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Não quero ser apóstolo

 

Não Quero Ser Apóstolo

Os pastores possuem um fino senso de humor. Muitas vezes, reúnem-se e contam casos folclóricos, descrevem tipos pitorescos e narram suas próprias gafes. Riem de si mesmos e procuram extravasar na gargalhada as tensões que pesam sobre os seus ombros. Ultimamente, fazem-se piadas dos títulos que os líderes estão conferindo a si próprios. É que está havendo uma certa, digamos, volúpia em pastores se promoverem a bispos e apóstolos. Numa reunião, diz a anedota, um perguntou ao outro: “Você já é apóstolo?” O outro teria respondido: “Não, e nem quero. Meu desejo agora é ser semideus. Apóstolo está virando arroz de festa, e meu ministério é tão especial que somente o título de semideus cabe a mim”. Um outro chiste que corre entre os pastores é que se no livro do Apocalipse o anjo da igreja é um pastor, logo, aquele que desenvolve um ministério apostólico seria um “arcanjo”.

Já decidi! Não quero ser apóstolo! O pouco que conheço sobre mim mesmo faz-me admitir, sem falsa humildade, que eu não teria condições espirituais de ser um deles. Além disso, não quero que minha ambição por sucesso ou prestígio, que é pecado, se transforme em choça.

O apostolado consta entre os cinco ministérios locais descritos pelo apóstolo Paulo em Efésios 4.11. Não há como negar que os apóstolos foram estabelecidos por Deus em primeiro lugar, antes dos profetas, mestres, operadores de milagres e curas, aqueles que prestam socorro, aqueles que governam e aqueles que falam variedades de línguas. Mas resigno-me contente à minha simples posição de pastor. Já que nem todos são apóstolos, nem todos são profetas, nem todos são mestres ou operadores de milagres, como consta em 1 Coríntios 12.29, parece não haver demérito em ser um mero obreiro.

Meus parcos conhecimentos do grego não me permitem grandes aventuras léxicas. Mas qualquer dicionário teológico serve para ajudar a entender o sentido neotestamentário do verbete “apóstolo”, ou “apostolado”. Vejamos o que registra a Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã:

O uso bíblico do termo “apóstolo” é quase inteiramente limitado ao NT, onde ocorre setenta e nove vezes; dez vezes nos evangelhos, vinte e oito em Atos, trinta e oito nas epístolas e três no Apocalipse. Nossa palavra em português é uma transliteração da palavra grega apostolos, que é derivada de apostellein, enviar. Embora várias palavras com o significado de enviar sejam usadas no NT, expressando idéias como despachar, soltar, ou mandar embora, apostellein enfatiza os elementos da comissão — a autoridade de quem envia e a responsabilidade diante deste. Portanto, a rigor, um apóstolo é alguém enviado numa missão específica, na qual age com plena autoridade em favor de quem o enviou, e que presta contas a este.

Jesus foi chamado de apóstolo em Hebreus 3.1. Ele falava os oráculos de Deus. Os doze discípulos mais próximos de Jesus também receberam esse título. Parece que o número de apóstolos era fixo, porque há um paralelismo com as doze tribos de Israel. Jesus se refere a apenas doze tronos na era vindoura (Mt 19.28; cf. Ap 21.14). Depois da queda de Judas, e para que se cumprisse uma profecia, ao que parece, a igreja sentiu-se obrigada, no primeiro capítulo de Atos, a preencher esse número. Mas, na história da igreja, não se tem conhecimento de esforços para selecionar novos apóstolos para suceder àqueles que morreram (At12.2). Com o passar do tempo, as exigências para que alguém se qualificasse ao apostolado já não poderiam se cumprir:

É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição (At 2.21, 22).

Portanto, alguns dos melhores exegetas do Novo Testamento concordam que as listas ministeriais de 1 Coríntios 12 e Efésios 4 referem-se exclusivamente aos primeiros, e não a novos apóstolos.

Há, entretanto, a peculiaridade do apostolado de Paulo. Uma exceção que confirma a regra. Na defesa de seu apostolado em 1 Coríntios 15.9, ele afirma que foi testemunha da ressurreição (viu o Senhor na estrada de Damasco), mas reconhece que era um abortivo (nascido fora de tempo): “Porque sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus” (1 Co 15.10). O testemunho de mais de dois mil anos de história é que os apóstolos foram somente aqueles doze homens que andaram com Jesus e foram comissionados por Ele para serem as colunas da igreja, comunidade espiritual de Deus.

O que preocupa em relação aos apóstolos pós-modernos é ainda mais grave. Está ligado à nossa natureza, que cobiça o poder, que se encanta com títulos e que faz do sucesso uma filosofia ministerial. Tem acontecido uma corrida frenética nas igrejas para ver quem é o maior, quem está na vanguarda da revelação do Espírito Santo e quem ostenta a unção mais eficaz. Tanto que os que se afoitam ao título de apóstolo são os líderes de ministérios de grande visibilidade e que conseguem mobilizar grandes multidões. Possuem um perfil carismático, sabem lidar com massas e, infelizmente, são ricos.

Não quero ser um apóstolo porque não desejo a vanguarda da revelação. Desejo ser fiel ao leito principal do cristianismo histórico. Não quero uma nova revelação que tenha sido despercebida por Paulo, Pedro, Tiago ou Judas. Não quero ser apóstolo porque não quero me distanciar dos pastores simples, dos missionários sem glamour, das mulheres que oram nos círculos de oração e dos santos homens que me precederam e que não conheceram as tentações dos megaeventos, do culto espetáculo e da vanglória da fama. Não quero ser apóstolo porque não acho que precisemos de títulos para fazer a obra de Deus, especialmente quando eles nos conferem status. Aliás, estou disposto até mesmo a abrir mão de ser chamado pastor, se isso representar uma graduação, e não uma vocação ao serviço.

Não desdenho as pessoas. Apenas sinto um profundo pesar em perceber que a ambiência evangélica conspira para que homens de Deus sintam-se tão atraídos à ostentação de títulos, cargos e posições. Embriagados com a exuberância de suas próprias palavras, crentes que são especiais aceitam os aplausos que vêm dos homens e esquecem que não foi esse o espírito que norteou o ministério de Jesus de Nazaré.

Jesus nos ensinou a não cobiçar títulos e a não aceitar as lisonjas humanas. Quando um jovem rico o saudou com um “Bom Mestre”, rejeitou a interpelação: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus” (Mc 10.17, 18). A mãe de Tiago e João pediu um lugar especial para os seus filhos. Jesus aproveitou o mal-estar causado para ensinar:

Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. (Mt 20.25-28.)

Os pastores estão se esquecendo do principal. Não fomos chamados para ter ministérios bem-sucedidos, mas para continuar o ministério de Jesus, que foi amigo dos pecadores e compassivo com os pobres, e identificou-se com as dores das viúvas e dos órfãos. Ser pastor não é acumular conquistas acadêmicas, não é conhecer políticos poderosos, não é ser um gerente de grandes empresas religiosas, não é pertencer aos altos escalões das hierarquias religiosas. Pastorear é conhecer e vivenciar a intimidade de Deus com integridade. Pastorear é caminhar ao lado da família que acaba de enterrar um filho prematuramente e que precisa experimentar o consolo do Espírito Santo. Pastorear é ser fiel a todo o conselho de Deus; é ensinar ao povo a meditar na Palavra de Deus. Ser pastor é amar os perdidos com o mesmo amor com que Deus os ama.

Pastores, não queiram ser apóstolos, mas busquem o secreto da oração. Não ambicionem ter megaigrejas, mas busquem ser achados despenseiros fiéis dos mistérios de Deus. Não se encantem com o brilho deste mundo, mas busquem ser apenas serviçais. Não alicercem seus ministérios sobre o ineditismo, mas busquem manejar bem a Palavra da verdade, aquela mesma que Timóteo ouviu de Paulo e que deveria transmitir a homens fiéis e idôneos, que por sua vez instruiriam a outros. Pastores, não permitam que os seus cultos se transformem em shows. Não alimentem a natureza terrena e pecaminosa das pessoas; preguem a mensagem do Calvário.

Santo Agostinho afirmou: “O orgulho transformou anjos em demônios”. Se quisermos nos parecer com Jesus, sigamos o conselho de Paulo aos filipenses: “Tende o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois Ele subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.5-8).

por Pr. Ricardo Gondim, líder da Assembléia de Deus Betesda.

julho 6, 2008 at 1:22 am 2 comentários

Uma inspiração

Frida Vingren foi uma mulher fantástica. Esposa do fundador das Assembléias de Deus no Brasil, ela tinha brilho próprio.

É possível conhecer sua têmpera pelo pouco de sua ternura que transbordou em um hino que compôs, e que faz parte do cancioneiro pentecostal.

A poesia de Frida Vingren contraria a onda triunfalista que assola os religiosos que ainda têm a petulância de se denominarem evangélicos –  coisa que não são.

Eu já cantei esse hino entre lágrimas e sempre que estou debaixo de muito estresse, gosto de citá-lo – já que não consigo cantar mesmo.

1
Bem-aventurado o que confia
No Senhor, como fez Abraão;
Ele creu, ainda que não via,
E, assim, a fé não foi em vão.
É feliz quem segue, fielmente,
Nos caminhos santos do Senhor,
Na tribulação é paciente,
Esperando no seu Salvador.

2
Os heróis da Bíblia Sagrada,
Não fruíram logo seus troféus;
Mas levaram sempre a cruz pesada,
Para obter poder dos céus,
E depois, saíram pelo mundo,
Como mensageiros do Senhor,
Com coragem e amor profundo,
Proclamando Cristo, o Salvador.

3
Quem quiser de Deus ter a coroa,
Passará por mais tribulação;
Às alturas santas ninguém voa,
Sem as asas da humilhação;
O Senhor tem dado aos Seus queridos,
Parte do Seu glorioso ser;
Quem no coração for mais ferido,
Mais daquela glória há de ter.

4
Quando aqui as flores já fenecem,
As do céu começam a brilhar;
Quando as esperanças desvanecem,
O aflito crente vai orar;
Os mais belos hinos e poesias,
Foram escritos em tribulação,
E do céu, as lindas melodias,
Se ouviram, na escuridão.

5
Sim, confia tu, inteiramente;
Na imensa graça do Senhor;
Seja de ti longe o desalento
E confia no Seu santo amor.
Aleluia seja a divisa,
Do herói e todo o vencedor;
E do céu mais forte vem a brisa,
Que te leva ao seio do Senhor.

Que o espírito de Frida Vingren volte aos arraiais pentecostais, ela sabia coisas que a atual geração ainda não aprendeu.

Soli Deo Gloria.

Ricardo Gondim é pastor da Assembléia de Deus Betesda.

junho 16, 2008 at 12:10 pm 2 comentários

Um novo modismo evangélico

Eu estava no culto em que um pastor alardeou que obturações de ouro seriam dadas por Deus. Em instantes, as pessoas passaram a examinar umas às outras e pasmas, choravam afirmando que muitos dentes estavam divinamente restaurados. Presenciei um evangelista norte americano soprando – pretensamente como Jesus fez em seu ministério – e pessoas sendo jogadas no chão. Assustei-me com a trivialidade com que alguns pastores relataram seus encontros com anjos. Estupefato ouvi um novo modo de orar entre os evangélicos; as preces, agora vinham entrecortadas com ordens, exorcizando demônios. Inquietei-me com uma geração de evangélicos amedrontados com maldições e pragas. Imperativos que “amarravam” demônios me deixaram desassossegado.

 

A igreja evangélica brasileira é muito frágil teologicamente. Por isso sofre com os mais diversos modismos. Lembro-me que, em um congresso para líderes, fui desafiado a falar sobre qual seria a próxima moda que varreria a igreja nacional. Recordo-me que precedi minha palestra afirmando que primeiramente, seria necessário entender que as forças do mercado agem com muita força na elaboração teológica. Qualquer movimento vindo do exterior e que tenha sido bem sucedido lá, será copiado. As lideranças evangélicas querem achar o método que alavancará suas comunidades. Se uma determinado estratégia mostra-se eficaz no exterior, aqui dificilmente se questionará a teologia que a alicerça. Segundo, o brasileiro é culturalmente místico. Tendemos aceitar acriticamente propostas teológicas que promovam experiências sobrenaturais. O brasileiro fascina-se pelo mistério e pela magia. Afirmei naquela palestra também, que, como o mundo pós-moderno, a igreja busca estratégias de resultado imediato.

 

Acredito que os modismo não podem ser detectados com antecedência. Mas qualquer que seja a próxima onda, a igreja precisa estabelecer alguns princípios. Eles ajudarão que se embarque em novidades sem discernimento crítico.

 

1) A teologia da Cruz.

 

Paulo escreveu a sua epístola aos Gálatas, preocupado que houvesse acréscimos à cruz. Os fariseus convertidos queriam que, além da doutrina da redenção, se acrescentassem alguns preceitos essenciais ao judaísmo, como a circuncisão. Sua carta procurava enaltecer a total suficiência do sacrifício de Cristo. Ele acreditava que qualquer acréscimo à expiação de Cristo não apenas enfraquecia as bases do Cristianismo, como anulava-as. “Eu, porém, irmãos, se ainda prego a circuncisão, por que continuo sendo perseguido? Logo está desfeito o escândalo da cruz”– Gálatas 5.11.

 

Não seriam os movimentos de “Cura Interior” que se alastram nas igrejas evangélicas um enfraquecimento da doutrina do novo nascimento? Recebi de um leitor do Ultimato um formulário com quatorze páginas de um seminário de cura interior ministrado em várias igrejas pelo Brasil. O seminário é para cristãos que ainda carregam seqüelas do passado de pecado. A pessoa passa por uma longa sabatina, revolvendo toda a sua vida e procurando encontrar aberturas espirituais no passado que tragam maldições no presente. Buscam ser exaustivos e chegam às raias da paranóia. Indagam se a pessoa comeu cocada no dia em que se celebra Cosme e Damião, se os seus pais ou avós freqüentaram reuniões de cultos afro brasileiros. Querem saber se a pessoa sonha freqüentemente com “negros” em um flagrante preconceito que fere, inclusive a Constituição. Há encontros em que se praticam regressões até a vida intra uterina. Pede-se à pessoa que visualize o esperma do pai encontrando-se com o óvulo da mãe e que detecte sinais de maldição que tenha desdobramentos em sua vida presente. Mesmo aceitando que haja escolas da psicologia que advoguem a regressão como técnica terapêutica. Ela é inaceitável como prática espiritual. Não há como negar que uma pessoa convertida ainda pode carregar seqüelas emocionais, traumas psicológicos e até desequilíbrios psíquicos. Entretanto, é inadmissível que um cristão nascido de novo ainda necessite “quebrar” maldições de sua vida passada. A Bíblia contém inúmeros textos afirmando o contrário: “Não vos lembreis das cousas passadas, nem considereis as antigas…Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e de teus pecados não me lembro”- Isaías 43.18,25. “Pois perdoarei as suas iniqüidades, e dos seus pecados jamais me lembrarei”- Jeremias 31.34. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”- João 8.36. “E assim, se alguém está Cristo, é nova criatura, as cousas antigas já passaram; eis que tudo se fez novo”- 2 Coríntios 5.17. Mas uma cousa faço: esquecendo-me das cousas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”- Filipenses 3.13-14. Sessões de cura interior são inócuas para preservar qualquer pessoa espiritualmente, danosas na gestação de autênticos discípulos e um horror como cura psicológica. Alguém que se submeteu a uma sessão de “Cura Interior” corre o risco de entrar em uma paranóia espiritual e descobrir que continua sofrendo com seus traumas psicológicos, e pode facilmente se desesperar pois foi-lhe prometido que Deus a curaria instantaneamente.

 

O Evangelho Antropocêntrico.

 

Desde a Modernidade e com o apogeu do Iluminismo, homens e mulheres subiram em um pedestal. O mundo ocidental acredita que merecemos ser felizes e que tudo deve gravitar em torno de nos tornar plenos. Inclusive Deus. Devido a essa visão, aprendemos um conceito religioso egoísta. Entendemos como evangelho o anúncio de um Deus que nos faça bem. Que esteja ao nosso dispor. Assim, nossas preces se resumem a pedir. Queremos que nosso louvor seja agradável a nós mesmos. Compreendemos conversão como uma descoberta que nos fez mais felizes. Hoje, muitos evangélicos aprenderam a “reivindicar” direitos e “decretar” bênçãos. Recentemente vi um adesivo colado no vidro do carro de um crente que pedia: “Dê uma chance para Deus.” Quem será que necessita de uma chance? Deus ou homens e mulheres que se rebelaram contra Deus que é amoroso e bom? Estarrecido, soube que há encontros evangélicos onde as pessoas aprendem a “liberar” perdão para Deus. É o cúmulo! Inverteram-se os papéis. Deus agora precisa ser perdoado? Urge voltar ao anúncio do Reino em que ele é Senhor Soberano e amorosamente estende sua graça para todos.

 

Atalhos.

 

Tanto as forças do mercado como a tecnologia pós moderna condicionam esta geração ao imediatismo. Acredita-se que tudo pode ser resolvido no estalar de dedos. As propagandas na televisão conseguem solucionar os problemas de limpeza de uma casa, garantem seguro médico, prometem férias felizes, dão-nos prestígio. Tudo em 30 segundos. Buscamos também resolver nossos dilemas espirituais em rápidos momentos de um culto. Infantilmente acreditamos que bastam alguns momentos de êxtase espiritual para subirmos os penosos degraus da maturidade cristã. Paulo admitiu que necessitava mais do que surtos de adrenalina espiritual: “mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado”- I Coríntios 9.27. Não há atalhos na escola de Deus. Nada substitui o discipulado. Nenhum método suplantaria a igreja como comunidade terapêutica. Experiências com Deus se acumulam com amargas derrotas e felizes triunfos. Dia a dia aprende-se a fidelidade de Deus. Devemos olhar com cautela ministérios que prometem que em um simples final de semana os imaturos serão transformados em líderes capazes. É potencialmente desastroso montar uma estrutura eclesiástica em técnicas tão velozes.

 

Os modismos são sinais dos tempos. Para não sermos levados por todo vento de doutrina, portemo-nos como os bereanos, conferindo com as escrituras todas as novidades que surgem no cenário religioso. Acreditemos que passarão os céus e a terra, mas a sua Palavra permanecerá.

 

Soli Deo Gloria.

 

Ricardo Gondim Rodrigues é teólogo, escritor e pastor da Assembléia de Deus Betesda.

maio 9, 2008 at 1:15 pm Deixe um comentário

O ‘cair no espírito’ é consistente com uma Cosmovisão Bíblica?

Hoje milhares de pessoas estão rotineiramente “caindo no espírito” em nome de uma demonstração moderna e palpável do poder do Espírito Santo. Os praticantes alegam ampla validação desse fenômeno na Escritura, na história da igreja e na experiência. Contudo, o fenômeno não apenas está claramente ausente no ministério de Jesus e dos Apóstolos, mas é totalmente inconsistente com uma cosmovisão bíblica.

Primeiro, como apropriadamente observado por fontes pro-Pentecostais, tais como o

Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements (DPCM) (Grand Rapids: Zondervan, 1988): “Um batalhão inteiro de textos-prova da Escritura é alistado para apoiar a legitimidade do fenômeno, embora a Escritura claramente não ofereça nenhum apoio para o fenômeno como sendo algo a ser esperando na vida cristã normal” (p. 790).

Além do mais, a experiência de “cair no espírito” pode ser atribuída à mera manipulação humana. De acordo com o DPCM, “em adição a Deus, a fonte da experiência pode ser uma resposta puramente humana à auto-sugestão, pressão do grupo, ou simplesmente um desejo de experimentar o fenômeno” (p. 789). Os sarcásticos podem escrever sobre o uso de estados alterados de consciência, pressão do grupo, expectações, e poderes sugestivos como mera manipulação sócio-psicológica, mas os cristãos devem perceber uma ameaça ainda mais significante – essas técnicas são solo fértil para o engano satânico e espiritual.

Finalmente, o fenômeno de “cair no espírito” tem mais em comum com o ocultismo do que com uma cosmovisão bíblica. Um popular praticante do “cair no espírito”, Francis MacNutt, confessa honestamente em seu livro Overcome by the Spirit, que o fenômeno é extremamente similar às “manifestações de vudu e outros rituais mágicos” e é “encontrado hoje entre tribos primitivas da África e América Latina”. Em rígido contraste, a Escritura deixa claro que como cristãos devemos ser “sóbrios e alertas” (1 Pedro 5:8), ao invés de estar num estado alterado de consciência ou “cair no espírito”.

Para estudo adicional, veja Hank Hanegraaff, Counterfeit Revival: Looking for God in All the Wrong Places, rev. ed. (Nashville: Word Publishing, 2001).

I PEDRO 5:8-9

“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário,

anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem

possa tragar. Ao qual resisti firmes na fé.

 

Fonte: The Bible Answer Book, Hank Hanegraaff, Thomas Nelson p. 82-5.

Traduzido por: Felipe Sabino do site Monergismo.com

Autor: Hank Hanegraaff, presidente do Instituto Cristão de Pesquisas dos EUA.

 

 

março 7, 2008 at 2:27 pm 2 comentários

O Evangelho do Entretenimento

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Pr. Ciro Sanches Zibordi

“Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (I Coríntios 14:26)

Nunca o mundo esteve tão religioso, e as igrejas tão mundanas. Não se faz mais distinção entre shows e cultos de “adoração”. Em algumas reuniões, os jovens utilizam gritos característicos das torcidas de futebol, como “Ê-ô, ê-ô, Jesus Cristo é o Senhor!” ou “Eu já falei, vou repetir, é Jesus Cristo que comanda isso aqui!”, além de dançarem ao som de ritmos pra lá de vibrantes.

Há igrejas cujo púlpito é uma prancha de surf, freqüentadas por jovens que, nos “cultos”, vestem bermudas, calçam chinelos de dedo, além de exibirem tatuagens e piercing. Para arrecadar fundos extras, algumas denominações realizam festas similares às juninas, permitindo que seus membros dancem quadrilha no “arraiá evangélico”. E há até igrejas que promovem uma espécie de Halloween – dia das bruxas –, alterando o nome para Elohin!

O que é o evangelho do entretenimento?

O evangelho do entretenimento tem transformado os cultos de Deus em meros ajuntamentos para pular, gritar, dançar, assobiar, fazer “trenzinho”, cantar, cantar e cantar. Trata-se de um evangelho “sem limites”, que pode ser comparado ao “fermento” de Herodes (Marcos 8:15) – os herodianos eram liberalistas, modernistas, secularistas, irreverentes e contextualizadores.

Nos “cultos-shows” não há espaço para a exposição da Palavra de Deus. Em muitas dessas reuniões de “adoração extravagante” – expressão muito em voga na atualidade –, a pregação, quando ocorre, é uma rápida palestra motivacional, voltada para o bem-estar dos espectadores, e não uma exposição da sã doutrina. Tudo é feito a fim de agradar e entreter a “galera”.

Fico imaginando como Paulo reagiria, em seu tempo, se os crentes fossem aos cultos em busca de entretenimento. Ele, que sempre combateu a desordem, deu as seguintes instruções sobre a Ceia do Senhor: “…se algum tiver fome, coma em casa, para que não vos ajunteis para condenação” (I Coríntios 11:34). E, quanto aos dons espirituais, enfatizou: “…faça-se tudo decentemente e com ordem” (I Coríntios 14:40).

Muitos músicos, em nossos dias, orientados pelos propagadores desse falso evangelho – essencialmente comercial e também voltado para as preferências humanas –, imitam os intérpretes mundanos, secularizando cada vez mais a liturgia do culto. Mas Deus não mudou; a Sua Palavra é a verdade. E nela está escrito: “Guarda o teu pé, quando entrares na Casa de Deus…” (Eclesiastes 5:1).

Comecemos pela música

É impossível imaginar o mundo sem a música. Ela está presente em todos os lugares: rádio, televisão, cinema, discotecas, atividades políticas e cívicas, eventos sociais ou desportivos, comemorações, funerais, etc. A música, além de ser a linguagem universal da humanidade, é uma ciência e uma arte. Daí o salmista ter dito: “…tocai bem [técnica] e com júbilo [arte]” (Salmos 33:3).

O vocábulo latino musica vem do grego mousiké, “a arte das musas”. Na mitologia grega, há nove musas que patrocinam as ciências e as artes. Calíope (poesia épica), Clio (história), Euterpe (música), Melpômene (tragédia), Tália (comédia), Urânia (astronomia), Érato (poesia amorosa), Terpsícore (dança) e Polímnia (hinos).

Segundo o dicionário da língua portuguesa, a música é a arte e a técnica de combinar sons de maneira agradável ao ouvido. Agradável, não em relação ao gosto musical, mas no que diz respeito aos bons efeitos que ela deve causar ao ouvido humano. Para isso, a música precisa ser composta de emissões vibratórias com freqüências bem definidas, que podem ser capturadas pelas limitações fisiológicas do ouvido.

Para o seguidor de Cristo, a música é muito mais que uma ciência, uma arte ou forma de expressão. É um meio pelo qual se adora ao Senhor, seja através dos cânticos, seja mediante a execução de instrumentos (Salmos 150). Como servos de Deus, devemos cantar ao Senhor um cântico novo e adorá-Lo na beleza de Sua santidade (Salmos 96:1,9).

Acredite se quiser!

Estilos musicais como o rock exigem um elevado volume de som. E o nosso ouvido não suporta altos níveis de ruído. Como a intensidade de som – medida em decibéis – aumenta de forma logarítmica, e não aritmética, um simples aumento de três decibéis implica em dobrar a intensidade do som. Como comparativo, um aspirador de pó chega a produzir oitenta decibéis; já uma turbina de avião, 120.

Já se constatou, por meio de estudos científicos, que o ouvido humano pode suportar, sem prejuízo auditivo, as seguintes taxas: a 111 decibéis, quase quatro minutos; a 120, cerca de 28 segundos; a 129, quase quatro segundos; e q 138 decibéis, o ouvido suportaria menos da metade de um segundo! Não é por acaso que há várias pessoas com deficiência auditiva.

Em algumas cidades brasileiras, as reclamações a respeito do barulho nas igrejas são tantas, que levaram as prefeituras a obrigar as instituições e espaços destinados a cultos religiosos a ter dispositivos de proteção acústica (bloqueadores de ruídos), prometendo multar, cassar a licença, retirar equipamentos sonoros ou até fechar os estabelecimentos em que o barulho ultrapasse os limites para cada zona e horário. Devemos encarar isso como uma perseguição aos evangélicos?

Alguns estilos são hipnóticos – isso em razão da pouca variação rítmica e da repetição de palavras, que criam um estado emocional tal que a mente deixa de funcionar normalmente. Há experiências sérias sobre hipnose e ritmo que comprovam o quanto certos estilos podem destruir o mecanismo inibitório normal do córtex cerebral, permitindo fácil aceitação da imoralidade, bem como o desrespeito de normas morais. 2

A guitarra rítmica, quando distorcida, confere carga emocional e agressividade à música. A guitarra solo, ao acentuar os sons graves e reforçar os agudos, prolongando-os, gera suspense, tensão e expressividade adequados para levar os ouvintes ao delírio. E a bateria, quando tocada de modo exagerado, tira o ouvinte a capacidade de raciocinar normalmente. Acredite se quiser!

Salmos, hinos e cânticos espirituais

Em Colossenses 3:16, está escrito: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao Senhor com graça em vosso coração”.

Salmos – eram os mesmos contidos no Antigo Testamento, transformados em hinos de adoração.

Hinos – eram as composições de louvor a Deus e ao Senhor Jesus Cristo cujas letras não tinham sido extraídas do livro de Salmos.

Cânticos espirituais – englobavam uma gama maior de composições líricas, inclusive os outros dois tipos mencionados. Considerando que cântico é o encontro entre a voz, a música e a letra, quando esses três elementos são consagrados a Deus e aceitos por Ele, temos um cântico espiritual.

Para termos a certeza de que o Senhor se agrada de um cântico (voz, música e letra), devemos submetê-lo ao crivo de Filipenses 4:8. É verdadeiro? É honesto? É justo? É puro? É amável? É de boa fama? Há nele alguma virtude e algum louvor? Tudo o que fazemos deve ser para a glória de Deus (I Coríntios 10:31).

É boa a fama do rock? Desde a sua origem, esses estilo está relacionado com imoralidade e drogas, ocultismo, drogas, e violência. Basta lembrarmo-nos do slogan “Sexo drogas e rock and roll”. E o que dizer dos estilos como funk, reggae, axé, hip-hop, samba e forró? Procure conhecer um pouco da história desses estilos antes de pensar que sou extremista.

Melodia, harmonia e ritmo, nessa ordem!

Existem três maneiras de se ouvir música:

Com o corpo – quem ouve com o corpo se deixa dominar pelo “embalo” da música.

Com a emoção – quem ouve emotivamente permite que a música comande os seus sentimentos e emoções.

Com o intelecto – essa é a forma correta de se ouvir, sabendo discernir a música. E isso só é possível quando não se prioriza o ritmo. O culto a Deus deve ser espiritual e, ao mesmo tempo, racional (João 4:24; Romanos 12:1; I Coríntios 14:15).

Muitos crentes cantam e tocam sem louvar ao Senhor, como acontecia nos dias do profeta Isaías (29:13). As palavras de louvor devem nascer em um coração preparado (Salmos 57:7), mas somente as letras cristãs e bíblicas não são suficientes para tornar um cântico apropriado para o louvor. Lembre-se de que o cântico só é espiritual quando todos os seus elementos (voz, letra e música) o são.

A música é formada por três elementos:

Melodia – sucessão ascendente e descendente de sons a intervalos e alturas variáveis, formando um fraseado; é adornada pela harmonia e acentuada pelo ritmo, embora possa ser compreendida isoladamente.

Harmonia – combinação de sons simultâneos, emitidos no mesmo instante, tendo como base a tonalidade; e como princípio gerador a estrutura do acorde.

Ritmo – Sucessão regular de tempos fortes e fracos cuja função é estruturar uma obra musical.

Esses três elementos, intrínsecos na música, se relacionam com o homem, que também é tripartido: espírito, alma e corpo. Nesse caso, o elemento mais importante da música, a melodia, relaciona-se com a parte mais profunda do ser humano, o seu espírito. E assim por diante.

Assim, o estilo musical apropriado para o cântico de adoração é o que tem como essência a melodia, pois é ela que se relaciona com o espírito (João 4:23,24). Há estilos carregados de agressividade e barulho, que apenas balançam o corpo, e não o coração, porque são rítmicos ao extremo; isto é, priorizam o ritmo, e não a melodia.

Melodia – relaciona-se com o espírito.
Harmonia – relaciona-se com a alma.
Ritmo – relaciona-se com o corpo.

Infelizmente, é uma tendência do ser humano inverter as prioridades. De acordo com I Tessalonicenses 5:23, Deus nos santifica a partir do espírito. Mas muitos ignoram isso e, como se o versículo dissesse: “corpo, alma e espírito”, priorizam o corpo. Meditemos no que Paulo, inspirado pelo Espírito, disse aos gálatas: “Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?” (Gálatas 3:3).

Música profana na Casa de Deus?

Conquanto a música, uma das primeiras artes da civilização, seja atribuída a Jubal, filho de Lameque (Gênesis 4:21), ela teve origem no Criador (Jó 38:7). Os seres angelicais ocupam-se da adoração a Deus por meio da música (Lucas 2:13,14; Apocalipse 5:7-14). Na terra, o cântico com música sacra é uma das tarefas mais sublimes dos servos do Senhor (Salmos 149:1). E o louvor continuará sendo executado por toda a eternidade: “… o seu louvor permanece para sempre” (Salmos 111:10).

Entretanto, nesses últimos dias, até a música secular está corrompida. Estilos românticos, sentimentais, artistas e folclóricos dão lugar a agressivos, frenéticos, lascivos e erotizantes, como o funk dos morros cariocas até o axé baiano. Essa deturpação diabólica, infelizmente, atinge as igrejas. E a música sacra vem sendo submetida a uma dessacralização – isso é uma forma de apostasia da fé (I Timóteo 4:1).

Dessacralização é o ato ou o efeito de subtrair o caráter sagrado. É sinônimo de profanação (II Timóteo 3:2; Hebreus 12:6). No caso da música sacra, é desprovê-la dos elementos relacionados com o louvor a Deus, tornando-a vulgar, secular, mundana, como qualquer outra, chamando a atenção para os músicos e cantores, e não para Jesus, o único digno de louvor (Salmos 48:1). Lembre-se de que o Senhor habita entre louvores, e não entre os cantores e músicos (Salmos 22:3).

Embora Deus seja o autor da musica, isso não significa que todos os estilos musicais sejam dEle. A música é como o alfabeto. Por meio dele escrevem-se – com as mesmas letras – mensagens boas ou ruins; cristãs ou satânicas. Da mesma forma, compõe-se, com as mesmas notas, músicas próprias para o louvor ou impróprias; sacras ou profanas.

Joanyr de Oliveira, com muita criatividade, abordou essa questão da dessacralização da música:

A casa de Deus, Música Profana, não lhe pertence, não é o seu lugar. Seu lugar é nos palcos, nos auditórios de emissoras, nos vídeos, mas nunca e nunca nos templos onde se devem ouvir os límpidos cânticos espirituais e harmonias solenes e inspiradoras ao louvor de Deus, “na beleza da sua santidade”…

Por enquanto ainda somos compelidos (e constrangidos) a lhe dirigir parabéns pelos seus extraordinários triunfos, Música Profana. Mas Deus há de permitir que, em futuro próximo, possamos dizer em alto e bom som: A Igreja do Senhor venceu a Música Profana, que retornou aos salões de baile e aos auditórios seculares, de onde nunca deveria ter saído. 3

Vale tudo?

Uma das desculpas para se usar músicas “pesadas” é a de que elas atraem a juventude. De fato, a música é uma ferramenta poderosa para a comunicação do evangelho (Salmos 105:2; I Pedro 2:9). Todavia, ao se empregar estilos como rock, funk, reggae, forró, etc., a mensagem é comunicada da forma como as pessoas querem ouvi-la, e não da maneira como precisam ouvi-la. Lembre-se de que Jesus disse: “…negue-se a si mesmo” (Lucas 9:23).

Se, por um lado, as músicas “pesadas” atraem, por outro, devido às suas características, impedem que a mensagem chegue clara aos ouvidos das pessoas. John Blanchard, ao falar sobre o poder hipnótico do rock, disse:

Qualquer meio de apresentação que induza à perda do autocontrole ou consciência e torne o ouvinte incomumente susceptível a quaisquer sugestões feitas pela letra da música é certamente perigosa, e acabará por estimular uma resposta, em vez daquilo que Deus requer, que O adoremos “em espírito e em verdade” (João 4:24). 4

Muitos jovens podem até ir à frente de um palanque ou seguir a carros de som, por causa dos estilos musicais e das danças ali apresentadas. No entanto, conforme se infere de I Coríntios 14:26, o louvor (salmo) deve servir de preparação para a exposição da Palavra de Deus (doutrina).

Os defensores do evangelho do entretenimento afirmam que o mundo mudou, e as pregações modernas devem se adaptar às mudanças que vêm ocorrendo. O suposto embasamento para isso está em I Coríntios 9:22: “Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar a alguns”.

Não podemos, entretanto, interpretar essa frase de Paulo de forma exagerada, valendo-nos dela para justificar toda e qualquer atitude. O próprio apóstolo não se faz judaizante para ganhá-los; antes, reprovou a atitude de Pedro, que agira de forma “política” em relação a eles (Gálatas 2:14). Todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas convêm (I Coríntios 6:12).

É preciso pular dentro de um barco para tirar alguém de lá? Ora, para ganhar os apreciadores de funk não é necessário agir como eles. Para alcançar os sambistas, não é preciso sambar no carnaval. Não é a identificação com o mundo que convence os pecadores, e sim a ação do Espírito (João 16:8). Quando nos associamos ao mundo, perdemos nossa identidade de povo separado (II Coríntios 6:14-17). Devemos ser sociáveis, e não complacentes ou coniventes com o pecado (Salmos 1:1).

Não devemos nos isolar das pessoas, dando a entender que somos perfeitos em absoluto (Filipenses 2:15). Isso, inclusive as irrita. No entanto, quando o mundo dá um passo em nossa direção, e nós o abraçamos, aceitando passivamente os seus entretenimentos, como poderemos mudar a sociedade? Uma igreja que faz as pazes com o mundo não consegue mudá-lo.

Por isso, os salvos em Cristo devem ter um diferencial, a fim de que haja o contraste entre a luz e as trevas (Mateus 5:14-16). Por que Jesus reprovou a igreja de Laodicéia? Porque não era nem fria nem quente (Apocalipse 3:15,16); isto é, não exercia nenhuma influência sobre a sociedade. O você, é um crente frio, quente ou morno?

Ah… Deus não gosta de shows?

Os shows se caracterizam por som alto e dançante, luzes coloridas, gelo seco, roupas extravagantes ou sensuais, paquera, linguagem chula, dança e muita diversão. Por incrível que pareça, há cultos ditos evangélicos em que toda essa parafernália está presente! Torna-se cada vez mais comum o emprego de elementos característicos dos shows em cultos “evangélicos”.

Em um artigo intitulado Show não é culto, o pastor Martim Alves da Silva, da Assembléia de Deus em Mossoró, Rio Grande do Norte, afirmou:

No culto, a pessoa mais importante é Deus; no show, é o artista. No culto a Deus ninguém paga, no show a entrada é mediante pagamento. No culto, Deus está presente; no show, Deus se faz ausente, pois Sua glória não dá a outrem. No culto, o ministro de Deus soleniza as celebrações; no show o apresentador é condescendente à desenfreada desordem. No culto, o povo glorifica a Deus; no show, só gritos e assobios para o artista. No culto, o povo reverencia a Deus em adoração; no show, só há bagunça incontrolável. 5

Como deve ser o verdadeiro culto a Deus? Deve caracterizar-se pelos elementos apresentados em I Coríntios 14:26: “Que fareis, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação”. Não está escrito: salmo, salmo, salmo, salmo e salmo! Está escrito: salmo (cântico), doutrina (Palavra de Deus), revelação, língua e interpretação (Dons do Espírito).

Nos dias do rei Ezequias, houve um grande reavivamento na área do louvor (II Crônicas 29). Ele começou a reinar em Judá aos 25 anos e fez o que era reto aos olhos do Senhor: abriu as portas da Casa de Deus, ajuntou os sacerdotes e levitas, ordenou que todos se santificassem, celebrou a páscoa, etc. (versos 2-20).

O louvor a Deus, naqueles dias, possuía as seguintes características:

Deus no controle. O louvor e a música davam-se por mandado do Senhor, e não por iniciativa humana (verso 25).

Ordem. Tudo era feito com ordem e decência (verso 26).

Submissão. Os músicos e cantores obedeciam ao líder (verso 27).

Preparação. Todos estavam preparados para o louvor (verso 27).

Reverência. Havia muita reverência, prostração e adoração profunda no momento de louvar a Deus (versos 28-30).

Renovação. Não havia espaço para más inovações e as imitações do mundo. Todos louvavam a Deus com as palavras de Davi e de Asafe, recuperando o que haviam perdido ao se distanciarem do Senhor (verso 30). Ao contrário do que muitos pensam, renovação implica reconquistar o que foi perdido, e não buscar inovações contrárias ao que havíamos recebido (Lamentações 5:21; Provérbios 24:21; Jeremias 6:16).

Alegria. Muita alegria (verso 30). Não era uma alegria carnal, com liberdade de movimentos corporais; todos estavam inclinados, prostrados diante de Deus.

Tenhamos, pois, temor e tremor na Casa do Senhor (Salmos 2:11). Deus quer de nós o “culto do coração”, e não o “culto da carne em ação” (Isaías 29:13). O templo não é um lugar para desfiles de celebridades, danças, “trenzinhos”, luzes coloridas, som “pesado”, assobios, etc. Não se precipite em pensar que estou sugerindo que os nossos cultos sejam reuniões sem vida, similares às missas. Não! Porém, precisamos ter reverência na Casa de Deus (Mateus 21:1-13).

Adoração extravagante?

Segundo o Dicionário Michaelis, “extravagância” significa: “Qualidade daquele ou daquilo que é extravagante; excentricidade; esquisitice; estroinice; dissipação; libertinagem”. Mas o adjetivo “extravagante” tem sido usado para definir aquela “adoração espiritual” sem amarras, livre, que permite todos os estilos musicais, danças, coreografias, gritos frenéticos, assobios, etc., desde que o coração dos cantores, músicos e dançarinos estejam voltados para Deus.

De acordo com Robert L. Brandt, a palavra “adoração” denota “reverência”, “temor ao Senhor” e “veneração”. Trata-se de uma demonstração de grande amor, devoção e respeito; implica homenagem a Deus. 6 A adoração estabelece o tom para o louvor, fazendo aquele que está cantando fixar o pensamento na Pessoa a quem se dirige e considerar os seus atributos e interesses.

Há como “casar” adoração e extravagância? É claro que essa expressão, em decorrência da secularização de muitas igrejas, é mais do que aceita no meio evangélico. Contudo, gostaria que você refletisse um pouco sobre a grande incompatibilidade que há entre esses dois elementos.

Não julgo se os executores da tal “adoração extravagante” são ou não crentes espirituais. Tampouco os julgo quanto à sua convicção interior. Mas é bom lembrar que os homens-bomba, seguidores do Islã, também matam e matam-se cheios de certeza. Por isso, precisamos refletir com base no que a Bíblia diz, e não à luz de nossas preferências ou convicções pessoais.

Alguns pretensos ministros de louvor – ou de entretenimento? –, tal como os animadores de um carnaval, em cima de trios elétricos, têm divertido a “moçada”. Uma influente líder de adoração declarou à revista Veja: “Nós não fazemos entretenimento. Queremos que as pessoas se divirtam, mas louvando ao Senhor, e não a nós”. 7 Confesso que admiro em parte o trabalho dessa jovem compositora, porém a sua declaração foi infeliz. O louvor a Deus nunca deveria produzir diversão!

De acordo com a Bíblia, toda gritaria deve ser tirada do nosso meio (Efésios 4:31), exceto as palavras de glorificação a Deus (Salmos 29:9). Jesus disse que a verdadeira adoração deve ser “em espírito” (João 4:23,24). Ou seja, ela não é, em essência, uma manifestação do corpo, e sim do coração (Salmos 57:7; Efésios 5:19; Colossenses 3:16). O que agrada a Deus, antes de tudo, é o espírito quebrantado, e não as manifestações sonoras ou gestuais (Amós 5:23; Isaías 29:13).

Se a adoração não é uma manifestação exterior, e sim do interior, como associá-la à liberdade de movimentos do corpo? A posição corporal que denota submissão e adoração a Deus, em espírito, não deve ser extravagante, e sim reverente. “E Esdras louvou ao Senhor, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém, Amém! levantando as suas mãos; e inclinaram suas cabeças, e adoraram ao Senhor, com os rostos em terra” (Neemias 8:6).

Que tal substituir “adoração extravagante” por “adoração reverente”?

Dançar ou não dançar? Eis a questão!

As danças (não apenas a coreografia, que também é uma forma de dança) já fazem parte da liturgia de muitas igrejas. Para alguns pastores e ministros de louvor o culto a Deus não seria completo sem essas manifestações corporais. “Os mandamentos de Salmos 149:3 e 150:4“, justificam, “são mais do que claros. Além disso, Miriã e Davi dançaram”.

Devemos analisar as referências acima com cuidado, à luz do contexto do Antigo Testamento, levando em conta os destinatários originais, os israelitas: “Alegre-se Israel naquele que o fez, regozijem-se os filhos de Sião no seu Rei” (Salmos 149:2). Além disso, o termo hebraico empregado em ambas as passagens foi traduzido por “flauta”, em algumas versões da Bíblia. Não há, pois, nessas passagens, apoio à introdução de danças no culto a Deus.

A dança, para os israelitas, sempre esteve associada à alegria, figurando como o contrário de pranto (Eclesiastes 3:4; Lamentações 5:15). Quando o povo de Israel atravessou milagrosamente pelo meio do Mar Vermelho, a alegria da profetisa Miriã foi tão grande, que tomou um tamborim e pôs-se a dançar (Êxodo 15:20). A filha de Jefté, sabendo da vitória que Deus concedera a seu pai, recebeu-o com adufes e danças (Juízes 11:34). E Davi ficou tão alegre com o retorno a arca do Senhor, que também dançou (II Samuel 6:14).

Em Salmos 9:2, está escrito: “Em ti me alegrarei e saltarei de prazer, cantarei louvores ao teu nome, ó Altíssimo”. Este versículo mostra que podemos, em momentos de extrema alegria, saltar de prazer na presença de Deus. Mas a “adoração” que temos visto em nossos dias não tem nada de espiritual. Os jovens agem como se estivessem em um baile mundano, sem nenhuma reverência.

Miriã, Davi e outros dançaram e saltaram num momento de extrema alegria, de felicidade incontrolável. É plenamente compreensível o fato de uma pessoa dançar (do grego orcheõ, “saltar com regularidade de movimento”) 8 de felicidade, como aconteceu com o ex-coxo que ficava à entrada do Templo, em Jerusalém (Atos 3:8). Entretanto, movimentar-se num momento de grande alegria não equivale, em hipótese alguma, a dançar sob ritmos eletrizantes.

“E o ministério da dança?” – alguém poderá perguntar.

Ministério da dança?

Em todo o Antigo Testamento, não há menção à dança acompanhada de música dentro do Templo. Até mesmo Davi, que teve a iniciativa de dançar ao recuperar a arca do Senhor (II Samuel 6:16), em nenhum momento incentivou esta prática. Ele e Asafe organizaram o ministério do louvor com músicos e cantores (I Crônicas 25:1-7).

Se Davi e Asafe – considerados os principais artífices da organização primitiva da música cultual – acreditassem que a dança, de fato, era importante no culto, teriam estabelecido cantores, músicos, dançarinos e coreógrafos…

Ao falar da adoração, Jesus apenas disse: “Deus é Espírito, e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade” (João 4:24). Paulo falou do dever universal de louvar a Deus nos seguintes teremos: “Louvai ao Senhor, todos os gentios, e celebrai-o, todos os povos” (Romanos 15:11). O autor de Hebreus, ao mencionar o sacrifício de louvor, nada falou sobre dança (Hebreus 13:15). E Tiago se limitou a dizer que, quando nos sentirmos alegres, devemos cantar louvores (Tiago 5:13).

João, que contemplou um pouco da adoração celestial, não viu nenhuma forma de louvo com dança (cf. Apocalipse 4 e 5), a menos que alguém queira entender como uma coreografia a movimentação reverente dos 24 anciãos que se prostraram diante do Senhor, dizendo: “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque Tu criaste todas as coisas, e por Tua vontade são e foram criadas” (Apocalipse 4:11).

Ns páginas do Novo Testamento, os Evangelhos mencionam a dança da filha de Herodias perante o perverso Herodes (Mateus 14:6; Marcos 6:22) e as analogias de Jesus em que as danças simbolizam alegria (Mateus 11:17; Lucas 15:25). Essas ocorrências também não servem de base para se introduzir qualquer tipo de dança na Casa do Senhor.

Como tem sido a sua atitude em relação à dança? Você se aproveita de passagens interpretadas fora de contexto para “curtir” todos os estilos musicais e dançar, inclusive dentro da Casa de Deus, sem peso na consciência? O que vale é o que você pensa e a sua vontade de dançar? Não se importa em fazer isso? Receio que você não esteja em conformidade com a vontade de Deus. E isso não é nada bom. Ou você não se preocupa com isso?

É proibido proibir

O evangelho do entretenimento não se restringe a música profana e shows – estes são apenas reflexo da falta de compromisso com a sã doutrina. Também não existe nenhuma restrição ou orientação pastoral aos seguidores desse evangelho quanto à linguagem, ao traje e ao comportamento. É proibido proibir. Chamam as proibições constantes da Bíblia de legalismo fanatismo, etc.

Há alguns anos, uma influente líder evangélica, em uma entrevista a um jornal de São Paulo, disse o que pensava sobre os jovens manterem relações sexuais antes do casamento: “Casei virgem e sou feliz. Biblicamente, é o que Deus ensina. Não vou dizer que sou contra, mas é meu conselho”. Não é difícil perceber que essa declaração foi dúbia e infeliz – sugere, de modo sutil, contrariando as Escrituras, que um casal pode relacionar-se sexualmente antes do casamento (I Coríntios 7:8,9; 6:18-20).

Essa conhecida líder cristã explicou ao jornal o motivo de ter resolvido fundar uma nova igreja: “Entrou um pastor muito doido…”, referindo-se ao dirigente da igreja que freqüentava; “…a gente saiu para curtir esse Deus do nosso jeito”. Observe como ela definiu com precisão o que é o evangelho do entretenimento; trata-se de um sistema de crença que se amolda aos desejos humanos: “curtir Deus do nosso jeito”.

Em Gálatas 5:1, está escrito: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão”. Os crentes que seguem o evangelho do entretenimento invertem a tônica dessa passagem, interpretando-a como uma autorização para agirem livremente. Em vez de autorizar a adoção de costumes mundanos, que outrora praticávamos, a Palavra de Deus enfatiza que não podemos voltar a eles. Somos livres, não para pecar, mas para servir a Deus.

O crente pode agir com liberdade, porém não deve se esquecer de que o seu limite está na Bíblia (I Coríntios 6:12; 10:23; I Tessalonicenses 5:22; Tito 2:8; I Timóteo 2:9,10). Por isso, Paulo, inspirado por Deus, disse: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade” (Gálatas 5:13).

Verdade ou quantidade?

Medindo o sucesso apenas pela quantidade de membros, algumas igrejas deixaram de pregar o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo. Contentam-se em manter as pessoas, principalmente os jovens, como membros, mesmo que eles não sejam fiéis à sã doutrina. E, para isso, valem-se do entretenimento.

Os pecadores estão se afogando no mar do pecado. O que é a igreja de Cristo, um barco cheio de diversão e entretenimento, ou um navio cheio de salva-vidas? Precisamos nos conscientizar de que a missão é fazer discípulos (Mateus 28:19, ARA), e não apenas conquistar o maior número possível de seguidores nominais (Mateus 7:13,14).

Embora desejemos que os templos estejam cheios de pessoas, a busca pela quantidade, sem o compromisso com as Escrituras, é perigosa, como vemos nas citações abaixo, extraídas de um livreto que discorre sobre as estratégias para a realização de reuniões “evangelísticas”, segundo o evangelho do entretenimento:

… há muita adrenalina, unção, vibração, entusiasmo, gente bonita, amizades sinceras, guerra espiritual, entretenimentos, colheitas fartas, influência positiva, mudança de valores, quebra de paradigmas, coreografias, pulos de alegria, saltos de júbilo, louvor e adoração, teatro, estratégias tremendas de evangelismo…
Nada de longas e cansativas orações…
Precisamos adaptar as mensagens bíblicas às necessidades comuns do homem de hoje! Faz-se necessário contextualizar o ensino das Sagradas Escrituras à realidade existencial da juventude e da maturidade destes tempos…
O que um sermão levaria 45 minutos ou uma hora para conseguir fazer, quando consegue, uma canção muitas vezes transmite num único compasso ou acorde, eliminando em pouco espaço de tempo as barreiras…

Percebemos nas declarações acima graves desvios em relação aos princípios da Palavra de Deus. Os cultos são considerados reuniões de entretenimento em que tudo é permitido! Não há compromisso com a ética, e a oração é vista como “um peso”. As pregações são “contextualizadas”, a fim de agradar aos ouvintes. Ademais, fica clara a falta de interesse pela exposição da Palavra, uma vez que um acorde musical pode ser tão eficaz quanto uma mensagem de 45 minutos!

Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade?

Um dos atrativos para “segurar” a juventude é exatamente deixar de pregar a verdade, uma vez que esta afasta aqueles que não querem segui-la (João 6:60-69; Lucas 9:23). A palavra de ordem é “facilitar”. Contudo, de acordo com Mateus 7:13,14, não adianta alargar a porta. O caminho permanecerá estreito!

Isso nos remete ao que as Escrituras dizem em II Timóteo 4:3 (ARA): “… haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos”. Por isso, Jesus, em seu ministério terreno, mais pregou do que cantou. É por meio da exposição da Palavra que recebemos iluminação, entendimento e fé (Salmos 119:130; Romanos 10:17), e não pela música.

Não nos deslumbremos com o caminho das facilidades (Mateus 7:13,14). Fujamos da secularização. Não sejamos insensatos como os gálatas, aos quais Paulo dirigiu uma difícil pergunta: “Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado?” (Gálatas 3:1).

Seguidores ou fãs?

Não devemos confundir salvação com reintegração social. Não é preciso nem falar de Jesus para integrar jovens à sociedade, tirando-os do submundo das drogas. Algumas organizações não governamentais conseguem isso por meio da música, do esporte, etc. Mas, e o novo nascimento, sem o qual ninguém entrará no céu?

Madre Tereza de Calcutá tem sido elogiada e honrada até por líderes evangélicos em todo o mundo. E ela merece ser honrada por seu denodado serviço ao povo de Calcutá. Não obstante, ela não pregou o verdadeiro evangelho de Cristo às almas perdidas! Aliás, ela sequer o conhecia! Da mesma forma, Cornélio, apesar de piedoso, temente a Deus, altruísta e um homem de oração, não era salvo (Atos 10:1,2).

Salvação é muito mais que fazer parte de uma denominação “contextualizada”! Participar de “marchas”, divertir-se à vontade com a “moçada” e usar camisetas com frases do tipo “Estou apaixonado” não garantem a salvação a ninguém! Não tenho nada contra a exibição de mensagens em camisetas, mas ser salvo é muito mais do que isso! É necessário nascer de novo, por obra do Espírito Santo (João 3:3; Tito 3:5,6), e renunciar-se a si mesmo, para seguir a Cristo (Lucas 9:23). Você está disposto a isso? Ou prefere ser apenas um fã de Jesus?

Aliás, de uns tempos para cá, ornou-se uma mania dizer e cantar: “Estou apaixonado por Jesus”. É claro que tal expressão é empregada com o intuito de demonstrar amor ou adoração a Jesus. Entretanto, adoração é muito mais do que paixão!

A paixão é irracional, ao contrário do nosso culto de adoração a Deus (Romanos 12:1).

A paixão é passageira e não leva em conta princípios; a adoração deve ser perene e verdadeira (João 4:24).

A paixão é apenas um sentimento que não passa da alma; a adoração envolve a parte mais profunda do ser humano: o seu espírito (Lucas 1:46,47; Salmos 57:7).

A paixão é um sacrifício que pode ou não ser correspondido; a adoração – verdadeira – nunca fica sem uma resposta da parte do Senhor (II Crônicas 7:14,15).

A paixão muda de objeto; ou seja, é possível se apaixonar por um e por outro, etc. Mas a adoração deve ser exclusivista: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele servirás…” (Mateus 4:10).

Na contramão

Antigamente, era comum ouvirmos pregações advertindo os crentes quanto aos desvios comportamentais apresentados no cinema e em programas de televisão. Pregava-se contra o álcool, o tabaco, os desvios morais e éticos, etc. Havia, ainda que de modo superficial, uma tentativa de separar a igreja do mundo. Hoje, muitos preferem andar de mãos dadas com o mundo.

No ano de lançamento desta obra, o grande avivamento da Rua Azuza, em Los Angeles (EUA), completa cem anos. Li um relato do pastor Frank Bartleman (1871-1936), um dos pioneiros daquele movimento, que me fez refletir sobre a atual realidade da igreja brasileira:

A “arca do Senhor” começou a se mover vagarosamente, mas com firmeza em Azuza. No princípio era carregada nos ombros dos sacerdotes indicados por Ele mesmo. Não tínhamos nenhuma “carroça nova” naqueles dias para agradar as multidões mistas e carnais. Tínhamos de combater contra satanás, mas a “arca” não era puxada por bois (bestas ignorantes). Os sacerdotes estavam “vivos para Deus”, através de muita preparação e oração.”

Os genuínos avivamentos não agradam asa “multidões mistas e carnais”. Não se deixe, pois, influenciar pela maioria. Prefira ser guiado pela Palavra de Deus, ainda que o tenham como persona non grata. Não foi o que aconteceu com Micaías, Jeremias, Ezequiel, João Batista, Jesus, Estevão e Paulo, e acontece com todos aqueles que não aceitam o abandono das verdades da palavra de Deus?

Imagine-se em uma estrada em que todos os veículos estão trafegando na contramão. O que acontecerá se você resolver trafegar na mão certa? Além de ficar com a impressão de que está na direção errada, todos os que de fato estão na contramão pensarão que estão certos! Essa é a estratégia do Adversário!

As igrejas se secularizam; e o mundo torna-se religioso. Não havendo diferença entre um e outro, qualquer que protestar contra o erro, ficará isolado! Mas, onde está o nosso diferencial? Somos a luz do mundo, ou a nossa luz se apagou? Como está a sua lâmpada? Ela ainda brilha nesse mundo tenebroso?

Arão ou Moisés?

Muitos líderes não entrarão no Reino de Deus porque não querem fazer a vontade do Pai (Mateus 7:21). E quem não faz a vontade do Senhor, restam-lhe apenas três alternativas: fazer a sua própria vontade, a do povo, ou a do Diabo. Não faça a vontade do povo! Não seja como Arão, que, diante da pressão dos que queriam um “culto diferente”, fez-lhes um bezerro de ouro (Êxodo 32:1-4).

Moisés, então, que fazia a vontade de Deus, tomou uma atitude: “E aconteceu que, chegando ele ao arraial e vendo o bezerro e as danças, acendeu-se o furor de Moisés, e arremessou as tábuas das suas mãos, e quebrou-as ao pé do monte, e tomou o bezerro que tinham feito, e queimou-o no fogo, moendo-o até que se tornou em pó; e o espargiu sobre as águas e deu-o a beber aos filhos de Israel” (Êxodo 32:19,20). Que Deus levante obreiros assim, zelosos, em nossos dias!

Lembre-se, pois, de que o mundo jaz no Maligno (I João 5:19, ARA), e que a amizade com ele é inimizade contra Deus (Tiago 4:4). Não faça como Demas que amou o presente século, isto é, o mundo (II Timóteo 4:10). E, como disse Paulo, que jamais pregaria esse evangelho do entretenimento, “… não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2).

Qual é o seu referencial de liderança, Paulo ou Demas? Arão ou Moisés? Você é amigo do mundo ou do Senhor?

Espero que você não tenha ficado triste comigo, em razão da contundência com que tenho contestado esse evangelho do entretenimento. Afinal, como disse o imitador de Cristo:; “… persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo” (Gálatas 1:10).

Bibliografia

  1. BLANCHARD, John, Rock in Igreja?!, Editora Fiel, p. 21.
  2. MUGGIATI, Roberto, Rock, o Grito e o Mito, Editora Vozes, p. 122.
  3. OLIVEIRA, Joanyr de, A Igreja que Desejamos, Editora Vida, pp. 36, 37.
  4. BLANCHARD, John, Rock in Igreja?!, Editora Fiel, p. 17.
  5. Jornal Mensageiro da Paz, número 1455, agosto de 2006
  6. BRANDT, Robert L., BICKET, Zenas J., Teologia Bíblica da Oração, CPAD, p. 22.
  7. Revista Veja, edição 1964 de 12 de junho de 2006.
  8. Dicionário Vine, CPAD, p. 529.
  9. Manual do Obreiro, número 35, CPAD, p. 15.

 

 

 

 

 

Ciro Sanches Zibordi é pastor na Assembléia de Deus em Cordovil, Rio de Janeiro e articulista. Autor dos livros “Perguntas Intrigantes que os Jovens Costumam Fazer“, “Adolescentes S/A“, “Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria“, “Erros que os Pregadores Devem Evitar” e “Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar”, todos editados pela CPAD.

março 3, 2008 at 1:00 pm 3 comentários

Carta da CGADB que repudiou as heresias do Pr. Ouriel de Jesus

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Conselho de Doutrina e Comissão de Apologia CGADB repudiam modismos de Boston.

O Conselho de Doutrina e a Comissão de Apologia da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil (CGADB), presididos respectivamente pelos pastores Paulo Roberto Freire da Costa e Esequias Soares, reuniram-se mês passado em Campinas (SP) para elaborar manifesto repudiando os principais modismos que têm surgido especialmente em algumas igrejas brasileiras nos Estados Unidos, com repercussão no Brasil. O objetivo do manifesto é alertar o povo de Deus sobre ventos de doutrina advindos de Boston e que vão além da já propalada angelolatria, incluindo até o novo modismo da “unção da capa de Elias” (sic), que está se tornando comum em algumas igrejas brasileiras.

O estopim para a publicação deste parecer da Convenção Geral foi o lançamento do livro O Triunfo Eterno da Igreja, no final de agosto, de autoria do líder da Igreja do Avivamento Mundial Assembléia de Deus de Boston, pastor Ouriel de Jesus. Até então, o líder daquela igreja e seus seguidores insistiam em dizer que não estavam ensinando heresias, mas, muito pelo contrário, estavam sendo mal interpretados. Porém, com o lançamento do livro, toda essa argumentação caiu por Terra. A obra não só esposa os ensinamentos da igreja de Boston já difundidos, embora negados pela sua liderança, como também traz outras bizarrias teológicas, que chocam-se frontalmente com o ensino bíblico.

Os líderes da AD se preocupam ainda com a produção de modismos que surgem como subproduto das heresias de Boston. Um deles, que já está se tornando comum em algumas igrejas brasileiras, é a “unção da capa de Elias”. Alguns pregadores andam ensinando, baseados na passagem de 2 Reis 2.9-15, que se o crente quiser ser vitorioso em sua vida espiritual, deve receber a unção da capa de Elias. Tal unção repousaria sobre esses pregadores e poderia ser transmitida em série, bastando apenas que o pregador impusesse suas mãos ou jogasse seu paletó (que funcionaria como a tal capa) sobre seus ouvintes para que eles a recebessem.

Nessas sessões, algumas pessoas caem no chão, outras desmaiam e dizem ter “arrebatamentos”. O detalhe é que só o pastor da igreja ou o pregador podem despertar o “arrebatado” do seu transe, ninguém mais. As sessões da “capa” estão se tornando populares em alguns lugares e há até alguns “capistas” que estão fazendo novas versões desse modismo, onde a capa ou manto a ser recebido é invisível, pois seria “a capa de um anjo”.
Pastor José Wellington, líder da CGADB, analisa as razões pelas quais esses modismos infelizmente ganham terreno. Segundo ele, o relegar a Palavra de Deus e a ausência de avivamento são as principais causas. “Lamentavelmente, alguns perderam a visão do verdadeiro avivamento e estão criando os seus próprios meios para animar o povo, com marcas com e sem Jesus, cultos-show, recitais etc. Outros tentam o avivamento colocando atrás do pregador ‘abençoadas benzedeiras angelicais’, que invocam anjos. Tais métodos não apenas não produzem avivamento como também contrariam a Palavra de Deus”, afirma o líder.

Pastor Paulo Freire ressalta a importância de tal manifesto e condena esses novos modismos. “Precisamos combater esses modismos”, declara o líder.
Pastor Esequias Soares corrobora suas palavras, frisando a tal “unção da capa”. “Isso é uma invenção do homem e não uma doutrina, e está trazendo problemas para a igreja, porque a pessoa ora com imposição de mãos e quem recebe a oração tem de sentir um peso nas costas. Caso isso não aconteça, ela não recebeu a unção. É a mesma coisa ensinada no mormonismo, onde a pessoa precisa sentir um ardor no peito para ser abençoado, e se ela não sentir nada, ela não é fiel. Tudo isso não passa de pressão psicológica sobre as pessoas”, afirma o líder.
Parecer do Conselho de Doutrina e da Comissão de Apologia da CGADBO avivamento de Boston e o livro O Triunfo Eterno da Igreja

Em 23 de agosto de 2003, a World Revival Church Assembly of God (Igreja do Avivamento Mundial da Assembléia de Deus), liderada pelo pastor Ouriel de Jesus, com sede na cidade de Boston, Estado de Massachussets (EUA), publicou um livro sob o título O Triunfo Eterno da Igreja, cujo lançamento se deu no mês de setembro.

Considerando que princípios doutrinários bíblicos foram seriamente feridos no referido livro, e considerando ainda a liturgia que vem aquela Igreja praticando sob o suposto “avivamento”, distanciando-se, em muito, da adotada pelas Assembléias de Deus em todo o mundo, membros do Conselho de Doutrina e da Comissão de Apologia da CGADB reuniram-se nos dias 12 a 17 de outubro de 2003 para avaliar não só o livro em foco, mas também o tal “avivamento” que está sendo pregado por aquela igreja, e emitir, em razão disso, o seu parecer.

A publicação do livro O Triunfo Eterno da Igreja marca a ruptura definitiva da World Revival Church Assembly of God com as Assembléias de Deus, em particular, e com as demais igrejas cristãs evangélicas, pois o livro se apresenta como a última revelação de Deus. Seu representante – o pastor Ouriel de Jesus – considera-se a si mesmo como possuidor de uma unção especial, acima de todos os homens. Considera todas as demais igrejas fora do padrão divino, além de emitir vários outros ensinos contrários à Bíblia. São ensinos inovadores, eivados de aberrações doutrinárias, que estão causando divisão no Corpo de Cristo.

As seitas nasceram sob revelações adicionais a líderes, que se consideravam possuidores de unção acima dos outros homens. Há nesse livro muitas características que aparecem também nas seitas.
Fundamentos falsosO livro O Triunfo Eterno da Igreja (que passará a ser abreviado nesse texto como TEI) traz em suas Considerações do Pastor Ouriel de Jesus (pág 21) o seguinte depoimento:

“Registro aqui a minha perplexidade pela grandeza das revelações que tive a oportunidade de receber ao ter o privilégio de – juntamente com o Grupo de Oração em arrebatamentos de sentidos – adentrar à Sala das Escrituras para, juntos, lermos o livro que foi selado pelo profeta Daniel para o tempo do fim (Dn 12.4), que são, também, as coisas inefáveis que o apóstolo Paulo ouviu no Paraíso e não pôde dizer a sua geração (2Co 12.1-4), bem como o livrinho comido pelo apóstolo João (Ap 10.9-10)”.

O pastor Ouriel afirma que o conteúdo do seu livro é “o livro selado pelo profeta Daniel para o tempo do fim” (Dn.12.4), que é também “as coisas inefáveis” que o apóstolo Paulo ouviu no Paraíso “e não pôde dizer a sua geração (2Co 12.1-4)” e o “livrinho comido pelo apóstolo João (Ap. 10.9-10)”. Esse argumento é infundado e está baseado numa interpretação inventada que não resiste à exegese bíblica. O livro selado de Daniel é a parte apocalíptica do próprio livro do profeta Daniel, que conhecemos em nossa Bíblia. Quanto às coisas inefáveis ouvidas no paraíso por Paulo, nenhum registro deixa-nos a Bíblia para deduzir a revelação delas em qualquer tempo. Já o livrinho comido pelo apóstolo João trata-se de uma parte do livro selado com sete selos, que, após a abertura do último selo, aparece como “livrinho aberto” (Ap 10.2), e não selado.

A linha herética do TEI fica evidenciada nos subtítulos que aparecem na sua capa e que dão o tom de todas as supostas revelações. Se não, vejamos:

1) “Revelações do livro selado pelo profeta Daniel para o tempo do fim”
A referência de Daniel 12.1 e 4 trata-se de uma mensagem figurada de caráter antropomórfico – uso comum na literatura apocalíptica – que não pode ser interpretada com outro sentido senão o que lhe foi proposto. O livro acerca do qual Daniel está falando é apenas um modo figurado de falar e se refere a informações abscônditas que o profeta não tem condições de entender. Na literatura apocalíptica, um livro selado (Ap 5.1-3) indica uma questão que não pode ser revelada, ou que não pode ser entendida, embora possa ser lida (Is 29.11). Mais: a revelação divina transmitida a Daniel – e que o profeta não pôde entender – cobre um período específico na História; não ultrapassa este limite. Isto significa que qualquer interpretação literal do texto fere frontalmente à ciência da interpretação.
Não há aqui evidência alguma de um outro livro oculto no Céu, mas de uma ordem para se preservar e guardar a mensagem que Daniel recebeu para um tempo apropriado. Isso pode ser confirmado por qualquer expositor do Antigo Testamento ao longo da história do Cristianismo. O próprio Senhor Jesus Cristo deixou claro que isso já era de conhecimento dos judeus da sua geração (Mt 24.15). Portanto, a afirmativa de que o conteúdo do TEI é “o livro selado pelo profeta Daniel” é espúria, é de alguém imberbe, sem nenhum conhecimento dos fundamentos da exegese e da hermenêutica; são compreensões infantis, de cunho nostradâmico, e revela o despreparo teológico do autor.

2) “Revelações das coisas inefáveis que o apóstolo Paulo ouviu no Paraíso”
Com referência às palavras inefáveis que o apóstolo Paulo ouviu no Paraíso, encontra-se registrado em 2 Coríntios 14.4: “Foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar”. Não há na descrição bíblica qualquer menção da existência de um livro. Além disso, o próprio texto sagrado afirma que ao homem não é lícito falar. No entanto o TEI acrescenta: “não pôde dizer à sua geração”, expressão que não se encontra na Bíblia. É, portanto, uma idéia sem sustentação bíblica.

3) “Revelações do livrinho comido pelo apóstolo João”
Relativamente ao livrinho que o apóstolo João comeu, assim se acha a descrição bíblica: “E fui ao anjo, dizendo-lhe: Dá-me o livrinho. E ele disse-me: Toma-o e come-o, e ele fará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como o mel”, Ap 10.9. Há na interpretação exarada na obra do pastor Ouriel uma série de contradições relacionadas a esse “livrinho aberto”. Se trata-se de um livrinho aberto, logo nada há para ser revelado. Além disso, o ato de “comer um livro” indica dominar o seu conteúdo, recebendo-o no mais íntimo do seu ser.
Além disso, o suposto apóstolo João diz na página 51 da obra em tela, no seu primeiro parágrafo:

“Por essa razão, alegrei-me muito e me senti profundamente feliz e realizado ao saber que a Igreja do Cordeiro, nos dias de maior turbulência e angústia na Terra, viverá os melhores e maiores momentos da sua história, levará a término sua missão e conquistará todos os espaços em todas as áreas e segmentos da sociedade conforme o que está escrito no Livro Eterno, ao afirmar que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus”.

O contexto histórico do capítulo 10 de Apocalipse é escatológico. Trata-se aqui do período da Grande Tribulação. Já na página 354, penúltimo parágrafo, a obra afirma que o Arrebatamento da Igreja precederá à Grande Tribulação e isso se acha de acordo com o que cremos e pregamos. Como, então, a Igreja “viverá os melhores e maiores momentos da sua história?”
Unção especial

O TEI traz, logo na sua introdução, um teatro para exaltar o seu líder, na parte intitulada Considerações do Pastor Ouriel de Jesus, como se segue:
“O Céu se abriu e nós vimos e ouvimos o Pai dizendo ao Filho: ‘É hora de a Igreja ser tirada da Terra, pois não está conseguindo cumprir sua missão’, e Jesus Cristo, com um olhar de preocupação, não respondia palavra. Foi quando pudemos ver o Espírito Santo interceder pela Igreja pedindo ao Pai que lhe fosse dada mais uma oportunidade.”

“Foi no momento dessa experiência sobrenatural que eu disse a Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo que eu estava disposto a pagar o preço que fosse necessário para que um avivamento viesse sobre a Igreja ao redor da Terra.”

“Nesse momento, eu ouvi a voz do Pai de forma bem clara, dizendo: ‘O preço é muito alto. Você será caluniado. Vão tentar excluí-lo de sua denominação e vão persegui-lo muito e os seus próprios amigos o chamarão de herege’. Nesse momento, perguntei ao Pai: ‘Quais serão os benefícios de todo esse preço?’ Ele me respondeu: ‘Multidões de almas ao redor da Terra’. Então, eu disse a Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo que podiam contar comigo para o desafio desse grande e último avivamento do tempo do fim (págs. 21 e 22)”.

Com estas declarações – e não há como interpretá-las de outra maneira – o visionário, alegando ainda que esteve diante do Trono de Deus, coloca-se como a quarta pessoa na Deidade, impedindo o Arrebatamento da Igreja, postando-se como alguém capaz de fazer um trabalho que nem o Filho pôde fazer. Segundo ele, o Senhor Jesus, demonstrando-se preocupado, é censurado pelo Pai, quedando-se silente, sem qualquer resposta.

À luz da Bíblia essa invenção é blasfêmia, pois reduz a Divindade à condição humana. Além disso, nenhum personagem da Bíblia chegou diante do Trono de Deus e nenhum deles jamais falou diretamente com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo numa reunião. Aliás, não há reunião desse tipo descrita na Bíblia. Só na Vinda de Jesus veremos a Deus como Ele é (1Jo 3.2).

Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). A Bíblia diz ainda: “O Espírito penetra todas as coisas, até as profundezas de Deus” (1Co 2.10). O texto do TEI afirma que o Filho permanecia calado, com preocupação, diante de uma censura do Pai. Isso é um ultraje à Santíssima Trindade, visto que os três são iguais em glória, poder e majestade (Mt 28.19; 1Co 12.4-7; 2Co 13.13; Ef 4.4-6).

O líder é apresentado no livro como “Anjo de Fogo”, com intimidade e convivência com as três Pessoas da Trindade e com os anjos, de modo que ele se coloca como alguém superior aos profetas e aos apóstolos da Bíblia. Coloca-se, sobretudo, como uma espécie de quarta pessoa na Deidade.
Revelação adicional como fonte de autoridade

A observação encontrada logo no início do livro de que o referido livro não pretende ser comparado à Bíblia, ou mesmo substituí-la, é desfeita ao longo da obra, com as prerrogativas que o TEI apresenta sobre si mesmo. Essa observação per si é suspeita. Desnecessário dizer que um determinado livro não é igual ou superior à Bíblia, pois todo o mundo tem ciência de que a Bíblia é um livro sui generis, inspirado e a única regra de fé e prática. Todavia, o TEI se coloca como revelação recebida de forma sobrenatural, diretamente de Deus, pelo autor do livro, juntamente com seus companheiros, vindo de uma suposta Sala das Escrituras no Céu, como literatura de caráter singular, cujas palavras são infalíveis para nortear as igrejas em toda a Terra. De fato, assim se acha registrado:

“Deste Livro, o qual foi recebido sobrenaturalmente por ele e pelo Grupo de Oração da World Revival Church Assembly of God entre outubro de 2002 e fevereiro de 2003” – (Prefácio, pág. 14).

“Literatura singular…feita de forma sobrenatural – do livro selado pelo profeta Daniel, comido pelo apóstolo João e das coisas inefáveis que o apóstolo Paulo ouviu no Paraíso acerca das quais não pode falar” (Prólogo, pág. 16).

“Ele nos falou diretamente acerca de profundos mistérios do Seu coração concernentes ao conteúdo deste Livro, bem como outros referentes a este grande e último avivamento do tempo do fim” (pág.19).

Como um livro com essas características não está reivindicando autoridade? A fé cristã está fundamentada exclusivamente nas Escrituras Sagradas (Is 8.20). Acrescentar algo à Palavra de Deus é pecado (Dt 4.2; 12.32; Pv 30.5-6; Ap 22.18-19). Os fundadores de seitas trouxeram revelações adicionais para os seus movimentos, como Maomé, Joseph Smith Jr., Allan Kardec, Ellen White, Charles T. Russell, Mary Baker Eddy, Reverendo Moon.
A autoridade dos profetas e apóstolos

O líder, subscritor de O Triunfo Eterno da Igreja, considera-se portador de uma unção acima de todos os homens, igual ou até superior a dos apóstolos do Novo Testamento, afirmando, ainda, que recebeu a mesma unção recebida pelo rei Davi. Em outras palavras, toda a raça humana deve prestar a ele a mesma obediência prestada à Bíblia. De fato, em seu livro se acham os seguintes registros:

“Eu, João, agradeço muito a Deus por saber que na eternidade estarei ao lado dos maiores apóstolos e profetas que farão, juntamente com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, a Grande Colheita dos últimos tempos. Já me foi revelado que, nos últimos dias, o Pai escolherá um homem que será conhecido como ‘Anjo de Fogo’ e, juntamente com ele, será formado e discipulado pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, um grupo que será conhecido como apóstolos e profetas do grande e último avivamento” ( pág. 128).

“Pude vê-lo também trabalhando ao lado de um servo de Deus que será conhecido no mundo espiritual como ‘Anjo de Fogo’ devido à autoridade, à fé, à coragem, à ousadia e à unção que ele estará recebendo do Deus Altíssimo para ver a Terra ser envolvida pela glória do Senhor e pela abrangência que essa obra do tempo do fim alcançará, visto se tratar da última missão do arcanjo Jadiel, o qual, recebendo as ordens do Altíssimo, estará cumprindo a sua ultima missão com determinação e fidelidade absoluta” (pág. 338).

“Esse líder, o qual será o primeiro a receber a visão da grande obra do tempo do fim, assumirá sem restrição alguma o desafio com a ajuda do Altíssimo e introduzirá essa obra do tempo do fim em toda a Terra sem se preocupar com o preço a ser pago, com as renúncias que terá que fazer e com as perdas de amizades que terá ao se apresentar voluntariamente para introduzir e ver a grande obra do tempo do fim ao redor da Terra ser realizada com os seus frutos em abundância” (pág. 338).

“…ocasiões específicas, fui levado a uma tão intensa e profunda comunhão e intimidade com o Senhor, que recebi dEle essas revelações estando no Paraíso…” (pág. 342).

“E há de ser que, nos últimos dias, Eu levantarei um homem junto com os seus valentes. Da mesma forma que ungi Davi, Eu, o Espírito Santo, o ungirei, e do mesmo modo que ungi seus valentes, assim ungirei os valentes que estarão com ele e eles serão chamados de ‘a nova geração de apóstolos e profetas do Avivamento’ levantada para preparar o caminho como precursores da Volta de Cristo” (pág. 131).

Esse texto se parece com a profecia messiânica de Jeremias 23.5-6.
A suposta apostasia da Igreja

O TEI parece afirmar, como fazem as seitas (Mórmons, Adventistas do Sétimo Dia, Testemunhas de Jeová, entre outras), que a Igreja se apostatou no início do segundo século de nossa era, vindo a ser restaurada só em 14 de setembro de 2001. Isso essas seitas o fazem para dizer que todos aqueles que a elas não pertencem se acham em caminhos errados e necessitam se converteram à religião deles. No teatro forjado sobre a suposta reunião da Trindade, afirma o TEI que a Igreja não está cumprindo a sua missão na Terra.

“Felizmente, essa brecha foi imediatamente fechada no dia 14 de setembro de 2001 AD, com a chegada do grande e último Avivamento do tempo do fim” (pág.85).

“Devido às brechas abertas a começar a reinar no ano 101 da Era Cristã por descuido da liderança da época…” (pág. 249).

“Para os inimigos do grande e último Avivamento, essas revelações e manifestações trarão confusão, nervosismo, irritação e grande ira, pois não poderão crer, visto que o seu entendimento estará endurecido para tais maravilhas e manifestações, porém a Igreja ao redor da Terra desfrutará dessa dimensão até o arrebatamento” (pág. 124).

“Os santos do grande e último Avivamento serão rejeitados por líderes religiosos que não vão querer abrir mão de certos privilégios” (pág. 184).
“Essas ações anularão tradições, costumes, sistemas, resistências impostas pelos líderes que não entenderam e não aceitaram o propósito de Deus para a Sua Igreja no derramamento do Espírito Santo nesse tempo do fim, bem como não entenderam o tempo da visitação de Deus nos últimos dias: o tempo do grande e último Avivamento do tempo do fim” (pág. 237).

O Senhor Jesus Cristo garantiu que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja (Mt 16.18). A Bíblia diz ainda: “A esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém!”, Ef 3.21. Não é verdade, pois, que a Igreja não está cumprindo sua missão na Terra.
Sobre os anjos

O TEI apresenta um número considerável de “mistérios de Deus” ou “segredos ocultos”. Além disso, defende manifestações exageradas de anjos. Tudo leva a crer que o livro tem o propósito de promover o líder da Igreja em Boston, com o seu grupo, e legitimar o exagero dos anjos no seu movimento.

Comportamento que se identifica perfeitamente com os gnósticos dos dois primeiros séculos da Era Cristã, os quais fundamentavam sua crença nos “mistérios de Deus” e na teoria da emanação, o “culto dos anjos”, questões feridas pelo apóstolo Paulo em Colossenses 2.18.

O TEI revela ainda a existência de anjos extra-bíblicos, como Elifelete e Jadiel (pág. 337). É verdade que a Bíblia não revela tudo o que aconteceu no período bíblico e nem tudo o que está no Céu, mas o compromisso do cristão é com o que está escrito (1Co 4.6).
Conclusão

No conteúdo da obra examinada, como exposto, há previsões exageradas e repetitivas em torno do movimento que vem ocorrendo em Boston, EUA, sob a liderança do pastor Ouriel de Jesus.

As palavras provindas do “Trono” (no dizer do líder do livro), de que o preço a ser pago é muito alto (será caluniado, excluído da sua denominação, chamado de herege pelos próprios amigos), são uma exteriorização do que se acha instalado no seu íntimo. É a chamada “síndrome de perseguição”. Com receio de que suas visões não serão aplaudidas, nem muito bem recebidas, pelos que se acham atentos às profecias bíblicas para os últimos dias, já previamente faz a sua defesa. Aliás, é comportamento esposado por todos os implantadores de seitas. De outro lado, em todo o livro e na descrição das suas visões, o indigitado líder deixa transparecer a teomania de que se acha tomado.

Em face de todo o exposto, é do parecer do Conselho de Doutrina e da Comissão de Apologia da CGADB, que o pastor Ouriel de Jesus, uma vez que se acha vinculado à Igreja no Brasil, propor à Mesa Diretora da CGADB convocá-lo para justificar seu comportamento destoante da doutrina bíblica pregada pela Igreja, bem assim se retrate das aberrações doutrinárias registradas no livro O Triunfo Eterno da Igreja, por ele subscrito.
Pastor Paulo Roberto Freire Costa

Presidente do Conselho de Doutrina

Pastor Esequias Soares

Presidente da Comissão de Apologia

Mesa Diretora da CGADB comunica o desligamento do Pr. Ouriel de Jesus e da AD em Boston – EUA

A Mesa Diretora da CGADB esteve reunida nesta quarta e quinta na sede da Convcenção geral, no Rio, para deliberar sobre diversos assuntos pendentes desde a última reunião, principalmente sobre os acontecimentos advindos de Boston, nos Estados Unidos, sobre o comportamento e práticas usadas pela “World Revival Church”, liderada pelo Pr. Ouriel de Jesus.
De acordo com os últimos acontecimentos ocorridos naquela igreja, principalmente do lançamento do livro “O Triunfo Eterno da Igreja”, onde o referido pastor alega ter recebido de Deus as revelações do “Livro selado por 7 selos”, do “Livrinho comido por João” e das “Coisas inefáveis vistas por Paulo no paraíso”, o presidente da CGADB, Pr. José Wellington Bezerra da Costa, solicitou pareceres da Comissão de Apologética e do Conselho de Doutrinas da CGADB, os quais repudiaram tais afirmações e as práticas liturgicas daquela igreja. Estes pareceres foram publicados no Jornal Mensageiro da Paz n° 1422 – Novembro/2003.
Nesta quarta-feira, 29/10/2003, a Mesa Diretora da CGADB homologou o desligamento do Pr. Ouriel de Jesus do rol de ministros da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil

fevereiro 26, 2008 at 12:17 pm 2 comentários

A teologia da prosperidade à luz da Bíblia

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, tem sido apregoada aos quatro cantos do mundo um ensino exagerado sobre a prosperidade cristã. Segundo este ensinamento, todo crente tem que ser rico, não morar em casa alugada, ganhar bem, além de ter saúde plena, sem nunca adoecer. Caso não seja assim, é porque está em pecado ou não tem fé. Neste estudo, procuraremos examinar o assunto à luz da Bíblia, buscando entender a verdadeira doutrina da prosperidade.

I – O QUE É PROSPERIDADE.

No Dic. Aurélio, encontramos vários significados em torno da palavra prosperidade.:

1. PROSPERIDADE (do lat., prosperitate). Qualidade ou estado de próspero; situação próspera.

2. PROSPERAR. Tornar-se próspero ou afortunado; enriquecer; ser favorável; progredir; desenvolver.

3. PRÓSPERO. Propício, favorável, ditoso, feliz, venturoso.

4. BIBLICAMENTE, prosperidade é mais que isso. É o que diz o Salmo 1. 1-3.

II – A MODERNA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE EM CONFRONTO COM A BÍBLIA.

1. NOMES INFLUENTES.

1.1. KENYON. Nasceu em 24.04.1867, Saratoga, Nova York, EUA, falecendo aos 19.03.48. Nos anos 30 a 40, desenvolveram-se os ensinos de Essek William Kenyon. Segundo Pieratt (p. 27), ele tinha pouco conhecimento teológico formal. ‘Kenyon nutria uma simpatia por Mary Baker Eddy’ (Gondim, p. 44), fundadora do movimento herético ‘Ciência Cristã’, que afirma que a matéria, a doença não existem. Tudo depende da mente. Pastoreou igrejas batistas, metodistas e pentecostais. Depois, ficou sem ligar-se a qualquer igreja. De acordo com Hanegraaff, Kenyon sofreu influência das seitas metafísicas como Ciência da Mente, Ciência Cristã e Novo Pensamento, que é o pai do chamado ‘Movimento da Fé’. Esses ensinos afirmam que tudo o que você pensar e disser transformará em realidade. Enfatizam o ‘Poder da Mente’.

1.2. KENNETH HAGIN.

Discípulo de Kenyon. Nasceu em 20.08.1918, em McKinney, Estado do Texas, EUA. sofreu várias enfermidades e pobreza; diz que se converteu após ter ido três vezes ao inferno (Romeiro, p. 10). Aos 16 anos diz ter recebido uma revelação de Mc 11.23,24, entendendo que tudo se pode obter de Deus, desde que confesse em voz alta, nunca duvidando da obtenção da resposta, mesmo que as evidências indiquem o contrário. Isso é a essência da ‘Confissão Positiva’.

Foi pastor de uma igreja batista (1934-1937); depois ligou-se à Assembléia de Deus (1937-1949), em seguida passou por várias igrejas pentecostais, e , finalmente, fundou seu próprio ministério, aos 30 anos, fundando o Instituto Bíblico Rhema. Foi criticado por ter escrito livros com total semelhança aos de Kenyon, mas defendeu-se , dizendo que não era plágio, que os recebera diretamente de Deus.

OUTROS.

Kenneth Copeland, seguidor de Haggin, diz que ‘Satanás venceu Jesus na cruz’ (Hanegraaff, p. 36). Benny Hinn. Tem feito muito sucesso. Diz que teve a revelação de que as mulheres originalmente deveriam dar à luz pelo lado de seus corpos (id., p. 36). Há muitos outros nomes, mas este espaço do estudo não permite registrá-los.

III – OS ENSINOS DO EVANGELHO DA PROSPERIDADE EM CONFRONTO COM A BÍBLIA.

Os defensores da ‘teologia ou do evangelho da prosperidade’ baseiam-se em três pontos a serem considerados:

1. AUTORIDADE ESPIRITUAL.

1.1. PROFETAS, HOJE.

Segundo K. Hagin, Deus tem dado autoridade (unção) a profetas nos dias atuais, como seus porta-vozes. Ele diz que ‘recebe revelações diretamente do Senhor’; ‘…Dou graças a Deus pela unção de profeta…Reconheço que se trata de uma unção diferente…é a mesma unção, multiplicada cerca de cem vezes’ (Hagin, Compreendendo a Unção, p. 7). è

O QUE DIZ A BÍBLIA:

O ministério profético, nos termos do AT, duraram até João (Mt 11.13). Os profetas de hoje são os ministros da Palavra (Ef 4.11). O dom de profecia (1 Co 12.10) não confere autoridade profética.

1.2. ‘AUTORIDADE DAS REVELAÇÕES’.

Essa autoridade deriva das ‘visões, profecias, entrevistas com Jesus, curas, palavras de conhecimento, nuvens de glória, rostos que brilham, ser abatido (cair) no Espírito’, rejeição às doenças, ordenando-lhes que saiam, etc. Ele diz que quem rejeitar seus ensinos ‘serão atingidos de morte, como Ananias e Safira’ (Pieratt, p. 48). è

O QUE DIZ A BÍBLIA.

A Palavra de Deus garante autoridade aos servos do Senhor (cf. Lc 24.49; At 1.8; Mc 16.17,18). Mas essa autoridade ou poder deriva da fé no Nome de Jesus e da Sua Palavra, e não das experiências pessoais, de visões e revelações atuais. Não pode existir qualquer ‘nova revelação’ da vontade de Deus. Tudo está na Bíblia (Ver At 20.20; Ap 22.18,19).

Se um homem diz que lhe foi revelado que a mulher deveria ter filhos pelos lados do corpo, isso não tem base bíblica, carecendo tal pessoa de autoridade espiritual. Deveria seguir o exemplo de Paulo, que recebeu revelação extraordinária, mas não a escreveu (cf. 2 Co 12.1-6).

1.3. HOMENS SÃO DEUSES!

Diz Hagin: ‘Você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi…’ (Hagin, Word of Faith, 1980, p. 14). ‘Você não tem um deus dentro de você. Você é um Deus’ (Kenneth Copeland, fita cassete The Force of Love, BBC-56). ‘Eis quem somos: somos Cristo!’ (Hagin, Zoe: A Própria Vida de Deus, p.57). Baseiam-se, erroneamente, no Sl 82.6, citado por Jesus em Jo 10.31-39. ‘Eu sou um pequeno Messias’ (Hagin, citado por Hanegraaff, p. 119).

O QUE A BÍBLIA DIZ. Satanás, no Éden, incluiu no seu engodo, que o homem seria ‘como Deus, sabendo o bem e o mal’ (Gn 3.5). Isso é doutrina de demônio. Em Jo 10.34, Jesus citou o Sl 82.6, mostrando a fragilidade do homem e não sua deificação: ‘…Todavia, como homem morrereis e caireis, como qualquer dos príncipes’ (v. 7). ‘Deus não é homem’ (Nm 23.19; 1 Sm 15.29; Os 11.9 Ex 9.14). Fomos feitos semelhantes a Deus, mas não somos iguais a Ele, que é Onipotente (Jó 42.2;…); o homem é frágil (1 Co 1.25); Deus é Onisciente (Is 40.13, 14; Sl 147.5); o homem é limitado no conhecimento (Is 55.8,9). Deus é Onipresente (Jr 23.23,24). O homem só pode estar num lugar (Sl 139.1-12). Diante desse ensino, pode-se entender porque os adeptos da doutrina da prosperidade pregam que podem obter o que quiserem, nunca sendo pobres, nunca adoecendo. É que se consideram deuses!

2. SAÚDE E PROSPERIDADE.

Esse tema insere-se no âmbito das ‘promessas da doutrina da prosperidade’. Segundo essa doutrina, o cristão tem direito a saúde e riqueza; diante disso, doença e pobreza são maldições da lei.

2.1. BÊNÇÃO E MALDIÇÃO DA LEI.

Com base em Gl 3.13,14, K.Hagin diz que fomos libertos da maldição da lei, que são: 1) Pobreza; 2) doença e 3) morte espiritual. Ele toma emprestadas as maldições de Dt 28 contra os israelitas que pecassem. Hagin diz que os cristão sofrem doenças por causa da lei de Moisés.

O QUE DIZ A BÍBLIA.

Paulo refere-se, no texto de Gl 3 à maldição da lei a todos os homens, que permanecem nos seus pecados. A igreja não se encontra debaixo da maldição da lei de Moisés. (cf. Rm 3.19; Ef 2.14). Hagin diz que ficamos debaixo da bênção de Abraão (Gl 3.7-9), que inclui não ter doenças e ser rico. Ora, Abraão foi abençoado por causa da fé e não das riquezas. Aliás, estas lhe causaram grandes problemas. Muitos cristãos fiéis ficaram doentes e foram martirizados, vivendo na pobreza, mas herdeiros das riquezas celestiais (1 Pe 3.7).

Os teólogos da prosperidade dizem que Cristo, na Cruz, ‘removeu não somente a culpa do pecado, mas os efeitos do pecado’ (Pieratt, p. 132). Mas isso não é verdade, pois Paulo diz que ‘toda a criação geme’, inclusive os crentes, aguardando a completa redenção.

2.2. O CRISTÃO NÃO DEVE ADOECER.

Eles ensinam que ‘todo cristão deve esperar viver uma vida plena, isenta de doenças’ e viver de 70 a 80 anos, sem dor ou sofrimento. Quem ficar doente é porque não reivindica seus direitos ou não tem fé. E não há exceções (Pieratt, p. 135). Pregam que Is. 53.4,5 é algo absoluto. Fomos sarados e não existe mais doença para o crente.

O QUE DIZ A BÍBLIA:

‘No mundo, tereis aflições’ (Jo 16.33). São Paulo viveu doente (Ver 1 Co 4.11; Gl 4.13), passou fome, sede, nudez, agressões, etc. Seus companheiros adoeceram (Fp 2.30). Timóteo tinha uma doença crônica (1 Tm 5.23). Trófimo ficou doente (2 Tm 4.20). Essas pessoas não tinham fé? Jesus curou enfermos, e citou Is 53.4,5 (cf. Mt 8.16,17).

No tanque de Betesda, havia muitos doentes, mas Jesus só curou um (cf. Jo 5.3,8,9). Deus cura, sim. Mas não cura todos as pessoas. Se assim fosse, não haveria nenhum crente doente. Deve-se considerar os desígnios e a soberania divina. Conhecemos homens e mulheres de Deus, gigantes na fé, que têm adoecido e passado para o Senhor.

2.3. O CRISTÃO NÃO DEVE SER POBRE.

Os seguidores de Hagin enfatizam muito que o crente deve ter carro novo, casa nova (jamais morar em casa alugada!), as melhores roupas, uma vida de luxo. Dizem que Jesus andou no ‘cadillac’ da época, o jumentinho. Isso é ingênuo, pois o ‘cadillac’ da época de Cristo seria a carruagem de luxo, e não o simples jumentinho.

O QUE DIZ A BÍBLIA.

A Palavra de Deus não incentiva a riqueza (também não a proíbe, desde que adquirida com honestidade, nem santifica a pobreza); S. Paulo diz que aprendeu a contentar-se com o que tinha (cf. Fp 4.11,12; 1 Tm 6.8);

Jesus enfatizou que só uma coisa era necessária: ouvir sua palavra (Lc 10.42); Ele disse que é difícil um rico entrar no céu (Mt 19.23); disse, também, que a vida não se constitui de riquezas (Lc 12.15). Os apóstolos não foram ricaços, mas homens simples, sem a posse de riquezas materiais. S. Paulo advertiu para o perigo das riquezas (1 Tm 6.7-10)

3. CONFISSÃO POSITIVA.

É o terceiro ponto da teologia da prosperidade. Ela está incluída na ‘fórmula da fé’, que Hagin diz ter recebido diretamente de Jesus, que lhe apareceu e mandou escrever de 1 a 4, a ‘fórmula’.

Se alguém deseja receber algo de Jesus, basta segui-la:

1) ‘Diga a coisa’ positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo. De acordo com o que o indivíduo quiser, ele receberá’. Essa é a essência da confissão positiva.

2) ‘ Faça a coisa’. ‘Seus atos derrotam-no ou lhe dão vitória. De acordo com sua ação, você será impedido ou receberá’.

3) ‘Receba a coisa’. Compete a nós a conexão com o dínamo do céu’. A fé é o pino da tomada. Basta conectá-lo.

4) ‘Conte a coisa’ a fim de que outros também possam crer’. Para fazer a ‘confissão positiva’, o cristão dever usar as expressões: exijo, decreto, declaro, determino, reivindico, em lugar de dizer : peço, rogo, suplico; jamais dizer: ‘se for da tua vontade’, segundo Benny Hinn, pois isto destrói a fé.

Mas Jesus orou ao Pai, dizendo: ‘Se é da tua vontade…faça-se a tua vontade…’ (Mt 26.39,42). ‘Confissão positiva’ se refere literalmente a trazer à existência o que declaramos com nossa boca, uma vez que a fé é uma confissão’ (Romeiro, p. 6).

IV – A VERDADEIRA PROSPERIDADE.

A Palavra de Deus tem promessas de prosperidade para seus filhos. Ao refutar a ‘Teologia da Prosperidade’, não devemos aceitar nem pregar a ‘Teologia da Miserabilidade’.

1. A PROSPERIDADE ESPIRITUAL.

Esta deve vir em primeiro lugar. Sl 112.3; Sl 73.23-28. É ser salvo em Cristo Jesus; batizado com o Espírito Santo; é ter o nome escrito no Livro da Vida; é ser herdeiro com Cristo (Rm 8.17); Deus escolheu os pobres deste mundo para serem herdeiros do reino (Tg 2.5); somos co-herdeiros da graça (1 Pe 3.7); devemos ser ricos de boas obras (1 Tm 6.18,19); tudo isso nos é concedido pela graça de Deus.

2. PROSPERIDADE EM TUDO.

Deus promete bênçãos materiais a seus servos, condicionando-as à obediência à sua Palavra e não à ‘Confissão Positiva’.

2.1. BÊNÇÃOS E OBEDIÊNCIA. Dt 28.1-14. São bênçãos prometidas a Israel, que podem ser aplicadas aos crentes, hoje.

2.2. PROSPERIDADE EM TUDO (Sl 1.1-3; Dt 29.29; ). As promessas de Deus para o justo são perfeitamente válidas para hoje. Mas isso não significa que o crente que não tiver todos os bens, casa própria, carro novo, etc, não seja fiel.

2.3. CRENDO NOS SEU PROFETAS (2 Cr 20.20;). Deus promete prosperidada para quem crê na Sua palavra, transmitida pelos seus profetas, ou seja, homens e mulheres de Deus, que falam verdadeiramente pela direção do Espírito Santo, em acordo com a Bíblia, e não por entendimento pessoal.

2.4. PROSPERIDADE E SAÚDE (3 Jo 2). A saúde é uma bênção de Deus para seu povo em todos os tempos. Mas não se deve exagerar, dizendo que quem ficar doente é porque está em pecado ou porque não tem fé.

2.5. BÊNÇÃOS DECORRENTES DA FIDELIDADE NO DÍZIMO (Ml 3.10,11). As janelas do céu são abertas para aqueles que entregam seus dízimos fielmente, pela fé e obediência à Palavra de Deus.

2.6. O JUSTO NÃO DEVE SER MISERÁVEL. (Sl 37.25). O servo de Deus não deve ser miserável, ainda que possa ser pobre, pois a pobreza nunca foi maldição, de acordo com a Bíblia.

CONCLUSÃO.

O crente em Jesus tem o direito de ser próspero espiritual e materialmente, segundo a bênção de Deus sobre sua vida, sua família, seu trabalho. Mas isso não significa que todos tenham de ser ricos materialmente, no luxo e na ostentação. Ser pobre não é pecado nem ser rico é sinônimo de santidade. Não devemos aceitar os exageros da ‘Teologia da Prosperidade’, nem aceitar a ‘Teologia da Miserabilidade’. Deus é fiel em suas promessa. Na vida material, a promessa de bênçãos decorrentes da fidelidade nos dízimos aplicam-se á igreja. A saúde é bênção de Deus. Contudo, servos de Deus, humildes e fiéis, adoecem e muitos são chamados á glória, não por pecado ou falta de fé, mas por desígnio de Deus. Que o Senhor nos ajude a entender melhor essas verdades.

Autor: Elinaldo Renovato de Lima 

 

fevereiro 19, 2008 at 5:05 pm 6 comentários

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