentemente, e tinha noções de grego e hebraico. Antes de liderar a Assembléia de Deus em São Cristóvão, no Rio, ele pastoreou a igreja-mãe em Belém do Pará, tendo inaugurado o primeiro templo assembleiano na capital paraense. Foi ele quem deu início ao movimento beneficente em favor das viúvas de pastores e é até hoje o líder que mais vezes foi eleito presidente da CGADB. Foram nove vezes (1933, 1934, 1936, 1938, 1939, 1941, 1943, 1946 e 1948). Sua influência era tão grande que a vinda de Nyström para a cidade do Rio de Janeiro, então capital federal, substituindo o pioneiro Gunnar Vingren, fez com que a Assembléia de Deus de São Cristóvão se tornasse uma espécie de centro da obra no Brasil, o que durou por muito tempo.

Lendo as páginas do jornal Mensageiro da Paz no final dos anos 30 e início dos 40, vemos que o nome de Nyström era quase onipresente nas escolas bíblicas de obreiros nos país. Intensamente requisitado, viajava o Brasil inteiro para ministrar estudos bíblicos concorridos, especialmente sobre Dispensacionalismo, os efeitos da obra de Cristo, o Corpo de Cristo e doutrinas bíblicas fundamentais. Nessa época, devido ao estrondoso sucesso de seus estudos, um deles virou livro, publicado pela CPAD: Jesus Cristo, Nossa Glória. Esta obra traz uma exposição sobre as doutrinas da Redenção, Santificação e Justificação. É impressionante o fato de que tenha vendido cerca de 5 mil exemplares em sua primeira tiragem nos anos 30, em uma época em que boa parte dos assembleianos não era afeita à leitura. A obra só seria reeditada nos anos 80.

Porém, a partir especialmente do final dos anos 30, começaram a aportar no país missionários da Assembléia de Deus dos EUA que, aos poucos, se notabilizaram na orientação teológica dos primeiros obreiros brasileiros.

No final dos anos 40 e início dos 50, despontam notadamente nas escolas bíblicas pelo país os nomes do missionários norte-americanos. Podemos dizer que inicia aqui o processo de cristalização da Teologia Pentecostal no Brasil, pois só com os missionários norte-americanos houve uma sistematização maior das doutrinas bíblicas na Assembléia de Deus.

Pesquisando as páginas do Mensageiro da Paz nos anos 40 e 50, notamos que os destaques nas escolas bíblicas agora eram os missionários norte-americanos Lawrence Olson, Leonard Pettersen, Teodoro Stohr e John Peter Kolenda, mais conhecido como JP Kolenda. Nesse período, do lado escandinavo, impõe-se apenas os nomes dos missionários Nels Nelson e Lars Erik Bergstén, e que aportou em plagas brasileiras no final da década do 40. Nesse período, Nyström já saíra de cena, de volta à Suécia.

Nels Nelson era presença constante nas escolas bíblicas de obreiros pelo país, mas, sem dúvida, Bergstén foi muito mais influente na formação da Teologia Pentecostal. Enquanto Nelson ministrava mais sobre Prática e Teologia Pastoral, Bergstén era mais sistemático e seus estudos abordavam todas as doutrinas bíblicas. Isso não significa dizer que Bergstén era rebuscado em seu discurso. Uma de suas marcas era a simplicidade com que ele abordava os pontos doutrinários, além do largo uso de citações bíblicas para explicar e reforçar o que estava ensinando. Sua biblicidade e a forma apaixonada como falava sobre a necessidade de os obreiros amarem a Bíblia para crescerem espiritualmente foram imensamente importantes para formações de gerações de obreiros assembleianos.

Vale lembrar ainda que se Nels Nelson não exercia uma grande influência teológica na Assembléia de Deus brasileira, tal qual Bergstén, sua influência como líder, porém, era muito forte. Nels Nelson foi o último grande líder sueco da Assembléia de Deus brasileira. Assim, Nelson e Bergstén foram os nomes que ainda mantiveram a influência escandinava em nosso país.

Nelson faleceu nos anos 60. A partir daí, a liderança da Assembléia de Deus brasileira tornou-se quase que totalmente autóctone. Excetuando os missionários Nils Taranger, no Rio Grande do Sul (falecido nos anos 90), Gustavo Arn Johansson, em Maceió (que liderou de 1963-1965) e alguns missionários noruegueses no Sul, não havia mais missionários escandinavos liderando igrejas. É verdade que alguns missionários norte-americanos chegaram a liderar igrejas em nosso país, mas por pouco tempo e sem exercer influência na liderança nacional, como exerciam Nelson e os demais escandinavos antes dele. A influência norte-americana passou a ser mesmo só na área teológica.

No período pós Nels Nelson, Eurico Bergstén passou a ser a única referência teológica escandinava. E que influência! Basta lembrar que é, até hoje, o maior comentarista de Lições Bíblicas da história da Assembléia de Deus brasileira. Foram mais de 30 revistas de Escola Dominical escritas em quase 40 anos. Era quase uma revista por ano, todas abordando variadas doutrinas bíblicas. Até sua morte, em 1999, a presença de Bergstén era constante em estudos bíblicos e conferências pelo país. Ao lado de Lawrence Olson, Bergstén foi, consciente ou inconscientemente, um dos grandes moldadores da Teologia Pentecostal no Brasil.

Ao falarmos isso, é importante dizer que não estamos dizendo que havia uma relatividade entre missionários suecos e norte-americanos na formação teológica dos obreiros brasileiros. Apenas reconhecemos que, ao lermos a história da Assembléia de Deus brasileira, percebemos que é nítida a aceitação natural desses nomes, por parte dos obreiros brasileiros, como formadores de sua identidade teológica.

SISTEMATIZAÇÃO DA TEOLOGIA

É também a partir dos anos 50 que são traduzidos para o português, pelos missionários norte-americanos, muitos livros de cunho teológico pentecostal vindos da outra América e que por muito tempo se tornaram a referência teológica dos obreiros brasileiros, sem contar os bons livros produzidos pelos próprios missionários norte-americanos aqui no Brasil. Destaque para Conhecendo as doutrinas da Bíblia e Através da Bíblia, de Myer Pearlman, traduzidos por Lawrence Olson. Essas duas obras tiveram grande sucesso e aceitação, principalmente a primeira, que vendeu mais de 100 mil exemplares e foi, durante muito tempo, a Teologia Sistemática dos obreiros pentecostais brasileiros.

Olson ainda produziria clássicos como O Plano Divino Através dos Séculos, que vendeu mais de 100 mil exemplares. Esse livro popularizaria no Brasil o Dispensacionalismo, adotado pela maioria dos obreiros brasileiros até hoje. Quem não se lembra daquele quadro colorido e retangular que ilustrava a história da humanidade segundo a Bíblia, de antes da criação do mundo até o final dos tempos? O quadro O Plano Divino Através dos Séculos pode ser encontrado em muitas casas de obreiros pelo Brasil até hoje.

Outro importante nome, tanto na tradução de obras em inglês como na produção de livros teológicos, é Orland Spencer Boyer (também missionário dos EUA), que além de escrever livros inspirativos, produziu a série Espada Cortante, que marcou época, instruindo muitos.

Porém, o maior destaque, ao lado de Conhecendo as doutrinas da Bíblia, é de iniciativa escandinava. Uma série de estudos bíblicos de Eurico Bergstén, que por muito tempo serviram como livro-texto da Escola Teológica das Assembléia de Deus no Brasil (Esteadeb), foi transformada posteriormente em livro: Teologia Sistemática (CPAD). Está é a única obra de Teologia Sistemática pentecostal produzida pela Assembléia de Deus no Brasil até a presente data. Apesar de sintética, foi a mais aprofundada e sólida tentativa de organizar e sistematizar a Teologia pentecostal em um único compêndio.

Nos anos 90, a CPAD publicaria Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal, editada por Stanley Horton (maior expoente da Teologia Pentecostal nos EUA) e escrita por 18 teólogos da Assembléia de Deus norte-americana. Em seguida também foi lançado Doutrinas Bíblicas, do teólogo William Menzies, também dos EUA. Porém, a de Bergstén e a editada por Horton são as grandes referências teológicas da Assembléia de Deus brasileira hoje. Depois dessas duas obras, a de Pearlman ficou um pouco esquecida.

Finalmente, completando a tríade literária que serve hoje de referência para a Teologia da Assembléia de Deus brasileira, foi lançada, também nos anos 90, a Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD), com quase um milhão de exemplares vendidos só no Brasil. As notas são de autoria do pastor Donald Stamps, missionário norte-americano em nossa país.

Mas, novas boas notícias chegarão em breve. Depois de 95 anos de Assembléia de Deus, a CPAD começa o projeto de elaboração da primeira Teologia Sistemática Pentecostal genuinamente brasileira, escrita por teólogos da Assembléia de Deus em nosso país. Desejamos uma boa recepção para essa obra!

INSTITUTOS BÍBLICOS

O passo mais significativo dos missionários norte-americanos para a formação teológica dos obreiros brasileiros foi, sem dúvida, a polêmica criação de institutos bíblicos. Polêmica por não ter sido aceita inicialmente pelo obreiros brasileiros, satisfeitos apenas com o modelo das escolas bíblicas de curta duração, implantado pelos suecos. Anuais, as escolas bíblicas de obreiros duravam de duas semanas a um mês, estudavam temas diferentes a cada ano e até hoje fazem parte da tradição assembleiana no Brasil.

A principal crítica que se fazia aos institutos bíblicos é a de que eram “fábricas de pastores”. Apesar de todas as críticas, os norte-americanos levaram adiante seu projeto. Em 1959, com o apoio de JP Kolenda, o jovem pastor João Kolenda Lemos e sua esposa, a missionária norte-americana Ruth Dorris Lemos, fundariam o Instituto Bíblico da Assembléia de Deus (Ibad) em Pindamonhangaba (SP). Em seguida, em 1962, Lawrence Olson funda o Instituto Bíblico Pentecostal (IBP) no Rio de Janeiro. Olson e Orland Boyer ainda municiaram os obreiros brasileiros com belas obras teológicas de suas lavras a partir desse período. Olson ainda tinha a seu favor o programa Voz da Assembléia de Deus, com mensagens bíblicas enriquecidas de informações e curiosidades que despertavam nos ouvintes o desejo de se aprofundarem no conhecimento bíblico.

Vale lembrar que porque esses dois institutos foram fundados sem o apoio da maioria dos obreiros brasileiros, isso fez deles um grande desafio. Foi só nos anos 70 que iniciou-se um processo de aceitação dos institutos. O Ibad e o IBP só foram reconhecidos oficialmente pela Convenção Geral das Assembléia de Deus no Brasil em 1973 e 1975, respectivamente. É nesse período que nascem várias outras escolas teológicas (em forma de instituto) fundadas por obreiros brasileiros, e a Escola de Ensino Teológico das Assembléias de Deus (Eetad), fundada pelo missionário norte-americano Bernhard Johnson, em Campinas (SP).

Hoje, vivemos uma conseqüência clara disso. É interessante notar que os grandes teólogos nacionais da Assembléia de Deus brasileira só começaram a despontar mais a partir dos anos 70. Não que antes dos anos 70 não tenham havido nomes de destaque na Teologia da Assembléia de Deus entre os nacionais. Basta lembrar que é nos anos 60 que começa a aparecer o pastor e teólogo Antonio Gilberto, que veio a notabilizar a partir de 1974, com a criação do Curso de Aperfeiçoamento de Escola Dominical (Caped). É dele muitos best-sellers, como o Manual de Escola Dominical, lançado em 1974 e que já vendeu cerca de 150 mil exemplares. E que dizer do pastor Estevam Ângelo de Souza? É também outro grande exemplo. Porém, notadamente, só a partir dos anos 70 é que o leque aumenta. Atualmente, há vários nomes, e isso tem muito a ver com a mudança de visão em relação à importância dos seminários e institutos bíblicos, ocorrida à pouco mais de 30 anos.

DIFERENÇAS ENTRE O ESTILO ESCANDINAVO E O NORTE-AMERICANO

Não há muita diferença entre a Teologia pentecostal escandinava e a norte-americana. A diferença está mesmo nos estilos do que no conteúdo. Os escandinavos preferiam mais o sistema de escolas bíblicas informais e anuais de curta duração (daí a inspiração para criar as tradicionais escolas bíblicas de obreiros no Brasil). Os norte-americanos preferiam os institutos bíblicos, com o ensino formal das Escrituras e cursos de longa duração como as igrejas evangélicas tradicionais já faziam há muito tempo. Nos EUA, era comum o obreiro, antes de ser ordenado ao ministério, passar, em média, quatro anos em um instituto bíblico. Já na Suécia, só havia, na época, as escolas bíblicas de verão em Nyem (cidade sueca), uma espécie de curso intensivo de três meses para missionários e obreiros. Os alunos recebiam certificados, mas o curso era mais informal. Porém, ninguém era ordenado ao ministério ou enviado ao campo missionário pela Igreja Filadélfia, liderada pelo pastor Lewi Pethrus, sem antes passar por esse curso.

Com exceção de Daniel Berg e Gunnar Vingren, que foram pioneiros e se filiaram à Igreja Filadélfia depois de iniciada a obra no Brasil, todos os outros missionários escandinavos que aportaram em nosso país passaram por esse curso. Berg não estudou Teologia formalmente. Vingren, antes de vir ao Brasil, fora ordenado pastor pela Convenção Batista dos Estados Unidos. Para isso, formou-se em Teologia em um instituto bíblico e estagiou pastoreando uma Igreja Batista Sueca nos EUA. Quando estava pleiteando ser enviado como missionário à Índia, foi batizado no Espírito Santo, encontrou-se com Berg e Deus mudou os seus planos. Ainda bem!

Devido às diferenças entre a preparação teológica dos missionários escandinavos e norte-americanos, o estilo de ensino adotado por eles no Brasil era diferente. Analisando, por exemplo, os artigos doutrinários de um e de outro grupo no jornal Mensageiro da Paz, notamos que os suecos eram mais práticos, enquanto os norte-americanos eram mais sistemáticos. E, ao que parece, os obreiros brasileiros gostavam mais da simplicidade escandinava do que do estilo norte-americano. Só a partir dos anos 50 é que os brasileiros passaram a simpatizar mais com os doutrinadores norte-americanos, especialmente pelas ministrações bíblicas saborosas de nomes como Olson, JP, Stohr e Pettersen.

Outro detalhe: tanto os escandinavos quanto os norte-americanos aplicavam bem a hermenêutica, mas os norte-americanos eram um pouco mais voltados a exegese de textos bíblicos. O único missionário escandinavo que se aplicava no uso da exegese era Samuel Nyström. Aliás, Nyström era considerado pelos brasileiros como “o maior ensinador das Escrituras” no nascente Movimento Pentecostal em nosso país.

Interessante que os missionários escandinavos não ensinavam o Dispensacionalismo, que era a “moda” teológica da época, uma maneira mais prática de os teólogos interpretarem os fatos bíblicos. A única exceção foi Nyström. Até onde se sabe, ele foi o primeiro a ensinar o Dispensacionalismo para a Assembléia de Deus brasileira antes mesmo dos norte-americanos. Porém, coube a Lawrence Olson popularizar o Dispensacionalismo no Brasil, principalmente por meio de seus livros e do Instituto Bíblico Pentecostal.

É curioso ver que o Dispensacionalismo não está mais em voga nos Estados Unidos. A maior parte da Assembléia de Deus norte-americana não mais usa esse sistema de interpretação das Escrituras, que, é preciso dizer, no caso assembleiano, tinha uma pequena diferença do Dispensacionalismo clássico: os assembleianos sempre deixaram de lado a separação entre a Igreja e Israel, o que era o ponto-chave do Dispensacionalismo.

Hoje, a Assembléia de Deus norte-americana está mais voltada para “o estudo das aplicações teológicas e missiológicas do Reino de Deus”. Uma análise precisa dessa mudança de foco está em Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal, nas páginas 32 e 36.

Outro ponto a ser frisado é que os missionários escandinavos, por chegarem aqui primeiro, gastaram mais tempo procurando estabelecer as bases teológicas da igreja brasileira e reforçando as doutrinas bíblicas distintivas do pentecostalismo, muito atacadas pelas igrejas tradicionais nas primeiras décadas. A maior parte dos textos doutrinários dos primeiros 30 anos do Movimento Pentecostal brasileiro era de caráter apologético, de defesa das doutrinas bíblicas pentecostais. O restante era apenas sobre pontos doutrinários básicos: Salvação, Santificação e Vinda de Jesus. Por isso, quando os missionários norte-americanos vieram, corroboraram essas bases, mas, sobretudo, erigiram um edifício sobre elas, aprofundando esses pontos doutrinários (especialmente a Escatologia Bíblica) e salientando outros, menos abordados até então (como, por exemplo, a Doutrina da Trindade, do Pecado Original e dos Anjos).

O missionário Eurico Bergstén se destaca nesse período justamente porque também foi além das bases. Por exemplo: ao falar da Salvação, Bergstén expunha e destrinchava as doutrinas bíblicas da expiação, justificação, adoção e glorificação (o que Nyström, nos anos 40, começou a fazer timidamente), e a questão da perseverança dos santos, da segurança da Salvação. Aliás, o mal entendimento desse último ponto foi o que levou a uma das primeiras cisões da história da Assembléia de Deus.

No início dos anos 30, nasceu no Nordeste do Brasil a Assembléia de Cristo, formada por obreiros nacionais, entre eles Manoel Higino de Souza, que passaram a crer que “uma vez salvo, salvo para sempre”. É que os missionários suecos não se preocupavam em falar da Doutrina da Predestinação e da Segurança da Salvação, até que um obreiro nacional leu um panfleto calvinista sobre esse assunto e começou a ensinar que aqueles que aceitam a Cristo não têm possibilidade de perder a Salvação. Ora, os escandinavos eram arminianos (os missionários da Assembléia de Deus norte-americana, que chegariam depois, também). O que foi que aconteceu? Tentaram convencer Higino do contrário, mas em vão. Por nunca terem ensinado sobre esse assunto, quando a divergência teológica surgiu, não puderam saná-la eficientemente. A maioria esmagadora apoiou os missionários suecos, mas a cisão aconteceu. Se houvesse um ensino preventivo sobre esse ponto doutrinário, talvez essa cisão nunca tivesse ocorrido.

É só a partir dos 50 que os estudos bíblicos ganham mais densidade e profundidade. A criação de institutos bíblicos foi a conseqüência direta disso. Os obreiros brasileiros precisavam se aprofundar mais no conhecimento bíblico.

Se os escandinavos fizeram um bom trabalho de base e de estabelecimento da identidade pentecostal, os norte-americanos fizeram um bom trabalho preventivo em relação a modismos. Antes que determinadas doutrinas que já eram populares nos EUA ganhassem força no Brasil, eles preveniam os obreiros sobre elas. Por exemplo, na Convenção Geral de 1962, em Recife, são o missionário Lawrence Olson e o pastor Raymond Carlson, então presidente do Instituto Bíblico da Assembléia de Deus em Minessota (e que depois seria líder do Concílio Geral das Assembléias de Deus nos EUA) que previnem os obreiros, em estudo bíblico, sobre os perigos do ecumenismo, uma onda nova na época. Ao final daquela convenção, Olson, Bergstén e o pastor Alcebíades Vasconcelos, representando os obreiros brasileiros, assinam um documento, em nome da CGADB, contra o ecumenismo.

Ainda havia os estudos dos norte-americanos sobre os erros do evolucionismo, o liberalismo teológico, a Teologia da Libertação etc. Como reflexo desse ensino, surgiram muitos bons livros de autores nacionais sobre esses assuntos nos anos seguintes. O pastor Abraão de Almeida, por exemplo, escreve nos anos 80 sua Teologia Contemporânea (CPAD), com prefácio de Lawrence Olson. Nascia a reflexão teológica, estimulada pelos norte-americanos.

Outro exemplo: a febre pela Escatologia Bíblica no Brasil foi encetada pelos norte-americanos e incentivada pela conjuntura internacional – a Guerra Fria. Nesse período, depois da reedição de O Plano Divino Através dos Séculos nos anos 70 e do lançamento do polêmico Alinhamento dos planetas (1980), ambas obras de Olson, surgiu uma demanda decorrente do interesse despertado dos crentes por Escatologia. É quando surgem muitas obras teológicas em profusão sobre o assunto, como as dos pastores Antonio Gilberto, Abraão de Almeida e Severino Pedro. O detalhe é que a visão escatológica de muitas dessas obras era importada da visão escatológica norte-americana. A significativa obra Israel, Gogue e o Anticristo (CPAD), de Abraão de Almeida, que marcou época e vendeu mais de 50 mil exemplares, é um exemplo. As interpretações sobre a profecia contra Gogue (Ezequiel 38), vista como uma referência à Rússia e à China, são uma influência clara da Escatologia norte-americana. Os escandinavos não se preocupavam com esses pormenores. Sua Escatologia era menos detalhista e pouco especulativa. Preocupava-se mais com o entendimento do essencial.

ÚNICO E RELATIVO CASO DE DIVERGÊNCIA

E quanto às discrepâncias de conteúdo entre a Teologia pentecostal escandinava e a norte-americana?

Como já ressaltei, foi só depois dos anos 50 que o estudo das doutrinas bíblicas foi mais aprofundado na Assembléia de Deus brasileira. Assim, se houvesse alguma discrepância teológica entre os escandinavos e norte-americanos, ela surgiria a partir de esse período, pois é na exposição dos detalhes que surgem as diferenças. Porém, o que se via era uma concordância mútua. A única diferença encontrada, mas não muito explorada, foi quanto à Doutrina da Criação do Universo. Aqui, sim, encontramos a única divergência teológica concreta entre escandinavos e norte-americanos. Mesmo assim, relativa.

Eurico Bergstén, em sua Teologia Sistemática, ensinava a Teoria da Recriação da Terra (também chamada de Teoria da Lacuna), que diz que entre Gênesis 1.1 e 1.2 há um interregno de tempo, onde teriam ocorrido a queda de Satanás e o caos no Universos. A Terra, que teria sido criada perfeita antes de Lúcifer cair, teria ficado, após a queda do ser angelical, sem forma e vazia. Logo, o relato que vai de Gênesis 1.2 em diante seria não o da criação da Terra, mas da recriação. Isso pode ser visto nas páginas 49 e 52 de sua obra. “A Terra foi restaurada em seis dias”, assevera Bergstén.

Ao que parece, nem todos os missionários norte-americanos simpatizavam muito com essa teoria. Lawrence Olson, porém, seria uma grande exceção, o que relativiza essa discrepância. Ele ensinava o mesmo, como pode ser visto nas primeiras páginas de O Plano Divino Através dos Séculos. Mas, a obra Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal, escrita pelos Teólogos da Assembléia de Deus norte-americana, rechaça essa teoria, como pode ser visto nas páginas 232 a 235. “A Teoria da Lacuna apresenta várias fraquezas”, arremata conclusivamente os pastor e teólogo Timothy Munyon.

Como vimos, as diferenças eram muito pequenas. A Teologia era praticamente a mesma em todos os pontos. E isso foi muito bom, porque fortes divergências teológicas criariam cismas. Se hoje a Assembléia de Deus é minimamente unida e consolidada em sua identidade teológica, deve isso à influência desses nobres missionários escandinavos e norte-americanos, que deram as suas vidas pela evangelização e estabelecimento da obra de Deus em nosso país.

Por, Silas Daniel – Ministro do Evangelho, jornalista, conferencista e autor dos livros A Sedução das Novas Teologias, Habacuque – a vitória da fé em meio ao caos e História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Todos pela CPAD.
Manual do Obreiro (CPAD) – 2006.

 

março 31, 2008 at 1:17 am 2 comentários

O que é evangelicalismo? Por Augustus Nicodemus

O que é evangelicalismo? Por Augustus Nicodemus

fevereiro 14, 2008 at 11:10 am 1 comentário

Pós-Pentecostalismo: Estranha moda tenta apagar as manifestações espirituais na igreja.

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Introdução

As igrejas pentecostais e neopentecostais ao redor das Américas estão vivendo uma nova e estranha tendência: o pós-pentecostalismo. Escuta-se hoje com demasiada freqüência que alguns pastores das Assembléias de Deus estão pastoreando igrejas que já não crêem em nossa pneumatologia e nem permitem a manifestação dos dons espirituais nos cultos de louvor a Deus.

Ao mesmo tempo, algumas igrejas lamentam que seus pastores não pratiquem e nem motivem os crentes a experimentar tais manifestações. Enquanto as notícias de deterioração na adoração pentecostal não sejam novas – ainda nos anos 20, alguns líderes pentecostais estavam advertindo sobre uma possível declinação em nosso movimento – podemos estar enfrentando um novo tipo de deterioração, sendo que a de agora é ainda mais séria, que a tendência histórica, em direção à frieza e às manifestações do Espírito.

Essa nova tendência não só mostra frieza, como também nega a validade da expressão dos dons espirituais no culto. Se é assim, é hora de prestar muita atenção na nova renovação dos charismata em nossos cultos de louvor e adoração a Deus no Movimento Pentecostal. Não só o exige a nossa tradição, senão a fidelidade às Escrituras o exige, porque em termos do grego do Novo Testamento, um pentecostalismo sem a expressão dos charismata é um pentecostalismo idiotikos. Um termo tão explosivo como idiotikos precisa ser imediatamente explicado. Ao caracterizar uma forma de pentecostalismo como Idiotikos, quero usar a palavra grega idiotes e tem um significado diferente da palavra idiota em português [1].

Não quero aplicar a palavra idiota em português a nenhuma pessoa ou perspectiva religiosa em particular. O uso de idiotikos não é um epíteto, senão um incitante estímulo à reflexão.

1. Pentecostalismo idiotikos

O conceito de pentecostalismo idiotikos está baseado no texto de 1 Coríntios 14.23, no qual o apóstolo Paulo advertiu à igreja de Corinto que se todos falam em línguas ao mesmo tempo quando a igreja se reúne, e alguns apistoi e idiotai (como descreve o texto em  grego) entram ao culto, pensariam que os membros da igreja estavam loucos.

Para entender o ponto de vista de Paulo nessa passagem, é crucial entender quem eram os apistoi e idiotai [2]. Apistoi claramente refere-se aos não crentes, enquanto a versão de Almeida Revista e Corrigida traduz idiotai como indouto [3]. Esta tradução se enriquece ao compará-la com a definição provida no léxico mais destacado do grego do Novo Testamento: O Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (Léxico grego-inglês do Novo Testamento e outras literaturas cristãs primitivas – tradução livre), editado por Frederick Danker, oferece a idéia de “leigo, amador” (aquele que não tem perícia)  para a primeira definição de idiotes [4].

a) A idéia da palavra laico nessa definição do léxico não tem a intenção de expressar a divisão religiosa entre os leigos e clérigos, senão enfatizar a perícia sobre a ignorância numa variedade de contextos. Em outras palavras, essa definição está de acordo com a versão Revista e Corrigida, que traduz idiotai como indouto, aquele que tem falta de instrução nos dons espirituais.

b) Um segundo significado oferecido por Danker cabe exatamente no contexto de 1 Coríntios. Especificamente na discussão de 1 Coríntios 14.23, o léxico declara que “os idiotai não são nem similares aos apistoi, nem são cristãos completos. Obviamente, estão entre os dois grupos como um tipo de prosélito ou catecúmeno” [5].

Na discussão dessa segunda definição, o léxico aduz referências da literatura grega extra-bíblica para mostrar que o termo foi usado em contextos religiosos para referir-se a pessoas que assistiam a reuniões de um religião em particular, porém não haviam chegado a ser membros formais e completos.

Um possível exemplo de tais idiotai eram os discípulos de Éfeso que são mencionados em Atos 19.1-7, os quais haviam crido em Jesus Cristo, foram batizados no arrependimento, segundo ensinava João Batista, mas não haviam sido batizados em nome de Jesus e nem sequer haviam ouvido acerca do dons espirituais no culto cristão. Paulo se preocupa em que os crentes novatos, à semelhança dos incrédulos, pudessem se confundir pelo uso desordenado do dom de línguas na adoração congregacional.

2. Modelos de crescimento da igreja

Esta preocupação paulina pelo bem-estar dos novos crentes no faz voltar à nossa situação contemporânea relativa às igrejas pós-pentecostais. A popularidade entre as igrejas pentecostais e neopentecostais de seguir modelos para o crescimento da igreja, que se denominam “sensíveis aos que buscam” e “guiado por propósito”, os quais vem sendo propostos por pastores de mega-igrejas dos Estados Unidos, tem tido muita influencia na América Latina.

 Devido a isso, alguns pastores tem decidido rechaçar o uso dos dons carismáticos na adoração corporativa sob o pretexto de não ofender aos “que estão buscando” [6]. Entretanto, essa estratégia claramente ignora as intenções do apóstolo Paulo nessa passagem sob discussão.

Os missionários do princípio do século 20 foram confrontados com uma pergunta-chave quando Roland Allen publicou um tema intitulado Missionary Methods, St. Paul or Our? (Métodos missionários: De São Paulo ou os nossos?). Hoje, os pastores da América Latina têm de considerar se é melhor usar os métodos modernos de crescimento da igreja, ou os que foram ensinados e moldados pelo apóstolo Paulo na Palavra de Deus.

O apóstolo faz óbvio que não está contra a manifestação dos dons espirituais em público por meio do argumento estabelecido em 1 Coríntios 14. Depois de advertir a igreja a não deixar que os dons sejam abusados, e depois de advertir que o abuso dos dons de línguas poderia fazer com que os apistoi e os idiotai pensassem que a igreja havia se tornado louca, ele resume seu argumento dizendo o seguinte: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vos tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação”, 1 Co 14.26.

Desta conclusão, é claro que nunca foi a intenção do apóstolo Paulo eliminar os dons espirituais do culto público, senão protegê-los do abuso para que pudessem exercer seu pleno poder de edificação para os crentes e convicção de pecado para os pecadores. 

2.1. O pólo oposto de idiotikos

É importante considerar o pólo oposto da adoração idiotikos. Esse pólo não é a adoração pneumatikos (espiritual) que o Novo Testamento propõe e que mantêm a posição central e permite a expressão dos carismata. Pois bem, o oposto da adoração idiotikos é a adoração manikos. Essa palavra que Paulo usa ao dizer que os apistoi e idiotai pensaram que a igreja havia enlouquecido, está relacionada com a palavra maníaco em Espanhol e, louco, insensato, néscio, em Português. 

Os que criticam o abuso dos carismata têm feito bem em chamar tal adoração “carismania”. É justamente a forma maníaca de expressão carismática que o apóstolo Paulo se opõe. Entretanto, enquanto é bom nos unirmos a Paulo em oposição à adoração maniankos, seria um grave erro proibir totalmente o exercício dos carismata. O verdadeiro louvor pentecostal-carismático se encontra no equilíbrio.

3. Quem determina o modelo?

Em vista do apoio do apóstolo Paulo ao carismata no culto público da igreja, a pergunta que se faz é: “Quem determinará o que se permite em nossos cultos de adoração? Serão determinados pela Palavra de Deus ou por apistoi e idiotai? Se são determinados pelo Palavra, teremos que assegurar que a adoração é fiel a Deus (em vez de ser apistos – o infiel) e bem instruídos pelas Escrituras.

Enquanto não haja lugar para o abuso indouto dos dons espirituais na adoração cristã, este fato só obriga aos pastores a instruir suas congregações cautelosamente no uso dos dons. Se há dito com freqüência que os  pentecostais se escandalizam mais pelo uso dos dons em seus cultos do que seus convidados incrédulos ou não pentecostais. 

Parece-nos que tal escândalo surge de um dos dois motivos: vergonha que os pentecostais sentem pelos dons (o que é inaceitável), e vergonha por manifestações indoutas. Em qualquer caso, a resposta é mais instrução, nunca o rechaçar dos dons. Por outro lado, se permitirmos que a adoração cristã seja determinada pelos apistoi e idiotai, devemos delinear bem as implicações de tal decisão. 

a) Primeiro de tudo, deixaremos que incrédulos definam por nós o que  podemos crer e praticar. Seguramente isto é a fórmula para o fracasso     em termos de convencer aos povos que temos uma nova realidade espiritual para lhes oferecer. Tal estratégia é apistos ou infiel ao Deus que nos tem abençoado com sua graça em forma concreta (a palavra carisma vem da palavra caris ou graça). 

b) Segundo, tal adoração será idiotikos, sendo determinada pelos idiotai. A adoração idiotikos reflete uma decisão com o propósito de recusar a instruir os novos crentes e incrédulos acerca do uso bíblicos dos dons espirituais.

Recentemente escutei um pastor da Assembléia de Deus falar de uma nova congregação que inaugurou. Aproximadamente 300 pessoas haviam sido acrescentadas à sua congregação em um ano. Delas, 150 eram novos crentes. Ele explicou que não queria dons carismáticos em sua igreja, já que a maioria dos seus membros era proveniente de outras igrejas evangélicas não pentecostais. Ele estava preocupado na possibilidade deles estarem ofendidos pela prática dos dons espirituais e na hipótese dos novos crentes estarem confusos. A resposta ante ao seu dilema aparentemente foi deixar todos no estado em que se encontravam quando migraram à sua igreja. Esta decisão é chamada apropriadamente idiotikos porque põe a posição doutrinal dos que não têm dons nem instrução no controle da igreja em lugar dos ensinos de Paulo.

Outro aspecto crucial do louvor idiotikos é que é uma decisão consciente de apoiarmos em nossas próprias habilidades em lugar do poder de Deus. A palavra idiotes é certamente relacionada com a palavra grega idios, que significa  “por si mesma” ou “por conta própria”. O conceito básico de idiotes é que tal pessoa está trabalhando por si só. Não tem sido instruída por seus líderes, mas deixada a seu próprio entendimento. Não está cheio do Espírito, senão está trabalhando em seu próprio esforço.

4. Por que um modelo pentecostal?

Ao final de seu argumento acerca dos pneumaikos (dons espirituais), Paulo concluiu o seguinte: “Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor. Mas se alguém ignora isto, que ignore. Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibas falar em línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”, 1 Co 14.37-40.

Paulo nos segue dizendo o mesmo no dia de hoje por meio das Escrituras. O exercício ordenado de todos os dons espirituais é necessário para a edificação e o fortalecimento da igreja (1Co 14.26). Afinal de contas, o que poderia ser mais edificante aos que estão buscando a Deus do que o dar a eles a oportunidade de serem tocados pelo poder do Deus que eles estão invocando, expressado através dos dons do Espírito? Paulo dirigiu a mesma pergunta em 1 Coríntios 14.24-25: “Mas, se todos profetizarem, e algum indouto ou infiel entrar, de todos é convencido, de todos é julgado. Portanto, os segredos do seu coração ficarão manifestos, e assim, lançando- se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós”.

Se as promessas das Escrituras não são suficientes, temos todo um século de experiência pentecostal, combinado estreitamente com a maior onda de crescimento que o mundo tem visto em toda a história. De fato, temos um crescimento de igreja que excede ao da Igreja Primitiva, registrado no livro de Atos – para nos convencer de que devemos confiar no poder de Deus em vez de nosso próprio juízo e habilidade.

O pós-pentecostalismo, corresponde ao pentecostalismo idiotikos, ao ir contra a corrente do ensino bíblico, também vai contra a corrente deste período de maior êxito do crescimento da igreja. Ao mesmo tempo que milhões de incrédulos (apistoi) e novos crentes (idiotai) estão dirigindo seus barcos ao portos de igrejas pentecostais e neopentecostais, os pós-pentecostais estão fixando um curso que os conduzirá a mar aberto, contra o mar e o vento, entrando na tormenta. O futuro dos tais não parece ser tão brilhante. Pós-pentecostalismo? Que não seja assim.

 Notas

1) A palavra idiotikos não ocorre no texto grego do NT, mas é um adjetivo grego baseado na Palavra idiotes, que ocorre. 

2) Idiotai é a forma plural do substantivo idiotes.

3) “Se, pois, a igreja se reúne num só lugar, e todos e todos se puserem a falar em outras línguas, no caso de entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão porventura que estais loucos?” (Revista e Atualizada no Brasil).

4) BAUER, Walter, ARNDT, Wiliam F. E GRINGRICH, Wilbur F. A Greek-English lexicon of the New Testament and other early Christian Literature, 2ª Ed., Ed. Frederick Wiliam Danker (Chicago: University of Chicago Press, 1979), 370.

5) BAUER, Walter, ARNDT, Wiliam F. e GRINGRICH, Wilbur F. A Greek-English lexicon of the New Testament and other early Christian Literature, 2ª Ed., Ed. Frederick Wiliam Danker (Chicago: University of Chicago Press, 1979), 370.

6) Quero claramente afirmar a validade de todos os esforços para alcançar os incrédulos para Cristo. Meus comentários aqui não devem ser entendidos como uma crítica aos evangélicos que estão tentando ser fiel a Cristo em alcançar os não crentes. Mas procuro desafiar suposições feitas por pastores pentecostais que pensam que usar os dons espirituais em louvor resultará em evangelismo menos eficaz.

Glossário de termos

  

Os seguintes termos para a classificação das diferentes formas de adoração pentecostal    usados neste artigo se baseiam nas palavras gregas representadas em 1 Coríntios 14.

  

Pneumatikos: Adoração que é guiada e definida pelo Espírito Santo, incluindo a manifestação pública dos dons espirituais.

  

Idiotikos: Adoração que é determinada e definida pelos critérios de pessoas que não entendem e não crêem nos dons espirituais.

  

Maniko: Adoração caracterizada por manifestações maníacas que distorcem e  abusam dos dons espirituais.

  

Charismata:   Os dons do Espírito Santo, tais como línguas, milagres, curas, profecias etc.

Autor:

Joseph L. Castleberry é deão acadêmico do Seminário Teológico das Assembléias de Deus em Springfield, Missouri (EUA). Publicado na Revista Obreiro (CPAD).

dezembro 6, 2007 at 11:16 am Deixe um comentário

Conhecimento produz avivamento

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Proclamação da Palavra promove discernimento, obediência e zelo

 

 

O estudo da Palavra de Deus, sua divulgação e prática, são os elementos predecessores de um real avivamento. Vai longe o tempo em que associava-se conhecimento com ceticismo e frieza espiritual. Sabemos da grandiosidade do poder de Deus através de sua Palavra e, quanto mais a conhecemos, mais cientes ficamos de nossa dependência e do quanto Ele nos protege.

 

Conta-se a estória de uma família que se dispôs a fazer um cruzeiro em um navio de primeira classe. Como em toda a viagem marítima, receberam um manual de instruções contendo as informações necessárias aos tripulantes. Nele, estavam contidos todos os deveres, direitos e regalias das quais os viajantes precisavam tomar conhecimento.

 

No dia previsto, ignorando as informações previstas no manual, a família embarcou para a tão sonhada viagem e como era precavida, levou mantimento para passar quinze dias de navegação. Todos os dias nos horários das refeições enquanto as pessoas se dirigiam para o restaurante, os membros da família abriam suas lancheiras e se punham a degustar os alimentos que trouxeram. No décimo quinto dia, já não havia mais condições de engolirem aquela comida. Então, a força da necessidade falou mais alto que a da negligência e o pai da família resolveu convidar a todos para almoçarem no restaurante da embarcação.

 

Na entrada havia um recepcionista bem vestido que providenciava mesa e demais comodidades aos viajantes. A família se dirige até ele e o líder da casa, imaginando quão tremendo estrago causará no bolso por comparecer a um lugar tão grã-fino como aquele, arrisca a pergunta: “Quanto custa o almoço?” O rapaz com um sorriso nos lábios lhe responde gentilmente: “Quando o senhor retirou os bilhetes não recebeu um manual? Nele estava a informação de que, na compra dos bilhetes, estão incluídas as refeições de todos os dias”. 

 

Esta historieta nos dá a noção do que pode causar a falta de conhecimento. Todo avivamento espiritual registrado na Bíblia é resultado direto de uma renovada proclamação da Palavra de Deus e da obediência a Ela.

 

O grande teólogo Donald Stamps, autor das notas e estudos da Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD), afirmou que todos os reais e duradouros avivamentos são marcados pela reposição da Palavra de Deus ao seu devido lugar de autoridade e honra.

 

Reforma, Teologia e avivamento

 

O protagonista da Reforma Protestante, Martinho Lutero (1483-1546), foi um dos monges agostinianos mais disciplinados e competentes de seu tempo. Após estudar acuradamente a Bíblia, e depois de certificar-se que nela não havia nada sobre purgatório e muito menos pagamento como condição para alguém salvar-se, formulou 95 teses nas quais expunha os pontos básicos da Reforma condenando a venda de indulgências e enfatizando a temática da justificação pela fé, essência do protestantismo.

 

A publicação da Reforma deu-se em 31 de outubro de 1517 quando Lutero afixou na porta da Igreja de Witemberg. Por esta causa foi excomungado pelo papa. E não seria demais reafirmar que esse revolucionário movimento fora deflagrado em seu coração através do estudo da Palavra de Deus, em especial o texto de Rm 1.17 que diz: “Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé”.

 

No início do século passado por volta de 1900, alguns alunos de uma escola teológica começaram a estudar sobre o batismo no Espírito Santo. Entre esses alunos estavam Agnes Ozman e duas outras mulheres. O estudo ministrado pelo pastor Parham a seus 40 primeiros alunos era realmente gratificante, porém, a experiência durante o culto da noite de 1 de janeiro de 1901 foi algo marcante.

 Agnes Ozman, sentindo um forte desejo de ser batizada no Espírito Santo, perguntou ao pastor Parham se ele poderia impor suas mãos e orar para que ela recebesse a promessa.

De acordo com o relato de Parham, “Agnes Ozman falou chinês por três dias, durante os quais não podia falar nem escrever inglês”.

 

O mês de janeiro, então, é considerado a data oficial do movimento pentecostal que se estende até nossos dias.

 

A mensagem do pastor Parham e a notícia do que havia acontecido, influenciou J. A. Warren a abrir uma nova Escola Bíblica em Houston, Texas. Warren era orador leigo, metodista, assistente de Parham e Willian J. Seymour.

 

Seymour era negro e juntamente com outros, que se interessaram pela mensagem do Movimento da Fé Apostólica, mudou-se para Los Angeles e ali iniciou um ponto de pregação em uma casa de família na Bonnie Brae Street para um público mesclado. Ensinava, mediante as Escrituras, algo que ele mesmo ainda não havia provado. Entretanto, na data de 9 de abril de 1906, um domingo, o próprio Seymour e outros sete irmãos receberam o batismo no Espírito Santo. A repercussão foi instantânea e, com isso, o ambiente em pouco tempo tornou-se pequeno.

 

Seymour viu-se obrigado a obter um espaço maior, num lugar acessível a todos, foi assim que descobriu um prédio de uma Igreja Metodista Episcopal que estava fechado na rua Azusa, 312. Fundou-se então, nesse local, a Apostolic Faith Gospel Mission (Missão Evangélica da Fé Apostólica).

 

O movimento de Azusa Street 312 foi tão poderoso que causou grande vulto entre o povo, atraindo até mesmo a mídia secular, que por sua vez encarregou-se de divulgar os fatos e, à semelhança da Igreja Primitiva, que caiu na graça de todo o povo, vinham pessoas de várias partes do país e até mesmo do exterior, as quais recebiam poder do alto e levavam consigo a chama pentecostal para os pontos mais longínquos do globo terrestre, a exemplo de Gunnar Vingren e Daniel Berg, fundadores da AD e do movimento pentecostal no Brasil.

  

Restabelecendo o ensino

 

Tudo o que eu julgo ser bom, útil e importante para mim, é, e deve ser objeto de minha constante busca. Se a invulnerabilidade da vida cristã consiste em ser cheio do Espírito Santo, esse então é o meu objetivo. Minha vontade e meu desejo me encorajam a buscar essa virtude. E, se a via correta e racional para atingir esse alvo é o estudo da Palavra de Deus e não o emocionalismo ilusório, minha capacidade de busca optará por fazê-lo.

  

Descoberta, valorização e utilidade

 

Quando nos voltamos para o texto de 2Crônicas 34.15, onde diz: “E Hilquias respondeu e disse a Safa, o escrivão: Achei o livro da Lei na Casa do Senhor. E Hilquias deu o livro a Safa”; ficamos a pensar na deplorável situação em que se encontrava o majestoso templo construído no reinado de Salomão, todo trincado com fendas extremamente largas, em outros pontos da construção o estado era caótico, pois encontrava-se totalmente em ruínas.

 

Na memória de alguns, creio, imperava a lembrança do período áureo daquele local, onde era utilizado para cultuarem ao Senhor.

 

Imaginamos o descuido com algo tão importante como o Livro da Lei do Senhor existente no Templo por ordenança de seu escritor, o legislador Moisés (Dt 31.9-11, 24-26), a posição anterior do Livro junto à Arca do Concerto oferecia às pessoas seu valor e sua importância, mas agora lá estava Ele, jogado entre os escombros e entulhos do Santuário, semidestruído, como se nada representasse ou que nada significasse.

 Surge então um jovem rei que toma a sábia iniciativa de restaurar a Casa do Senhor, tanto no aspecto de benfeitorias no prédio como no restabelecimento do culto religioso.A descoberta do Livro foi importante mas nada significaria se não houvesse por parte de quem o achou interesse em desvendá-lo através da leitura e da execução do seu conteúdo.

A Bíblia afirma que o rei Josias foi o mais crente de todos os reis e que celebrou a maior festa espiritual (2Rs 23.25 e 2Cr 35.18).

 

Ele foi mais privilegiado em inteligência? Seu dia possuía mais horas que o das demais pessoas? Com certeza, não! Ele simplesmente não ignorou o valor da descoberta.

  

Equipe de apoio 

 

O rei contava com o apoio de uma equipe fiel e eficiente (2Cr 34.8-13,20,22). Uma parte cuidava das coisas espirituais e outra, das materiais. O escrivão Safa, autorizado pelo rei, falou com as pessoas responsáveis pela avaliação do orçamento (2Cr 34.8), logo após, foram até o sumo sacerdote Hilquias e entregaram a soma de dinheiro (2Cr 34.9) e, finalmente, levaram o montante e passaram às mãos de uma equipe que iria executar o serviço (2Cr 34.10-14). O rei ficou despreocupado pois sua equipe de pessoas competentes e, acima de tudo honestas, as quais receberam o dinheiro e o empregaram sem desperdiçá-lo (2Rs 22.7 e 2Cr 34.9-12).

 Já dentro do templo o sacerdote encontra o Livro da Lei e o entrega a Safã, porque o que lhe interessava era o bem estar do reino e não sua autopromoção (2Cr 34.15).

Percebe-se então que o departamento da ED precisa mais do que qualquer outro, de uma equipe de apoio aliada a um superintendente criativo. O corpo docente cuida da “Lei”, ou seja, do ensinamento da Palavra, e a equipe de apoio atende à parte administrativa da ED, auxiliando a todos. Coisas como: recepcionar visitantes, observar as pessoas que estão faltando, idealizar e promover eventos extraclasses (marketing) para estimular a freqüência da ED.

  

Avivamento com conhecimento

 

Avivamento sólido e real, com características autênticas e resultados concretos, consolida-se através do desempenho de etapas dentro do processo ensino/aprendizagem.

 

A Bíblia é rica em lições para nossas vidas. Se propusermo-nos a estudá-la, com certeza seremos mais abençoados. Existem pessoas que por desconhecerem as Escrituras, coagem Deus a lhes dar pela Bíblia aquilo que na verdade não lhe é devido.

  

Oração 

 

Tenha propósito definido em suas orações. Não peça porção dobrada do Espírito de Deus, isso é impossível que Ele faca, pois se fizer estará criando um deus superior a Ele.

 

Ore como Habacuque pedindo avivamento (Hc 3.1,2), não só você, mas todo o departamento de educação cristã.

  

Requisitos canalizadores e estimuladores do avivamento através do ensino

 

Você e sua equipe deverão ter visão ampla e criatividade para afastarem a monotonia e a rotina. É necessário triagem periódica para a identificação de problemas que, se ignorados, poderão avolumar-se. Com base nos episódios do rei Josias e das parábolas da ovelha e dracma perdidas (Lc 15.1-10), vamos analisar o ponto em comum existente entre seus acontecimentos.

  

Perceptibilidade 

 

Pode parecer fácil, mas se você não tiver unção do Espírito Santo e a assessoria devida de uma equipe, talvez não consiga perceber e identificar a falta de alguma coisa.

 

O rei Josias percebeu a precisão de uma reforma no templo para que, desse modo, garantisse o futuro da tribo de Judá, pois uma vida de espiritualidade efêmera está fadada ao fracasso. Com o templo o povo poderia cultuar a Deus e dessa forma ser mais submisso.

 

O homem que tinha cem ovelhas (Lc 15.4) só soube que faltava uma porque certamente conhecia todo o seu rebanho e valorizava-o por igual.

 

Semelhantemente a mulher que perdera sua dracma (Lc 15.8), ela tinha conhecimento do valor de sua moeda e mantinha afinidade com ela de igual modo.

 

E você, está sabendo valorizar os seus alunos?

  

Interesse 

 

O rei interessou-se pelo bem estar da sua alma como também com o de seus súditos. Preocupou-se em fazer conforme estava escrito no livro (2Cr22.13; 23.3).

 

A demonstração do interesse do homem por suas ovelhas e também da mulher por suas dracmas, pode ser percebido facilmente no fato de que, para que sentissem falta delas, no mínimo eram contadas todos os dias, pela manhã e pela tarde.

 

Se nosso departamento não se interessar pelo bem estar dos alunos faltosos, em pouco tempo não contaremos nem com a presença dos assíduos. Devemos mostrar empatia e preocupação pelos seus problemas e necessidades.

  

Disposição 

 

O rei se dispôs para que a obra fosse concluída. Mobilizou de um lado, mexeu de outro, e concretizou seu desejo. Evidente que isso tornou-se mais fácil, porque ele não se empenhou sozinho, mas delegou poderes a uma equipe disposta a qual estava trabalhando ao seu lado para atingir o mesmo objetivo.

 

O homem dono do rebanho com certeza enfrentou obstáculos mil para deixar seus compromissos e se lançar aos perigos de uma busca incerta. A mulher relegou tudo a segundo plano até encontrar sua dracma perdida.

  

Método

 

O condutor de Judá estava com o Livro da Lei nas mãos. Já o havia lido, porém não sabia que atitude tomar, foi quando então lhe veio à mente que sua equipe fiel e eficiente poderia consultar o Senhor, por ele e pelo povo (2Rs 22.13). Contudo, antes de tomar essa decisão ele havia feito quatro coisas comoventes que contribuíram decisivamente para o avivamento: (1) “…o teu coração se enterneceu…”; (2) “…e te humilhaste…”; (3) “…rasgaste as tuas vestes…”; (4) “…e choraste perante mim…” (2Rs 22.19).

 Compadeceu-se pelo povo (O aluno quer sentir isso do professor?).Reconheceu sua falibilidade (Só o aluno erra?).Esqueceu sua posição de superioridade e autoritarismo (Perco a minha autoridade sobre os alunos procedendo assim?).

Chorou por si e pelo povo (Temos orado para darmos exemplo? E nas orações, temos incluído nossos alunos?).

 

Não sabemos quanto tempo o pastor gastou procurando pela ovelha. Quem sabe levou alimento e passou muitos dias caminhando muitos quilômetros sob o sol escaldante. E utilizou vários meios diferentes para resgatá-la. Aja de forma imparcial e incondicional. Faça planos, defina objetivos, trace metas e convide sua equipe a convergir igualmente os esforços para sanar deficiências. Crie meios de atrair a atenção e depois conscientize os alunos de suas responsabilidades.

  

Divulgação

Naquela época não existia sistema de alto-falante, rádio, televisão, telefone e Internet. Então como o rei reuniu todo o povo desde o adulto até a criança? Mais uma vez o rei contou com a eficiência e disponibilidade de sua equipe que, com certeza, fez um grande trabalho de divulgação e convite, tão in tensivo que não faltou ninguém (2Rs 23.1,2).

 

O pastor após retornar de sua exaustiva jornada, ainda teve coragem de se dirigir à casa de amigos e vizinhos, convidando-os para juntos se alegrarem pelo encontro e resgate de sua ovelha (Lc 15.6). Em todos os casos, apesar de milenares, as personagens históricas funcionaram como importantes divulgadores do século 21.

 

Lembro-me quando foi lançada a campanha Biênio da Escola Dominical 96/97, Achei o Livro da Lei na Casa do Senhor (2Cr 34.15), nascida na visão da liderança da Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), alarmada com o fato de 80% dos crentes não freqüentarem a igreja aos domingos pela manhã. Os avanços acontecidos depois dessa campanha são inúmeros e impossíveis de mencionar.

 

Aqueles que popularizam sua ED estão ganhando almas e mais alunos com esse recurso. Muitas pessoas não a freqüentam por causa da falta de estímulo de seus dirigentes e coordenadores. Crie e mostre a necessidade de o aluno ir à ED, lembre-se que o que é bom, útil e importante pode e deve ser desejado. Promova mais a ED e você verá os resultados.

  Bibliografia

CARVALHO, César Moisés. Conhecimento produz avivamento. Revista Ensinador Cristão, ano 3, nº 9. Rio de Janeiro: CPAD, jan/mar 2002. pp.44-7.

Autor: César Moisés de Carvalho, pastor assembleiano e escritor.

novembro 29, 2007 at 4:52 pm Deixe um comentário

O antiintelectualismo mata, mas o Espírito vivifica

Leia a B�blia“Meu negócio não é como teologia, mas com joelhologia”. Essa frase, que tem aparência de espiritualidade, foi criada por um pregador piauense; e expressa um forte antiintelectualismo. O antiintelectualismo se manifesta na oposição do estudo sistemático da Sagrada Escritura, por meio da teologia. Os anti-intelectuais são contra o estudo acadêmico, pois segundo eles, o crente precisa somente orar e o Espírito Santo revela a sua vontade. A curso teológico, mesmo o ortodoxo, é criticado com unhas e dentes.01) A origem do antiintelectualismo protestante.O início do antiintelectualismo no protestantismo começou nos exageros do pregadores avivalistas do século 19, onde se dá o início do evangelicalismo. O problemas dos reavivamento nos Estados Unidos é que eles exageraram no aspecto emocional do cristianismo. Reagindo contra a apatia devocional de suas congregações, que eram secas emocionalmente, muitos crentes do século 19 caíram em outro estremo, o desprezo pela intelectualidade. “O pastor não eram mais um professor que ensinava uma determinada congregação, mas era uma celebridade que inspirava o público em massa”, observa Nancy Pearcey, que lembra os avivalistas que souberam manter o equilíbrio entre devoção e racionalismo, citando o exemplo de Jonathan Edwards¹.
O anti-intelectualismo já foi muito forte entre os pentecostais, fato esse que não pode ser negado. O teólogo Stanley M. Horton, o maior expoente hodierno do pentecostalismo clássico, escreveu:

O Dr. Burton Goddard, que me ensinou hebraico no Gordon (Seminário Teológico Gordon-Conwell), incentivou-me a ir para Harvard fazer doutorado em Antigo Testamento. Ele também me ajudou a conseguir uma excelente bolsa de estudos. Quando contei ao irmão Smuland, meu superintendente distrital, que eu estava agradecido a Deus pela bolsa de estudos, ele retrucou: – A Deus ou ao diabo?²

A missionária norte-americana Ruth Dorris Lemos junto como o seu esposo, o Rev. João Kolenda Lemos, implantaram o primeiro seminário assembleiano no Brasil, O Instituto Bíblico das Assembléias de Deus(IBAD) em outubro de 1958. Ela conta que “eles (os pastores brasileiros) não tinham uma visão desse trabalho aqui no Brasil. E também missionários de outros países não tiveram esse sentimento”.³
O antiintelectualismo dos assembleianos brasileiros não partiu dos missionários suecos. Eles sempre valorizaram o estudo bíblico, mas não tinham uma visão de seminários nos moldes americanos. O missionário Gunnar Vingren foi um dedicado seminarista por quatro anos em Chicago(EUA). O que prevaleceu foi as Escolas Bíblicas de Obreiros (EBO), que já fazem parte da tradição assembleiana. As EBO´s eram realizadas em pequenos períodos no ano. Apesar das EBO´s, muitos pastores pentecostais no Brasil eram anti-intelectuais e acusavam os seminários de “fábricas de pastores”.
Esse tempo passou, hoje o número de eruditos pentecostais só está crescendo, os seminários e faculdades assembleianas proliferam por todo o Brasil. Hoje, o perigo está em vários jovens que buscam seminários, e caem em covis de cobras do liberalismo teológico de Rudolf Bultmann ou da neo-ortodoxia de Karl Barth. Há até pentecostal que é considerado maior defensor do teísmo aberto, modismo teológico de origem liberal.

02) o antiintelectualismo e o neopentecostalismo.
O antiintelectualismo se manifesta de maneira violenta, hoje, no neopentecostalismo. O maior líder neopentecostal do Brasil escreveu:

Todas as formas e ramos da teologia são fúteis, não passam de emaranhados de idéias que nada dizem ao inculto, confundem os simples e iludem o sábio. Nada acrescentam à fé e nada fazem pelos homens, a não ser aumentar sua capacidade de discutir e discordar entre si. 4

Será que esse líder não lembra dos benefícios, para o cristianismo, por parte dos teólogos ortodoxos que amavam a palavra de Deus? Certamente, se as ovelhas de muitos mercadores na fé, tivessem o mínimo de conhecimento bíblico, não entregariam os seus bens para sugadores e aproveitados, que usam a Bíblia de maneira indevida.
A cada dia nasce uma nova denominação neopentecostal no Brasil, mas a maioria esmagadora dessas novas denominações, já nascem sem Escola Dominical. Será um interesse na ignorância do povo? Infelizmente, muitas congregações de denominações tradicionais abandonaram a Escola Dominical.

03) a falácia do antiintelectualismo.

Um dos textos bíblicos mas usados pelos defensores do antiintelectualismo, se encontra em 2Co 3.6b(A letra mata, e o espírito vivifica). Quanto Paulo diz que a letra mata, ele não está se referindo ao estudo, mas a letra da lei de Moíses, que a ninguém salva, mas mostra o estado pecaminoso do homem e a severidade em relação ao pecado.
A Bíblia, pelo contrário, incetiva a busca pelo conhecimento:

a) Não se aparte de sua boca o livro dessa Lei; antes medita nele dia e noite (Js 1.8a)

b) A exposição de tuas palavras dá luz e dá entendimento aos símplices (Sl 119.130).

c) No ano primeiro de seu reinado, eu Daniel, entendi pelos livros que o número de anos, de que falou o Senhor ao profeta Jeremias, em que haviam de acabar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos (Dn 9.2).

d) Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor (Os 6.3a).

e) Errais não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus (Mt 22.29).

f) Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam (Jo 5.39).

g) Persiste em ler, exortar e ensinar (1Tm 4.13).

h) Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos (2Tm 4.13).

i) Antes, crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2 Pe 3.18).

04) as causas do antiintelectualismo.

Os principais fatores que contribuem para um forte antiintelectualismo no meio evangélico é o pragmatismo religioso e o empirismo desenfreado.
O pragmatismo baseia a verdade em sua utilidade e satisfação. O pragmático nunca pergunta se algo é verdadeiro, mas a sua pergunta é se algo funciona. A partir do momento que a funcionalidade de algo é a busca primaz do agente pesquisador, a sua tendência será o antiintelectualismo. A verdade, e sua busca, está em segundo plano. O pragmático descobre, por exemplo, que um homem cura enfermos com “o cuspe de Cristo”, em vez de buscar a base escriturística e fundamentar esse fato na verdade bíblica, o sujeito prefere a “cura do cuspe”, pois funciona.
O empirismo evangélico é pai do antiintelectualismo, pois baseia as suas “verdades” em experiência. As experiência são levadas as extremos, estabelecendo até doutrinas. Os “empiristas gospel” são anti-intelectuais de carteirinha. Um famoso pregador empirista, chamou o seu doutorado de porcaria, se vê o valor da teologia para esse pregador. É bom observar que há vários sites oferecendo doutorado de teologia por correspondência, puro engano e fraude.

05) o equilíbrio entre intelectualidade e devoção.

Há uma idéia muita errada, que associa estudo a apatia espiritual. O estudo não produz crentes nominais ou pessoas frias na fé com Cristo. Grandes eruditos, como muitos analfabetos estão mortos espiritualmente. O que determina comunhão com Deus não é o exterior (bens materiais, graduações etc), mas uma busca sincera por Deus. O mais importante é o equilíbrio de uma devoção emocional ao estudo intelectualizado. John Stott, em seu livro Cristianismo Equilibrado5, fez uma importante observação:

Alguns crentes são tão friamente intelectuais que se questiona serem eles mamíferos de sangue quente, para não dizer seres humanos, ao passo que outros são tão emocionais que se deseja saber se são possuidores de uma porção mínima de massa cinzenta. Eu me sinto constrangido a dizer que o mais perigoso dos dois extremos é o anteintelectualismo de depois a entrega ao emocionalismo…
Sinto-me na obrigação de acrescentar, contudo, que se o antiintelectualismo é perigoso, a polarização oposta é quase igualmente perigosa. Um hiperintelectualismo árido e sem vida, uma preocupação exclusiva com ortodoxia não é cristianismo do Novo Testamento. Não há dúvida de que os crentes primitivos eram profundamente motivados pela experiência de Jesus Cristo.

Nada de antiintelectualismo, mas não se deve cair no extremo do hiperintelectualismo, como lembra Stott. Ambos são prejudiciais, pois os extremos são perigosos. O estudo não pode deixar ninguém sem emoções, as emoções não podem deixar alguém sem racionalidade.

Conclusão:

O cristão deve rejeitar a teologia, filosofia, biologia, psicologia e outros ramos de estudo que trazem conceitos baseados em mentiras, que contrariam as verdades bíblicas. Mas tudo aquilo que a teologia, filosofia, biologia, psicologia e outros ramos de estudo que trazem como verdades, que se baseiam na revelação bíblica, deve ser abraçada pelo cristão. A frase do Clemente de Alexandria, um dos pais da igreja, deve ser lembrada, ele disse: “Toda verdade é a verdade de Deus”.

Referências bibliográficas:

1- PERCEY, Nancy. Verdade Absoluta. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p. 297 e 300.

2- HORTON, Stanley M. O Avivamento Pentecostal. 4. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001. 32,33.

3- frase de: LEMOS, Ruth Dorris. Atividade Feminina: Vida totalmente dedicada ao Mestre. Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro, maio de 2006, ano 76, n. 1452. p. 19.

4- MACEDO, Edir. A Libertação da Teologia, p. 17. citado por: SOARES, Esequias. Heresias e Modismos. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p. 332.

5- Publicado pela CPAD.

Autor: Gutierres Siqueira, moderador desse site. 

novembro 23, 2007 at 4:06 pm 1 comentário


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